quarta-feira, 7 de novembro de 2012

SUBSCREVO


"Durante mais de três décadas os detentores do poder político e económico violaram o frágil território de forma obsessiva. Não foram sensíveis aos gritos de dor da Ilha e ameaçaram com violência quem ousou denunciar os abusos" (...) "Com o poder do dinheiro moldaram a mentalidade da população, que tratou os abusadores como benfeitores e ostracizou os cidadãos que alertaram para a impossibilidade da Ilha suportar tanta perfuração, tantos cursos de água tapados e estrangulados, tantas vertentes rasgadas, tantos aterros descontrolados" (...)


Uma vez mais confirma-se que os intervalos são mais curtos. Sempre que chove um pouco mais "é um Deus me acuda". A memória salta, rapidamente, para 1993 e para 2010, anos trágicos que trouxeram luto e deixaram muitas zonas da Madeira em situação complexa. Mas outros episódios têm acontecido, uns graves outros nem tanto, todos, no entanto, muito preocupantes. Agora, foram os concelhos do Porto Moniz, Santana e S. Vicente, felizmente, sem mortes a registar. Não sou especialista nestas matérias, não as estudo, todavia, os factos, permitem considerar uma pertinente relação de causa-efeito. Atravessei toda a minha juventude com outonos e invernos de significativa pluviosidade, de semanas a fio a chover, muitas vezes de forma "agressiva", porém não me recordo de momentos de tanta angústia como agora. Pois, os climas estão em mudança em consequência dos erros dos homens, mas também sei que, nesta terra, foram às centenas as violações dos instrumentos de planeamento, sobretudo do Plano de Ordenamento do Território da Região A. da Madeira (POTRAM) e dos vários Planos Directores Municipais (PDM's). Inquestionável. Daí que subscreva, apesar da minha ignorância técnico-científica, o grito do Dr. Raimundo Quintal, Geógrafo, tal como o fiz relativamente aos extraordinários programas da RTP-Madeira, "Pedras que Falam", da autoria do Doutor João Batista.
Escreveu o Dr. Raimundo Quintal na sua página de facebook:
"Durante mais de três décadas os detentores do poder político e económico violaram o frágil território de forma obsessiva. Não foram sensíveis aos gritos de dor da Ilha e ameaçaram com violência quem ousou denunciar os abusos" (...) "Com o poder do dinheiro moldaram a mentalidade da população, que tratou os abusadores como benfeitores e ostracizou os cidadãos que alertaram para a impossibilidade da Ilha suportar tanta perfuração, tantos cursos de água tapados e estrangulados, tantas vertentes rasgadas, tantos aterros descontrolados" (...) "Cansada de tanta violação e humilhada com tanto vinho seco, espetada e poncha, a Ilha ganhou coragem e começou a gritar. Portugal, a Europa, o Mundo têm de compreender que as suas feridas foram expostas pela água da chuva, mas que os rasgões foram provocados por um bando de abusadores, que mais uma vez aparecem na comunicação social com um ar inocente. Portugal e a Europa não podem voltar a entregar dinheiro aos abusadores como após o 20 de Fevereiro".
A história volta a repetir-se, os homens e mulheres de ciência da Região continuam a ser olhados com desconfiança, maltrados e ostracizados, mas é tempo de arrepiar caminho e de começar a ter presente (se ainda vamos a tempo) que somos muito pequeninos relativamente à força da natureza.
Ilustração: Google Imagens/DN/Foto Octávio Passos/Aspress

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