terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A FARSA INSTITUCIONAL


E para isso basta um atento olhar pelos factos dos últimos doze meses de Governo, de Assembleia, para o comportamento sonolento da Igreja e para a representação da República na Região. Uns toleram e agacham-se à ausência de democracia na Madeira, outros governam olhando para o povo como súbditos e pata-rapadas, outros falam de caridade e fogem a sete pés de tocar nas feridas que sangram, enfim, chega-se a meados de Dezembro, há uma espécie de apagão nas consciências e, com todos os salamaleques, abraçam-se, fraternalmente, como se nada tivesse acontecido, brindam à prosperidade do regime, mas na mais completa ausência de sentimento Cristão. Ora, se isto não é hipocrisia institucional, então o que será? Aos olhos do povo, esta cena maquinalmente realizada, cheira a bolor, porque lhe falta sinceridade e atitudes condizentes com o significado e pujança de dizer Feliz Natal. Natal, senhores de tais actos, tenham consciência que é muito mais do que Ho Ho Ho!

Excelente foto de Teresa Gonçalves/DN.
Sabem para onde estão a olhar.
Só que, depois, esquecem!
Começou o vaivém dos cumprimentos protocolares de Bom Natal. O governo vai à Assembleia, ao Representante e ao Bispo; a Assembleia vai ao Representante da República, ao Bispo e por aí fora. Para a fotografia e cumprimento de um ritual, visitam-se, dizem coisas apropriadas à época e "abraçam-se" efusivamente. Levam o ano inteiro com atitudes políticas contrárias ao espírito natalício e, depois, em romaria lá vão, de canto em canto, mostrar aquilo que nunca têm em conta. Há aqui uma hipocrisia institucional que bole com aquilo que penso sobre o comportamento político sério e o comportamento político desprezível.
Isto pressupõe que não está em causa o acto em si mesmo, a elegância e até o dever de apresentação de cumprimentos. O que está em causa é a hipocrisia de que se reveste o acto. E para isso basta um atento olhar pelos factos dos últimos doze meses de Governo, de Assembleia, para o comportamento sonolento da Igreja e para a representação da República na Região. Uns toleram e agacham-se à ausência de democracia na Madeira, outros governam olhando para o povo como súbditos e pata-rapadas, outros falam de caridade e fogem a sete pés de tocar nas feridas que sangram, enfim, chega-se a meados de Dezembro, há uma espécie de apagão nas consciências e, com todos os salamaleques, abraçam-se, fraternalmente, como se nada tivesse acontecido, brindam à prosperidade do regime, mas na mais completa ausência de sentimento Cristão. Ora, se isto não é hipocrisia institucional, então o que será?
Aos olhos do povo, esta cena maquinalmente realizada, cheira a bolor, porque lhe falta sinceridade e atitudes condizentes com o significado e pujança de dizer Feliz Natal. Natal, senhores de tais actos, tenham consciência que é muito mais do que Ho Ho Ho! Ao dizer "Feliz Natal", para a humanidade, claro, estamos a assumir qualquer coisa como feliz o dia que Jesus nasceu. Importa pois perceber em que medida os governantes contribuem para a felicidade do povo quando em causa estão os pressupostos da Sua Mensagem. Por aqui, então, o que têm feito? Obras, muitas obras físicas, muito poucas ou raras obras no ser humano. É por isso que temos um extenso rol de malfeitorias que provocaram desespero nas famílias por via do desemprego, emigração forçada, educação e saúde tendencialmente pagas, retirada de direitos constitucionais, roubo na carteira dos contribuintes, ignorância, pobreza e dívidas, muitas dívidas que serão pagas, novamente, por todos aqueles que já pagaram pesados impostos. E perante isto, perante actos socialmente criminosos, lá vão "cantando e rindo", desejar Feliz Natal uns aos outros. Com que moral, pergunto?
Ilustração: DN - Teresa Gonçalves, com a devida vénia.

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