sábado, 29 de dezembro de 2012

A LEI DAS FINANÇAS REGIONAIS E O SILÊNCIO ESTRATÉGICO


O que é preocupante é que estamos todos entregues nas mãos de gente politicamente manipuladora, incompetente e que se servem dos lugares para se perpetuarem no poder. Fazem política não pelo bem comum, mas pelos interesses político-partidários que se escondem por detrás do biombo das aparências. Mas este silêncio tem uma outra leitura. Sustento que é estratégico. Ele sabe que os próximos meses serão muito graves para os bolsos dos portugueses, sabe que a economia continuará a resvalar, que as receitas não vão chegar para cobrir as necessidades, as de lá e as de cá, e que, sendo o quadro muito negro, dentro de algum tempo, não muito, esta dupla Passos Coelho/Paulo Portas cairá. Será, então, altura de, novamente, deitar a cabeça de fora e barafustar no sentido de reclamar outra lei para manter as loucuras de sempre. Tentará comprar os votos dos madeirenses e porto-santenses à custa de uma nova revisão da lei e, concomitantemente, que alguém por lá volte a pagar a factura. Duvido que consiga...
 
  
Afirmou o secretário regional do Plano e Finanças, Dr. Ventura Garcês: a proposta de Lei das Finanças Regionais "é uma lei um pouco melhor do que a de 2007 e muito aquém da lei que está neste momento em vigor que é de Outubro de 2010". Interessante. Tanto combate contra os socialistas e, agora, pergunto, como é?
Da parte do Presidente do Governo, isto é, daquele que, em 2007, se demitiu, abrindo espaço para eleições antecipadas, constata-se um silêncio que não tem nada de esquisito. Esse silêncio explica duas coisas: primeiro, que é, claramente, o elo mais fraco de todo o processo. Não tem capacidade negocial, ninguém quer dele saber, não é ouvido nem achado para nada que meta dinheirinho público, simplesmente porque colocou a Região de cócoras, através de uma dívida que ninguém sabe como e em que tempo será paga. Uma coisa é o que está escrito no plano de ajustamento financeiro, outra, a capacidade da Região para suportar os encargos que estão por liquidar; em segundo lugar, este silêncio demonstra que a sua demissão em 2007 foi um grande embuste. Nessa altura fica agora claro que gerou uma crise política porque pressentia que o PS-Madeira apresentava resultados eleitorais que poderiam colocar em causa a hegemonia do PSD-Madeira. Recordo que o PS vinha, sucessivamente, a apresentar resultados muito interessantes, casos concretos de dezanove deputados na Assembleia (embora o número de assentos fosse outro), uma igualdade com o PSD-M nos deputados eleitos à Assembleia da República e, finalmente, promissoras percentagens eleitorais nas autarquias. Teve medo desse crescimento e aproveitou a Lei das Finanças Regionais como motivo para desencadear novas eleições, fazer cavalo de batalha de tal lei para vir a ganhar um novo fôlego na liderança regional. E conseguiu. O PS na República e o PS-Madeira foram, na altura, os maus da fita e o povo cedeu à cantilena. Nem precisou de apresentar programa eleitoral. Foi o mesmo de 2004! Hoje, os dados provam que a sua demissão foi um embuste, a avaliar pelo seu silêncio perante uma proposta de lei do PSD/CDS que é, indiscutivelmente, mais gravosa que as anteriores.
O que é preocupante é que estamos todos entregues nas mãos de gente politicamente manipuladora, incompetente e que se servem dos lugares para se perpetuarem no poder. Fazem política não pelo bem comum, mas pelos interesses político-partidários que se escondem por detrás do biombo das aparências. Mas este silêncio tem uma outra leitura. Sustento que é estratégico. Ele sabe que os próximos meses serão muito graves para os bolsos dos portugueses, sabe que a economia continuará a resvalar, que as receitas não vão chegar para cobrir as necessidades, as de lá e as de cá, e que, sendo o quadro muito negro, dentro de algum tempo, não muito, esta dupla Passos Coelho/Paulo Portas cairá. Será, então, altura de, novamente, deitar a cabeça de fora e barafustar no sentido de reclamar outra lei para manter as loucuras de sempre. Tentará comprar os votos dos madeirenses e porto-santenses à custa de uma nova revisão da lei e, concomitantemente, que alguém por lá volte a pagar a factura. Duvido que consiga, simplesmente porque o coligação que hoje governa o país está em maus lençóis, certamente que não ganhará as eleições que vierem a ter lugar e, num quadro destes, repito, duvido que o PS seja sensível a qualquer jogada que pressuponha a perpetuação das loucuras políticas. Em primeiro lugar devem estar os madeirenses e porto-santenses e nunca os interesses de um político que não dorme a pensar na jogada seguinte. 
Ilustração: Google Imagens.  

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