sábado, 22 de dezembro de 2012

ARREPIANTE POBREZA: A DAS FAMÍLIAS E A DOS POLÍTICOS


"Este comportamento vindo do PSD não espanta dado que tem sido o Governo Regional do PSD que, na Região, gastou 51 milhões de euros nos últimos 20 anos no Jornal da Madeira; todavia, no que ao CDS/PP diz respeito, este comportamento revela a habitual bipolaridade e esquizofrenia política do CDS/PP, pois, na Região, têm apregoado aos sete ventos que estão contra a situação do Jornal da Madeira, prometendo aos madeirenses e porto-santenses que vão resolver o problema quando, na hora da verdade, votam contra, como já sucedeu com a legislação aprovada pelo PS no anterior Governo da República, ou, hipocritamente, abstêm-se, revelando cumplicidade com o que constitui um evidente desrespeito aos princípios fundamentais da lei da imprensa, da concorrência e do próprio Estado de Direito."


Olho para isto e sinto-me num país africano
onde as carências não têm fim,
mas onde os senhores do poder ou próximos
fazem fortunas mal explicadas.

Esta foto, editada ontem pelo DN-Madeira, confesso que me tanstornou. Tratou-se de uma distribuição de cabazes de alimentos feita pelo PND. Ali, frente à Assembleia Legislativa da Madeira. Centenas de pessoas em fila, que dobrava para a rua da Alfândega. Impressionante. Dir-se-á que a pobreza e a correspondente fome é muito superior à dignidade das pessoas. Aquilo foi o espelho público da tal "Madeira Nova" que o Dr. Jardim apregoa. Uma situação que não espanta, pois que, um pouco por todo o lado, o mesmo está a acontecer, umas vezes de forma mais recatada, outras, como ontem, com gente, muita gente, sem qualquer problema de assumir, de rosto aberto, a pobreza porque passam. Nunca imaginei que uma situação destas fosse possível na nossa terra, apesar de saber, através da leitura de vários indicadores, que a pobreza está aí, para ficar e por muitos anos, infelizmente. Abraço todos os que têm esse sentimento de ajuda ao próximo. E não venham com essa doentia história que isto é "aproveitamento político". Não, para mim, chama-se solidariedade activa, que corresponde também, é verdade, a uma enorme crítica a este regime político absolutamente irresponsável, decadente e asqueroso.
Mas o mais interessante disto é que, no dia anterior, na Assembleia da República, os parlamentares do PSD e do CDS/PP ao contrário de votarem a favor, abstiveram-se, isto é, lavaram as mãos relativamente a um requerimento apresentado pelo Deputado Dr. Jacinto Serrão, sobre o escandaloso caso do Jornal da Madeira. Um Jornal de propaganda do governo que já levou dos impostos de todos nós, 51 milhões de euros nos últimos 20 anos. Aqui deixo o texto do comunicado que me chegou, para que se fique a saber como é que estes senhores que governam a Madeira e como é que os Deputados da Madeira, na República, tratam os problemas sociais dos madeirenses e porto-santenses.
"1 – Ontem, na Assembleia da República, mais concretamente na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, PSD e CDS/PP mostraram claramente aos madeirenses e porto-santenses a sua indiferença e que não estão preocupados em resolver a escandalosa situação do Jornal da Madeira, já que se abstiveram na votação, aprovada com os votos favoráveis da esquerda, do requerimento apresentado pelo deputado eleito pelo PS-Madeira, Jacinto Serrão, para ouvir a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e a Autoridade da Concorrência (AdC). Refira-se que já em Junho PSD e CDS tinham votado contra uma iniciativa semelhante, igualmente proposta pelo deputado do PS-Madeira. São, em suma, cúmplices do escândalo que constitui o Jornal da Madeira.
2 – Este comportamento vindo do PSD não espanta dado que tem sido o Governo Regional do PSD que, na Região, gastou 51 milhões de euros nos últimos 20 anos no Jornal da Madeira; todavia, no que ao CDS/PP diz respeito, este comportamento revela a habitual bipolaridade e esquizofrenia política do CDS/PP, pois, na Região, têm apregoado aos sete ventos que estão contra a situação do Jornal da Madeira, prometendo aos madeirenses e porto-santenses que vão resolver o problema quando, na hora da verdade, votam contra, como já sucedeu com a legislação aprovada pelo PS no anterior Governo da República, ou, hipocritamente, abstêm-se, revelando cumplicidade com o que constitui um evidente desrespeito aos princípios fundamentais da lei da imprensa, da concorrência e do próprio Estado de Direito.
3 – O PS-Madeira reafirma o seu inquebrantável propósito de resolver esta situação de, na Região Autónoma da Madeira, o Governo Regional continuar a ser proprietário dum matutino, sem, todavia, cumprir as regras do pluralismo nem da leal concorrência, prejudicando deliberadamente outros órgãos de comunicação social de natureza privada. Esta situação além de estar a prejudicar claramente o pluralismo e independência dos meios de comunicação social existentes, na Região, tem inquestionavelmente minado os direitos dos cidadãos à liberdade de informação pela evidente e propositada distorção do mercado, servindo apenas e tão-somente como um instrumento usado pelo Governo Regional e pelo PSD para se perpetuarem no poder.
4 – Além das razões já referidas, o PS-Madeira entende que face ao passivo desproporcionado apresentado pelo Jornal da Madeira, causando recorrente prejuízo à Região, com as respetivas implicações no défice do país, isto justamente numa Região que atravessa uma fase económica e social muito frágil e preocupante, com cortes generalizados em praticamente todos os setores da economia e com muitas famílias a serem flageladas com o desemprego e graves dificuldades financeiras, literalmente a viver uma situação de calamidade social, os milhões de euros gastos anualmente no Jornal da Madeira (só em 2012 foram 5.051.329 milhões de euros) deveriam ser aplicados em apoios sociais que muito ajudariam os madeirenses e porto-santenses mais necessitados e desprotegidos."
Funchal 21 de Dezembro de 2012
Ilustração: DN/Madeira, com a devida vénia.

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