quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

POLÍTICA DESPORTIVA SEM RUMO


Este governo tem um ano e pouco de legislatura e não foi ainda capaz de definir, claramente, em função das circunstâncias económicas, financeiras e de uma análise aos erros do passado, as bases de um caminho, um paradigma, a partir do qual, todo o sistema conheça e domine as traves-mestras sobre as quais assentarão os projectos futuros. Não existe rigorosamente nada, ou melhor, a actual Direcção Regional do Desporto e Juventude, herdeira, em parte, do IDRAM, continua a ser uma casa que recebe cartas e emite cheques, quando os há! Nada mais. Orientação para o futuro, zero. Definição de prioridades nas políticas locais e de representação nacional, outro zero. Onde é que o sistema desportivo se encaixa no conjunto dos constragimentos financeiros da Madeira, novamente zero. Isto é, aquilo que se apresentava como essencial e fundamental que seria definir, a partir do actual quadro, as linhas programáticas que garantam sustentabilidade, nem uma palavra e vão vivendo de paleio avulso, de um dinheirinho para ali e outro para acolá, contentando e calando as vozes angustiantes que se multiplicam!
 
 
Caminham de olhos vendados.
Quando não se sabe para onde se vai
qualquer caminho serve!
Não tem nada de novo a história de não haver combustível para o aquecimento de águas de piscinas e balneários. O presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Jaime Moniz ainda hoje assume que, no pavilhão anexo à escola, a situação dura "há quase dois anos". Também não tem nada de novo a asfixia dos clubes e associações no que concerne à sua capacidade de resposta aos compromissos assumidos, isto é, se a entidade oficial não cumpre as transferências dos contratos-programa assinados entre as partes, logo, as dívidas acumulam-se e as insolvências aparecem. São muitos milhões em causa e vários os dirigentes desportivos que confiaram e que, hoje, têm os seus nomes na "lista negra" do Banco de Portugal. Ora, os 3,5 milhões que o Orçamento Rectificativo veio destinar ao sector desportivo associativo acaba por tapar, como se diz, a "cova de um dente", face à montanha de facturas por pagar. Mas não é disso que quero escrever, embora considere ser do maior interesse saber, exactamente, qual a dívida global do sector público para o sector associativo e qual a dívida sobrante, liquidados os contratos-programa anteriores, de todo o sector associativo. Seria interessante conhecer esses números, pois eles possibilitariam uma melhor análise às políticas que têm vindo a ser seguidas.
O que me preocupa é uma outra coisa. Este governo tem um ano e pouco de legislatura e não foi ainda capaz de definir, claramente, em função das circunstâncias económicas, financeiras e de uma análise aos erros do passado, as bases de um caminho, um paradigma, a partir do qual, todo o sistema conheça e domine as traves-mestras sobre as quais assentarão os projectos futuros. Não existe rigorosamente nada, ou melhor, a actual Direcção Regional do Desporto e Juventude, herdeira, em parte, do IDRAM, continua a ser uma casa que recebe cartas e emite cheques, quando os há! Nada mais. Orientação para o futuro, zero. Definição de prioridades nas políticas locais e de representação nacional, outro zero. Onde é que o sistema desportivo se encaixa no conjunto dos constragimentos financeiros da Madeira, novamente zero. Isto é, aquilo que se apresentava como essencial e fundamental que seria definir, a partir do actual quadro, as linhas programáticas que garantam sustentabilidade, nem uma palavra e vão vivendo de paleio avulso, de um dinheirinho para ali e outro para acolá, contentando e calando as vozes angustiantes que se multiplicam!
Entretanto, leio, hoje, a preocupação do Director Regional em rendibilizar, em articulação com o turismo, o parque desportivo infraestrutural. Trata-se de matéria antiga (eu próprio já aqui escrevi vários textos com exemplos vividos) que não foi equacionada antes da construção das instalações, mas que, independentemente desse aspecto, só deveria ser analisada no quadro de um projecto global do e para o sistema. Assim, cheira a qualquer coisa avulsa, desenquadrada, um tiro para o ar, sem qualquer consistência. É como se dizer, por exemplo, já que o director fala de turismo, que o investimento promocional por cama turística na Região é de cerca de € 300,00 e por atleta federado tem sido acima dos € 2.000,00 anuais. Esta disparidade que, aliás, tem muito que se lhe diga, a ser dita de forma avulsa, obviamente que também constituiria um "tiro", soaria a palavras e apenas palavras. Portanto, entendam-se, digam lá o que pretendem para o sistema educativo, para o desporto na escola quando não há sequer dinheiro para pagar o combustível, digam lá o que pretendem para o sistema desportivo face ao estado de falência genérica, mas digam-no, abertamente, sem pensos rápidos como é o caso dos 3,5 milhões de euros consequência do empréstimo do qual resultou o orçamento rectificativo.
Ilustração: Google Imagens.

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