quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

TEMPO DE NATAL


"Um bispo que deveria, neste advento, ser o primeiro a dirigir-se à Paróquia da Ribeira Seca e pedir perdão ao Povo e ao Padre daquela Igreja e lá celebrar a Missa do Natal. Por que afinal, o Natal, o Nascimento de Jesus, é isso. Nada mais! Jesus veio como Salvador, segundo o que dizem as Escrituras, para salvar a Humanidade e reunir tudo e todos. Mas, parece-me, papas, bispos e, até, padres só querem obediências, direitos canónicos, burocracias eclesiásticas e esqueceram-se do cerne, do epicentro de toda a nossa FÉ: O EVANGELHO DO SENHOR JESUS. (...)"

 
Ontem li uma "carta do leitor" do meu Amigo José Ângelo G. Paulos. Oportuna. Já em tempos, por ocasião dos 50 anos de sacerdócio do Padre madeirense José Martins Junior, escrevi um artigo de opinião nas páginas do DN-Madeira e um outro texto que pode ser aqui lido, sobre idêntica matéria que motivou a citada carta. O assunto continua na ordem do dia se bem que muitos queiram que ele passe ao largo. É politicamente incómodo. Mas a Igreja, os princípios enunciados por esse Homem que há dois mil anos nasceu e deixou uma mensagem, penso serem muito mais importantes do que a obediência cega a um qualquer regime político nas ilhas atlânticas. Ora, se é um problema de Direito   em Tribunal eclesiástico, provem e condenem ou absolvam-no, definitivamente. A manutenção deste estado, há mais de trinta anos, apenas denuncia uma gravíssima promiscuidade entre o poder legislativo e poder da Igreja. Qualquer católico ou não, qualquer pessoa com um mínimo de seriedade e de bom senso, presumo que dirá que alguma coisa se passa para que não o julguem. A suspensão "a divinis", arbitrariamente definida, por um Bispo de má memória, passado todo este tempo exigiria o sentido da reconciliação, sem vencedores e sem vencidos. Pergunta o autor da carta e bem, "afinal o que significa para o hierarquia a vinda de Jesus? Nada!".
O texto de José Ângelo Paulos, um Homem culto, de análise rigorosa, de princípios e de valores, contém os elementos necessários para uma saída digna por parte do actual Bispo, Senhor D. António Carrilho. Não se trata de perdoar ou de justificar seja o que for, mas de reconciliar num tempo que obriga a Igreja da Madeira a um acto de contrição!
Deixo aqui o texto da carta pela sua importância.

"Como pode o Bispo do Funchal, António Carrilho, falar em Advento - na vinda do Senhor - na Metanóia, tal como diz João Baptista. Na transformação dos corações de homens e mulheres, em conversão e em movimento, se ele bispo não se converte nem se transforma. Continua com o coração pedregoso, cheio de leis, de disciplinas, de obediências, mais do que de afectos, de amor. Pobre bispo!
Afinal o que significa para o hierarquia a vinda de Jesus? Nada! Apenas, a obediência ao papa. E vamos nós, pobres cristãs e cristãos, estar neste triste palco para dizer à Humanidade que afinal DEUS existe? Será com esta triste igreja recheada de hipocrisia, mentira, de sumptuosidade e de luxúria, que vamos testemunhar a existência d'ELE?
Um bispo que deveria, neste advento, ser o primeiro a dirigir-se à Paróquia da Ribeira Seca e pedir perdão ao Povo e ao Padre daquela Igreja e lá celebrar a Missa do Natal. Por que afinal, o Natal, o Nascimento de Jesus, é isso. Nada mais! Jesus veio como Salvador, segundo o que dizem as Escrituras, para salvar a Humanidade e reunir tudo e todos. Mas, parece-me, papas, bispos e, até, padres só querem obediências, direitos canónicos, burocracias eclesiásticas e esqueceram-se do cerne, do epicentro de toda a nossa FÉ: O EVANGELHO DO SENHOR JESUS.
Quem acredita nesta igreja? E, sobretudo, na da Madeira. Um bispo que deveria começar o seu advento na Ribeira Seca - Machico, percorre a Madeira toda e deriva-se para outras bandas.
No Ano Jubilar dos seus 50 anos de padre, o bispo nem um gesto de humildade tem para com ele. Não, contrariamente ao que tem acontecido, em anos anteriores, quando sacerdotes faziam 50 anos de padre, ele, bispo, concelebrava com eles na Sé. Este ano o Padre José Martins Júnior e um Cónego fizeram-no. Mas, o seráfico bispo do sorriso concelebrou, reconditamente, no Imaculado Coração de Maria com o tal cónego - e este também, hipocritamente, fugiu do seu coevo, para celebrar com o bispo numa atitude de silêncio, de clausura - de tal maneira que não fosse contagiado com o anátema "Martins Júnior". Pobre Igreja!
Senhor Bispo Carrilho: o Povo, todos os Sacerdotes Amigos dele, a Igreja de Jesus também lá estavam. E o Sagrado Concílio Vaticano II dos grandes Papas João XXIII e de Paulo VI, porque ele, Padre José Martins Júnior, é um sequaz deles. Não é um súbdito desta igreja partidária, opulenta e prepotente.
Para terminar: Se não fôr, neste Natal, à Paróquia da Ribeira Seca, quem irá nascer será Herodes, NUNCA JESUS. O Salvador! Porque aquela Manjedoura é Crística. O Padre José Martins Júnior é o Pierre Theilhard Chardin dos tempos actuais".
Ilustração: Google Imagens.

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