segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

VÉSPERA DE NATAL


Vejo pobres, assisto aos sinais de solidariedade para que a quadra seja menos mal, todavia, questiono-me: por quanto tempo o disfarce acontecerá? Até ao final do ano? Talvez. E depois? Quem os acode, quem manterá a subsistência de muitos que se nada tinham, agora pior. Refiro-me aos desempregados sem direito a subsídio, aos casais desesperados, às crianças que matam a fome na escola, aos idosos tratados de forma menos digna, onde o caso Atalaia é, apenas, um episódio, num mundo de solidão, aos jovens estudantes universitários sem dinheiro para propinas e outros encargos. Quem os acode? Não sei e não vejo saída com políticos destes cujo único verbo que sabem conjugar é o "roubar". Não sei, desmanchada a lapinha, a árvore de Natal, consumidas algumas iguarias, depois do fogo de artífício e desligadas as iluminações, no regresso à realidade, como será.

 
Há, em mim, uma complexa mistura de sentimentos. Coisa estranha, desde que me conheço! Venho a acumulá-los desde há uns dias. Sinto a felicidade da família reunida, a felicidade dos momentos de Natal, as canções de Natal que o leitor de cd's reproduz, gerando um ambiente de fundo agradável, mas, em tudo isto, há um mas...! Não consigo ultrapassar o que andam a fazer ao Povo português. Felizmente tenho o essencial apesar de todos os roubos que andam a fazer, mas há milhões que não têm. Insensível, o Primeiro-Ministro virá dizer que estamos no caminho certo e o Presidente da República cumprirá o número de falar para nada dizer. A mistura de sentimentos de que falo desenvolvem-se neste espaço, aguçado, aqui e ali, entre as notícias que vão surgindo e a hipocrisia de certos senhores quando trocam cumprimentos de Natal.
Ainda anteontem segui um trabalho jornalístico na SIC, sobre a vergonha chamada BPN, que todos nós estamos a pagar, vergonha que envolve gentinha da política. Foi um desfilar de nomes, de números assustadores e de claríssimas falcatruas que revoltam o mais sereno humano. E nós, dizem eles, é que vivemos acima das nossas possibilidades. Fomos nós, os peões, dizem, que construimos a bomba, a mentira, a falência do sistema financeiro e, por isso mesmo, temos de pagar com língua de palmo, através da espoliação dos mais elementares direitos individuais.
Vejo pobres, assisto aos sinais de solidariedade para que a quadra seja menos má, todavia, questiono-me: por quanto tempo o disfarce acontecerá? Até ao final do ano? Talvez. E depois? Quem os acode, quem manterá a subsistência de muitos que se nada tinham, agora pior. Refiro-me aos desempregados sem direito a subsídio, aos casais desesperados, às crianças que matam a fome na escola, aos idosos tratados de forma menos digna, onde o caso Atalaia é, apenas, um episódio, num mundo de solidão, aos jovens estudantes universitários sem dinheiro para propinas e outros encargos. Quem os acode? Não sei e não vejo saída com políticos destes cujo único verbo que sabem conjugar é o "roubar". Não sei, desmanchada a lapinha, a árvore de Natal, consumidas algumas iguarias, depois do fogo de artífício e desligadas as iluminações, no regresso à realidade, como será.
Hoje, é véspera de Natal. E a palavra Natal poderia, hoje, na nossa comunidade de 260.000 pessoas, ser sinónima de felicidade e de esperança. Poderia, se outro caminho tivesse sido percorrido, se quem governa fosse, politicamente, pessoa de bem, pessoa que seguisse a Palavra, a Mensagem, no essencial, quem governa assumisse essa complexa mistura de sentimentos que me invade. O nosso pequeno mundo seria bem melhor. Estou certo.
Apesar de tudo, Feliz Natal para todos quantos por aqui passarem.
Ilustração: Google Imagens.

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