sábado, 19 de janeiro de 2013

O FLAGELO DO DESEMPREGO


Lembro-me da grande debandada no início dos anos 60, por outras substanciais razões, pois é isso mesmo que, neste momento, está a acontecer. Famílias que se separam, jovens que abandonam o sistema educativo para acompanhar os pais, ruptura na estabilidade familiar, sacrifícios e um mundo de incertezas que derivam da saída da terra que lhes foi madrasta. Isto num momento onde não abundam empregos lá fora, onde os próprios portadores de boas qualificações experimentam dificuldades de integração, quanto mais aqueles com gravíssimas limitações no conhecimento e formação profissional. E perante um quadro destes, tudo por aqui parece normal, como se nada estivesse a acontecer, pois as mais de sessenta instituições existentes vão tentando matar a fome, o biscate e a economia paralela vão, de certa forma, resolvendo o resto. Na quinta, o respectivo vigia, continua a picar o ponto todos os dias e todos os dias continua a dizer disparates, empurrando com a barriga os dramas que resultam desta tragédia.


Na sua edição de hoje, o DN-Madeira, através do Jornalista Miguel Fernandes Luís, desenvolve o quadro do desemprego na Região e titula: "Madeira campeã nacional do desemprego em 2012". Os números são absolutamente dramáticos, sobretudo para uma economia limitada. Esta dura realidade tem causas, umas mais evidentes do que outras, mas todas elas apontam para a incapacidade e incompetência política dos sucessivos governos da Região, todos da responsabilidade do PSD. No último ano, a média foi de 13 desempregados por dia, isto é, uma calamidade social. E, infelizmente, o drama não ficará por aqui. Com o rol de constrangimentos que o Orçamento de Estado e o Orçamento da Região impõem para 2013, parece-me absolutamente natural que estas cifras disparem tornando insustentável a vida na Região. Se 2012 foi um ano muito adverso para as empresas, do ano em curso não há que esperar melhor e, portanto, lamentavelmente, podemos estar face a um aumento exponencial do desemprego que poderá aproximar-se do impensável e indesejável número de 30.000 inscritos no desemprego! Um número que só pecará por defeito, uma vez que se desconhece a verdade dos números da emigração. 
Lembro-me da grande debandada no início dos anos 60, por outras substanciais razões, pois é isso mesmo que, neste momento, está a acontecer. Famílias que se separam, jovens que abandonam o sistema educativo para acompanhar os pais, ruptura na estabilidade familiar, sacrifícios e um mundo de incertezas que derivam da saída da terra que lhes foi madrasta. Isto num momento onde não abundam empregos lá fora, onde os próprios portadores de boas qualificações experimentam dificuldades de integração, quanto mais aqueles com gravíssimas limitações no conhecimento e formação profissional. E perante um quadro destes, tudo por aqui parece normal, como se nada estivesse a acontecer, pois as mais de sessenta instituições existentes vão tentando matar a fome, o biscate e a economia paralela vão, de certa forma, resolvendo o resto. Na quinta, o respectivo vigia, continua a picar o ponto todos os dias e todos os dias continua a dizer disparates, empurrando com a barriga os dramas que resultam desta tragédia. 
Se a dupla Passos Coelho/Paulo Portas, presumo, pelo persistente discurso político da mentira e da aldrabice não deve chegar ao Verão, questiono-me, de que estará à espera o povo da Madeira perante tanta mentira perpetrada ao longo de 36 anos? Porquê tanta gente agachada, curvada e em ensurdecedor silêncio? Porquê tanta resignação quando o navio afunda dia-a-dia, quando é eminente o colapso, quando existe tanta porcaria em redor que tem de ser removida, limpa e o futuro redesenhado? 
O que fizeram deste nobre Povo! Um Povo outrora lutador, como sublinha o hino: "Do vale à montanha e do mar à serra, Teu povo humilde, estóico e valente; Entre a rocha dura te lavrou a terra, Para lançar, do pão, a semente: Herói do trabalho na montanha agreste (...)", nem sombra são hoje desse antepassado. Despersonalizaram este Povo, tal como o fazem os domadores de circo aos felinos. Hoje, nem arreguenham os dentes, ficam para aí, de mão estendida, na caridadezinha, carregando a cruz da vida, desculpando os verdadeiros culpados e como se tudo fosse uma fatalidade imposta por outros. O quadro parece-me ser este, mas isso não significa que um dia o felino, por uma qualquer razão, desobedeça à ordem e invista, levando tudo à sua frente. Eu espero que esse dia chegue e que toda a sociedade madeirense tome consciência dos seus direitos e coloque a léguas quem os trouxe até esta dramática situação.
Ilustração: DN-Notícias, com a devida vénia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Fantastiс pοѕt but І wаs ωanting to κnоw
if you cοulԁ write a litte morе оn thiѕ subjеct?
Ӏ'd be very grateful if you could elaborate a little bit further. Thanks!

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