quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O GANGSTERISMO DOS DIRECTÓRIOS POLÍTICOS INTERNACIONAIS


Dizia-me: "sinto-me roubado e estou a entrar numa fase de descontrolo". Facilmente adivinhei o seu desespero no seio da família. E facilmente multipliquei por milhares os casos que por aí andarão, de empresários a trabalhadores, de jovens a idosos, de tantos que têm de partir à aventura. Só este quadro assume contornos de tragédia. É o Estado a apoderar-se de tudo, através de uma engrenagem sofisticada de confisco, hoje com esta medida, amanhã, com aqueloutra. Conhecerão os historiadores situações de reles pirataria, de chegar, apoderar-se, esmagar e ir-se embora. Eu julgo que existe aqui algo de semelhante, mas através de uma actuação altamente sofisticada. O roubo é perpetrado com inteligência, de forma paulatina, sequencial, de mansinho como se fosse só mais isto, até o ponto de, enredados na pobreza e dependentes, quando ainda dispõem, de um magro salário, o povo sentir-se apavorado, cheio de incertezas e, portanto, sedado e incapaz de reagir à criminosa usurpação. É o que se está a passar com o mundo de incertezas e de privações pelas quais estão a passar as famílias.

 
"Janeiro fora cresce uma hora"... talvez, a partir deste aforismo se possa dizer: Janeiro fora crescem horas de angústia. Cruzo-me com pessoas, falo com algumas, acompanho a comunicação social, procuro cruzar a informação nacional e internacional e chego sempre à mesma conclusão, isto é, caminhamos, apressadamente, para a tragédia, para o conflito, sei lá, para a existência de sangue. Lamento, profundamente, que os sinais para aí conduzam. E a paz é tão simples quanto monossílabo é!
Ontem, na baixa funchalense, escutei um desesperado. Pessoa da "antiga" classe média, sem aspirações a rico, que apenas luta para ser minimamente feliz. Dizia-me: "sinto-me roubado e estou a entrar numa fase de descontrolo". Facilmente adivinhei o seu desespero no seio da família. E facilmente multipliquei por milhares os casos que por aí andarão, de empresários a trabalhadores, de jovens a idosos, de tantos que têm de partir à aventura. Só este quadro assume contornos de tragédia. É o Estado a apoderar-se de tudo, através de uma engrenagem sofisticada de confisco, hoje com esta medida, amanhã, com aqueloutra. Conhecerão os historiadores situações de reles pirataria, de chegar, apoderar-se, esmagar e ir-se embora. Eu julgo que existe aqui algo de semelhante, mas através de uma actuação altamente sofisticada. O roubo é perpetrado com inteligência, de forma paulatina, sequencial, de mansinho como se fosse só mais isto, até o ponto de, enredados na pobreza e dependentes, quando ainda dispõem, de um magro salário, o povo sentir-se apavorado, cheio de incertezas e, portanto, sedado e incapaz de reagir à criminosa usurpação. É o que se está a passar com o mundo de incertezas e de privações pelas quais estão a passar as famílias.
No meio desta evidente convulsão social que, diariamente, se agrava, vem o FMI, claro, a pedido do governo português, propor o mais gravoso pacote de medidas que há memória, o qual, pura e simplesmente, se levado à prática, determinará acabar com o nosso estado social, determinará o aumento substancial do desemprego na função pública e determinará acabar com os princípios e os valores nascidos com a Revolução de Abril de 1974 e pelos quais o Povo lutou durante uma longa noite fascista. Dir-se-á que para esses mercenários do FMI é chegada a hora do ajuste de contas com a História. Ora, entre outras, duas leituras me ocorrem a esta proposta: por um lado, o facto do governo português mostrar-se completamente incompetente aos olhos de quem vê o mundo limpo do gangsterismo dos directórios políticos internacionais. Então, são os outros que vão ditar o que precisamos de fazer, em última instância, o deve ser a nossa Pátria?; por outro, a proposta do FMI significa que se trata de uma organização politicamente obscena. Vem Christine Lagarde e sublinha que a austeridade só por si não resolve coisa alguma, mas logo a seguir a receita que apresenta é a de maior austeridade e de empobrecimento de um povo historicamente pobre. Para disfarçar a situação, Durão Barroso passa por aí, certamente, em pré-campanha para qualquer coisa que começa a dominar o seu pensamento, e fala de crescimento económico, situação, disse, que alguns governos não entendem! Referia-se, certamente, ao governo português, numa declaração supostamente independente. Isto é, todos querem mandar neste espaço territorial de quase 900 anos, isto e, parecendo que não estão em concerto, no fundo, seguem a estratégia de confundir toda a gente para impôr a dinâmica que lhes interessa. Maquiavélico? Nem por isso. As lógicas políticas nas quais o mundo está dissolvido conduzem a que assim seja. Que havia e que há situações a corrigir, pois é evidente que sim, mas todos nós não podemos ser vítimas de uma engrenagem financeira internacional, vítimas de uma "economia de casino" vergonhosa e suja levada a cabo por gangsters que nem um tiro precisam de dar para fazer sangue.
A verdade é que anda toda a gente aflita, atónita, espoliada, sem esperança e com o Primeiro-Ministro a pedir que olhem para a luz no fundo do túnel. Penso ser o comboio da emigração e não o comboio da vida política desenhada em cores de esperaça. Raios os partam todos. Olhem para o povo que sofre e olhem para a tragédia que estão a semear, antes que esse copo se encha e apenas uma gota de desespero crie aquilo que ninguém deseja.
Ilustração: Google Imagens.

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