terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O PRIMEIRO DIA DE MUITOS SACRIFÍCIOS


A situação das famílias sendo cada vez mais grave só poderá resultar em tragédia, isto é, em conflito e grande perturbação social. Oxalá esteja eu errado, todavia, sinto que a população portuguesa está confinada a uma grande panela de pressão que explodirá nos meses que se seguem. Esta brutal carga fiscal que hoje tem o seu início, que se junta à crónica magreza dos salários, será dramática quando os trabalhadores, lá para Fevereiro tiverem de pagar as responsabilidades contratualizadas em conjunto com as despesas normais que a vida impõe.


Apenas uma mudança no calendário, porque tudo o resto continuará de trambolhão em trambolhão. Não se trata de um qualquer pessimismo militante, mas de um olhar para a realidade. Não sei quando e onde li, um bem humorado conceito de pessimismo, mas deixo-o aqui: "pessimista, eu? Não, eu sou um optimista, mas com muita experiência". É isso. Olho em redor, aliás como qualquer pessoa, escuto as várias correntes de opinião, cruzo os elementos disponíveis e a conclusão a que chego é que 2013 será um ano de grandes convulsões sociais. Simplesmente porque não há quem aguente esta governação de pessoas distantes da realidade, teimosas que nem burros, que assistem ao resvalar da economia, das finanças e à pobreza que cresce e, impávidos, continuam, obstinadamente, no mesmo rumo. A situação das famílias sendo cada vez mais grave só poderá resultar em tragédia, isto é, em conflito e grande perturbação social. Oxalá esteja eu errado, todavia, sinto que a população portuguesa está confinada a uma grande panela de pressão que explodirá nos meses que se seguem. Esta brutal carga fiscal que hoje tem o seu início, que se junta à crónica magreza dos salários, será dramática quando os trabalhadores, lá para Fevereiro tiverem de pagar as responsabilidades contratualizadas em conjunto com as despesas normais que a vida impõe. Este é, portanto, o primeiro dia de muitos dias de sacrifício. Em nome de quê? Do País, talvez não. Dos grandes interesses de um bando de vigaristas e de especuladores que nos governam em muitos directórios europeus e mundiais, que nem conta deles tomamos consciência, talvez sim. É em nome da dignidade do ser humano, que o povo reclamará na rua a justiça de ser tratado com respeito. Não me restam grandes dúvidas relativamente ao futuro imediato, simplesmente porque tudo tem um limite. E estes senhores já o ultrapassaram. A recuperação do País exige, por um lado, responsabilidade perante os credores, mas os credores, por outro, têm de tomar em conta que não podem impor regras que não estejam de acordo com as possibilidades dos devedores. Renegociação de prazos e juros constituem tarefas imediatas se a cegueira não continuar a tomar conta desta coligação servil perante tal engrenagem internacional.
De qualquer forma, desejo a todos um ano com muita Saúde.
Ilustração: Google Imagens.

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