domingo, 27 de janeiro de 2013

UM GOVERNO CADUCO E DE CANADIANAS...


Obviamente que a crise que atravessa o mundo passaria também por aqui, só que teríamos, com toda a certeza, defesas que não temos. Escolarizaram e não educaram, não esboçaram qualquer preocupação ao nível da mentalidade, castraram o pensamento com discursos da treta, instalaram o medo, criaram a ideia da facilidade, jogaram dinheiro em cima dos problemas, agravando-os, fugiram da coesão social por motivos eleitoralistas, não souberam ser senhores na negociação, antes preferiram apedrejar e agora, Dr. Sidónio Fernandes, estamos, como referiu, numa "situação dramática" (...) pois "o desemprego na Região atingiu níveis que nós não imaginaríamos há uns anos". Parafraseando o outro, "imaginaríamos, imaginaríamos"! Só podia dar nisto, quando, durante anos, a política do despesismo, da inversão de prioridades, de encargos assumidos e não pagos, de levar, em alguns casos, quase três anos para pagar bens e serviços prestados pelas empresas, conduzindo-as à insolvência, de criar autênticos monstros deficitários ao contrário de investimentos reprodutivos, levava a crer que "imaginaríamos, imaginaríamos" a caminhada para o colapso.

Li a entrevista do Dr. Sidónio Fernandes, presidente do Instituto de Emprego da Região Autónoma da Madeira. Disse-se "angustiado" pela situação de quase 24.000 desempregados. Não duvido, minimamente, a avaliar por tantos que, na oposição, ao longo de todos estes anos, foram a voz dos que não têm voz, chamando a atenção para as causas desse drama que, sabia-se, próxima do estoiro. A questão, portanto, para mim, não está apenas no dramatismo de quem precisa do pão e não o tem, ou vive nas margens da pobreza e da mão estendida, a questão sendo política está nas causas que conduziram ao desastre. O entrevistado disse e bem: "(...) A nossa preocupação é sobretudo que o tipo de desemprego que temos é maioritariamente de pessoas que têm baixas qualificações (...) Cerca de 55% dos nossos desempregados são pessoas que têm um nível de qualificação até ao ciclo preparatório (6.º ano de escolaridade)". Pois, eu diria que é o governo a chorar sobre o leite derramado. O slogan "prà frente, sempre" deu nisto, simplesmente porque a Escola não funcionou, as políticas de família não funcionaram e a economia assentou no pressuposto de uma Região infinita no seu espaço geográfico e que os recursos vindos de fora seriam inesgotáveis. Quando, trinta e seis anos depois de Abril, a Madeira regista 85.000 pessoas com um grau de escolaridade que não vai além do 2º ciclo, obviamente, que está criado um gravíssimo desajustamento entre a formação, a qualificação profissional face às necessidades deste mundo novo.  E isto acontece porque este velho e gasto governo foi formado, também, por políticos de baixíssimas qualificações no sentido visionário, isto é, nunca tiveram uma postura de estadistas. Interessou-lhes ganhar as eleições seguintes, nunca ganhar as gerações seguintes. Edificaram a Região sobre as areias movediças do desconhecimento, não partiram para a construção de uma economia sustentável que impunha uma nova visão do ser humano e, por conseguinte, uma outra estratégia na prioridade que teria de ser dada à Educação no sentido genérico do termo.
Obviamente que a crise que atravessa o mundo passaria também por aqui, só que teríamos, com toda a certeza, defesas que não temos. Escolarizaram e não educaram, não esboçaram qualquer preocupação ao nível da mentalidade, castraram o pensamento com discursos da treta, instalaram o medo, criaram a ideia da facilidade, jogaram dinheiro em cima dos problemas, agravando-os, fugiram da coesão social por motivos eleitoralistas, não souberam ser senhores na negociação, antes preferiram apedrejar e agora, Dr. Sidónio Fernandes, estamos, como referiu, numa "situação dramática" (...) pois "o desemprego na Região atingiu níveis que nós não imaginaríamos há uns anos". Parafraseando o outro, "imaginaríamos, imaginaríamos"! Só podia dar nisto, quando, durante anos, a política do despesismo, da inversão de prioridades, de encargos assumidos e não pagos, de levar, em alguns casos, quase três anos para pagar bens e serviços prestados pelas empresas, conduzindo-as à insolvência, de criar autênticos monstros deficitários ao contrário de investimentos reprodutivos, levava a crer que "imaginaríamos, imaginaríamos" a caminhada para o colapso. 
Registo uma frase interessante da entrevista publicada no DN-Madeira: "A maior parte das pessoas não quer viver do subsídio de desemprego e não se sente bem em estar numa situação de inactividade". Esta frase corresponde ao pensamento que tenho sobre esta matéria. Porque elas sentem que o trabalho é fonte de dignificação, de ocupação libertadora e que o desemprego é quase sinónimo de incapacidade. Ora, a incapacidade foi-lhes imposta, não foi criada pelo desempregado, porque no tempo próprio a sociedade em geral e a Escola em particular, não soube disponibilizar as ferramentas necessárias através de uma Educação inclusiva. A Escola, porque a Região nunca quis ser Autónoma, tem funcionado como uma peneira de rede muita fina onde só passam os nascidos em certos berços.  A maioria tem ficado pelas margens, pela exclusão e, portanto, acabam por ser mais vítimas que culpadas. Mas esta é uma história que nos levaria muito longe, sobre a escola que temos e a escola que não souberam criar; sobre a sociedade dependente que temos e a sociedade disponível para a conquista do mundo. Por isso, Dr. Sidónio Fernandes, a sua "angústia" é a angústia política de muitos que se opõem a este governo, por não verem esta gente partir dando lugar a tantos desta terra, no activo, com capacidade para a necessária e imprescindível mudança, geradora de novos caminhos capazes de atenuarem o sofrimento criado por este governo de 36 anos, caduco e de canadianas.
Ilustração: Google Imagens.

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