segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

COITADO, RELVAS NÃO CONSEGUE DORMIR BEM!


"O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão".


Não tenho e poucos certamente terão algum respeito político pelo Ministro Miguel Relvas. Desde a forma como chegou a "Licenciado" (para mim trata-se do senhor Miguel Relvas) até à sua prática política, sinceramente, não gosto. Relativamente à sua licenciatura, preocupa-me o facto de uma universidade garanta um diploma sem o "aluno" sentar o rabinho na sala de aula a ouvir os docentes, isto é, garanta um título académico baseado em quatro exames(!) e 32 equivalências, por créditos atribuídos ao seu currículo profissional. "A avaliação das "competências adquiridas ao longo da vida" teve em conta os nove cargos que o ministro ocupou seja como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002 ou como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD entre 1987 e 2001. Até contou a avaliação do "exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural", pelo que o antigo "aluno" da Lusófona adquiriu equivalências a mais 15 disciplinas". É obra! No final disto, onze de média! Como chegaram a este valor, que ponderações e que critérios foram utilizados? Simplesmente, aberrante. Escrevi a 05.07.2012 um texto sobre esta matéria e aí não quero regressar. E se dele volto a falar é apenas pelas suas declarações no decorrer do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em Lisboa, quando questionado sobre os elevados valores do desemprego entre os jovens, que ronda já os 40%: "O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse, nessa altura, o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". 
Miguel Relvas dá-me a ideia de um vendedor de banha da cobra com dois discursos distintos: um para o povo e outro que guia os seus interesses. Espertalhão, conseguiu um diploma que deveria ser devolvido, se Bolonha fosse outra coisa e não aquilo que é; chega a ministro e sugere aos jovens o caminho da emigração; agora, com 40% de jovens no desemprego ou à procura de um primeiro emprego, diz-se com noites mal passadas devido a tão grave preocupação. Mas é este ministro, assobiado em todo o sítio onde aparece, que tem os cordelinhos da governação do País. É este homem, que deseja a privatização de todos os sectores estratégicos do País, que não se lhe vê uma única ideia no sentido de tornar próspera a vida dos portugueses. Por mim, certamente, em nome de milhares de jovens, vá embora, emigre, porque se a vida de emigrante é boa, talvez seja uma forma de começar a dormir bem!
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Essa bizarra figura política está de pedra e cal no Governo, não pelos seus méritos, que os não tem, mas porque alguém o quer lá. Ou seja, é um pau mandatado para fazer um servicinho ao patrão. E como ele há muitos e das mais variadas cores políticas.
O problema só se resolve, caso ainda haja alguma hipótese, identificando os mandantes.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
O problema é exactamente esse, a capacidade de entrar na teia dos interesses para perceber tudo o que estas aranhas escondem. Coisa boa não é, pelo que estamos a assistir.
Um abraço.