quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DE POVO SUPERIOR A CACHORRO


A verdade é que não somos superiores em nada, mas também ninguém venha dizer que somos pata-rapadas e que ladramos! Somos um povo com uma enorme dignidade, com orgulho num passado construído com as suas mãos, gente humilde que foi espezinhada por novos colonos que se apoderaram do poder e que geraram uma mentalidade que obrigou a que durante estes trinta anos, paulatinamente, tivesse recebido transfusões, qual metáfora, de uma espécie de sangue escravo. Só que esse povo sedado e mergulhado numa longa noite, parece estar a acordar para a realidade, ou para a verdade de todos estes anos, e de olhos mais atentos, começa a dizer basta, pois nem somos o que ele de facto pensa, nem superiores queremos ser. Apenas desejamos a dignidade, o trabalho e a felicidade. A designação de "povo superior" foi, portanto, uma balela. Talvez mais certa esteja, porque compaginada com a sua verdadeira política, a tal designação que se aproxima da cachorrada mal agradecida! Tudo para lamentar, mas para fazer parte da História de um povo que teve a infelicidade de ser governada por um político e um grupo de gente que não serviu os interesses dos madeirenses e porto-santenses.


O povo começa a romper a teia
O título tem autor. Ouvi esta chamada de atenção através de um debate na RTP-Madeira onde participou o Deputado do PS-M, Dr. Carlos Pereira. Muitas vezes, na velocidade do tempo, dos acontecimentos e da notícia que existe no instante, arrumamos alguns assuntos em uma prateleira muito distante do que nos consome no presente, e necessário se torna que alguém vá a esse passado e tenha a capacidade de produzir a síntese inteligente que diz muito. Ora, o mesmo político que caracterizou a nossa gente de "povo superior" é o mesmo que, há dias, teve um desabafo abaixo de cão. Nesse dia, o tal "povo superior", segundo o presidente do governo, face a uma manifestação de desagrado, estaria a ladrar. Declaração que nada tem de esquisito. Aliás, essas caracterizações, de superior ou de cachorro, pouco me dizem. Se, na altura que considerou este ser um povo superior, foi hilariante, agora, atestando-o de canino domestico, eu diria que esta variação extrema do humor tem uma caracterização que me escuso definir. 
O que me preocupa é que este tipo de actuação faz parte da acção política no quadro do relacionamento psicológico com os eleitores e não só. Se, num primeiro momento, quando o dinheiro abundava e a construção civil não parava, politicamente, o seu mentor entendeu ser necessário oferecer um reforço positivo de ordem psicológica, convencendo-os que o mundo terminava ali, na Ponta de S. Lourenço, que outros não existiam com as qualidades dos madeirenses, por aí subordinando-os à sua vontade e a um engenhoso crescimento que parecia não acabar, num segundo momento, atirou-se às pessoas querendo, certamente, dizer-lhes: aqui mando eu e vocês não passam de uns pata-rapadas. Foi a afirmação do quero, posso e mando e de um poder absoluto sobre as suas vidas. 
A verdade é que não somos superiores em nada, mas também ninguém venha dizer que somos pata-rapadas e que ladramos! Somos um povo com uma enorme dignidade, com orgulho num passado construído com as suas mãos, gente humilde que foi espezinhada por novos colonos que se apoderaram do poder e que geraram uma mentalidade que obrigou a que durante estes trinta anos, paulatinamente, tivesse recebido transfusões, qual metáfora, de uma espécie de sangue escravo. Só que esse povo sedado e mergulhado numa longa noite, parece estar a acordar para a realidade, ou para a verdade de todos estes anos, e de olhos mais atentos, começa a dizer basta, pois nem somos o que ele de facto pensa, nem superiores queremos ser. Apenas desejamos a dignidade, o trabalho e a felicidade.
A designação de "povo superior" foi, portanto, uma balela. Talvez mais certa esteja, porque compaginada com a sua verdadeira política, a tal designação que se aproxima da cachorrada mal agradecida! Tudo para lamentar, mas para fazer parte da História de um povo que teve a infelicidade de ser governada por um político e um grupo de gente que não serviu os interesses dos madeirenses e porto-santenses.
Ilustração: Google Imagens.

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