terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

IMUNIDADE


Esconder-se e dar respostas que sugerem a culpabilização de outros, atirar-se ao povo designando-o de "cachorro", considerar que se trata de "calúnias" e de "'garotices" constituem atitudes politicamente indignas, que deixam um rasto de descredibilização no exercício da política.

Todos responsáveis... menos ele!
Os julgamentos na praça pública, quantas vezes sem o exacto conhecimento de todos os contornos de uma dada investigação, são perversos, destruidores e muito difíceis de reversão da imagem e do bom nome de quem aí se vê envolvido. Mas também é inaceitável que um político, detentor de um cargo, se refugie na imunidade para não explicar o que a Justiça entende como matéria de investigação. Não conheço as páginas do processo "Cuba Livre" (não gosto desta designação), escrevo, portanto, em abstracto. No rol dos envolvidos podem estar o presidente do governo regional, secretários, deputados ou outros, certo é que não estão acima da Lei. Ora, quando, no caso em apreço, o presidente do governo contrapõe que não é "técnico de contas do governo", numa atitude de clara desresponsabilização na matéria motivo de investigação, enquanto cidadão, olho para tal declaração e apenas me sobressai a leitura de um político que receia qualquer coisa. Aliás, pareceu-me apavorado por ter de descer do pedestal com trinta e tantos degraus e sentar-se frente a um investigador, certamente, com uma longa lista de pertinentes questões. Um político que não teme "pelas acções e omissões" da governação, não espera que o chamem para depor, antes, aos olhos do povo, afirma a total disponibilidade para explicar a matéria sob suspeita. Inclusive, em sua própria defesa. Esconder-se e dar respostas que sugerem a culpabilização de outros, atirar-se ao povo designando-o de "cachorro", considerar que se trata de "calúnias" e de "'garotices" constituem atitudes politicamente indignas, que deixam um rasto de descredibilização no exercício da política. Ademais, é esta mesma figura que, relativamente aos adversários políticos, lhes move processos a torto e a direito, deles exigindo indemnizações por alegados actos difamatórios. 
Os cidadãos têm o direito de conhecer a verdade, até porque "os titulares de cargos políticos respondem política, civil e criminalmente pelas acções e omissões que pratiquem (…)". Portanto, toca a disponibilizar-se para a investigação, porque o povo quer saber a verdade. A bem ou a mal terá de o fazer.
Nota: Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

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