segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O POVO TERÁ MUITA DIFICULDADE EM ACEITAR A POSIÇÃO DO PCP


Há situações que exigem abdicação de leituras marginais e apelam à concentração no essencial; há momentos que temos de perder um pouco para que todos ganhem muito; há momentos para convergir e momentos para divergir. Tudo isto sem perder a identidade partidária, os princípios e valores de base, mesmo quando se trata de uma alargada coligação de partidos com identidades muito diferenciadas. No caso da Madeira, a caminho de quarenta anos de uma ditadurazinha travestida de democracia, perante um quadro sociológico e de monumentais interesses pessoais e partidários muito difíceis de penetrar, mais se justifica perante uma situação de excepção que se crie um entendimento de excepção. Respeito a posição dos dirigentes do PCP-M, mas não concordo com este afastamento, mesmo que mil e uma justificações possam ser encontradas. Embora as circunstâncias sejam diferentes, o PCP sabe que, em Lisboa, Jorge Sampaio coligou-se com todos e venceu a Câmara. Até os monárquicos fizeram parte da coligação para acabar com a hegemonia de Nuno Abecassis. Portanto, o que para mim está em causa é acabar com esta hegemonia do PSD que dura há tempo demais.


Necessário conjugar esforços,
nesta hora dramática para os madeirenses.
Não conheço os pressupostos da negociação interpartidária, no sentido de garantir uma alargada coligação para ganhar o Funchal e garantir um conjunto de outras preocupações políticas. Sei que o CDS/PP se colocou à margem (ainda bem), mas fiquei, uma vez mais, surpreendido com a atitude do PCP. Quando sublinho, "ainda bem", relativamente ao CDS/PP, é porque desconfio que alimentam uma secreta intenção de aliança pós-eleitoral com o PSD, o que significaria mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma. Adiante.
Eu que tenho um enorme respeito pelo trabalho político do PCP e, nesse aspecto, porque nutro pelos Amigos Edgar Silva e Leonel Nunes, entre outras figuras com quem me relaciono (estou a pensar no Dr. Rui Nepomuceno),  uma consideração pelo labor, dedicação e defesa de causas, cheguei a considerar que, desta vez,  o posicionamento do partido seria inequívoco na sua adesão ao projecto. Acompanhei esses meus Amigos na Assembleia Legislativa e, tenho presente, as lutas, baseadas em consistentes argumentos, estudos e sobretudo a alma colocada na defesa do povo. Em linguagem mais popular, são pessoas que "não brincam em serviço". É gente de princípios e de valores e que vai por aí fora, custe o que custar, faça chuva ou sol, aos sítios onde há gente sem voz e sofredora. Posto isto, sendo isso o que exactamente formulo na minha leitura de processo, lamento que o PCP ou a coligação CDU não esteja associada à prevista conjugação de esforços. Há situações que exigem abdicação de leituras marginais e apelam à concentração no essencial; há momentos que temos de perder um pouco para que todos ganhem muito; há momentos para convergir e momentos para divergir. Tudo isto sem perder a identidade partidária, os princípios e valores de base, mesmo quando se trata de uma alargada coligação de partidos com identidades muito diferenciadas. No caso da Madeira, a caminho de quarenta anos de uma ditadurazinha travestida de democracia, perante um quadro sociológico e de monumentais interesses pessoais e partidários muito difíceis de penetrar, mais se justifica perante uma situação de excepção que se crie um entendimento de excepção. 
Respeito a posição dos dirigentes do PCP-M, mas não concordo com este afastamento, mesmo que mil e uma justificações possam ser encontradas. Embora as circunstâncias sejam diferentes, o PCP sabe que, em Lisboa, Jorge Sampaio se coligou com todos e venceu a Câmara. Até os monárquicos fizeram parte da coligação para acabar com a hegemonia de Nuno Abecassis. Portanto, o que para mim está em causa é acabar com esta hegemonia do PSD que dura há tempo demais. E daí que considere que o programa e as pessoas que lhes darão corpo seja mais importante que qualquer outra clivagem ou leitura partidária. 
Estou convencido que a coligação ganhará o Funchal e se tal acontecer o PCP não ganhará nada em ser oposição. As convicções políticas concretizam-se sendo poder, mesmo que esse poder não seja absoluto. Mas também pode acontecer uma nova vitória do PSD, mesmo à tabela e, nessas circunstâncias, o PCP, salvo outra opinião, carregará o fardo de ter oferecido de bandeja o poder ao adversário que sempre combateu. Estas são meras leituras porque não disponho de estudos de opinião, tampouco disponho de uma "bola de cristal" para prever a correlação de forças lá para Outubro. Entretanto, podem acontecer eleições legislativas nacionais, sabe-se lá, cujos indicadores serão determinantes. Preferia, por isso, que todos partissem para uma coligação abrangente, com pessoas de reconhecida competência técnica, qualidade política e reconhecimento social. E isso é possível. Mas, enfim, oxalá os funchalenses não percam uma oportunidade de ouro quando o PSD, interna e externamente, evidencia sinais de desagregação.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

António Trancoso disse...

Caro André Escórcio
Permita-me que subscreva,na íntegra,tudo o que aqui escreve. Vou,até,mais longe;a recusa,que suponho,nem admitiu uma singela abordagem ao modus faciendi da coligação,configura, do ponto de vista cidadão,um inequívoco,e lamentável,acto de traição aos anseios de um povo martirizado. Só o mais sectário espírito dogmático - fundamentalista, justifica a obscenidade do interesse de capela. Capela,que,com tais construtores,jamais chegará a Igreja,e,muito menos,a Catedral.Assim,definitivamente,NÃO!

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Espero que o bom senso prevaleça e que a conjugação de esforços seja possível.

António Trancoso disse...

Caro e Bom Amigo
Acabo de tomar conhecimento, através de um comentário,no FB,da autoria do Dr. Rui Nepomuceno,que o PCP não teria recebido um convite do PS para negociar a participação na convergência das Forças de Esquerda. Se assim for (e creio na seriedade da fonte) sou forçado a retratar-me das considerações recriminatórias que produzi. Desse facto, apresento as minhas desculpas ao PCP.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Não sei se existiu convite formal, isto é, através de documento oficial.
Sei, por informações credíveis, que houve contactos, naturalmente pessoais, que o assunto ficou de ser estudado pela estrutura política do PCP e que, mais tarde, a comunicação social reproduziu aquela que terá sido a posição do partido.
Mas tratarei de saber pormenores, porque também não quero incorrer em observações que não correspondam à verdade. Tenho, como sublinhei, a maior consideração pelas pessoas do PCP.