sexta-feira, 22 de março de 2013

CATÁSTROFE SOCIAL: 25.000 DESEMPREGADOS


Ele, o responsável pelos Recursos Humanos, nem uma palavra sobre a catástrofe social de 25.000 desempregados. E do Conselho do Governo, ontem reunido, face aos assustadores números do desemprego, resultou, apenas, a aprovação do relatório anual sobre a participação da Região Autónoma da Madeira no processo de construção europeia durante o ano de 2012. Esta é a imagem de uma Região com um governo que se marimba nas questões importantes, que não comenta, não esboça sequer uma preocupação, talvez porque não tenha qualquer solução para atenuar o drama. Vinte e quatro mil, novecentos e setenta e seis desempregados significa que, no mês de Fevereiro, em média, 17 pessoas por dia perderam o emprego. Hoje, certamente, o número de 25.000 já foi ultrapassado! E nem uma palavra. Nada de substancial têm a dizer.



Antes, aparecia o ex-governante Brazão de Castro a martelar números, gaguejando, inventava mil e uma coisas para dizer que aquilo não era bem assim, enfim, tentava mascarar a realidade como podia. Agora, o actual detentor da pasta dos Recursos Humanos, nem pia! Ontem, no dia que se soube de mais um passo em direcção à catástrofe social, o secretário, Jaime Freitas, de fatinho vestido, todo aprumadinho, no Dia Mundial da Árvore, pegou na enxada e ajudou a plantar aquela que será uma árvore. 
Melhor teria sido que apresentasse um programa de combate ao terrível flagelo do desemprego. Mas não, estava na agenda e lá foi, certamente em substituição do secretário do Ambiente e dos Recursos Naturais, que anda por Jersey e que ontem dizia, pasme-se, que  os enfermeiros madeirenses tinham ali uma porta aberta. Falou da "exportação" de mão de obra qualificada, quando deveria estar preocupado com a exportação de uma das principais produções da Madeira, a banana, que ainda ontem num hipermercado do "Continente" apresentava os seguintes preços: a da Madeira, € 2,49 ao kg. e a da Colômbia, € 0,99 ao kg. Isto é, com tantos problemas por resolver e que estão muito para além do paleio e das promessas diárias "aos senhores agricultores", o secretário regional dos Recursos Naturais, Manuel António Correia falou da "exportação" de pessoas e pouco adiantou sobre questões que de facto afectam os agricultores madeirenses. Bom, mas esta é uma história que veio a talho de foice. 
Regresso ao desemprego para dizer que a árvore que o secretário da Educação precisa de plantar, urgentemente, nesta terra escalvada de um sistema educativo de sucesso, é aquela que pode trazer esperança aos milhares que alunos dos estabelecimentos de educação e ensino. E a verdade é que se passou quase um ano e meio desde que tomou posse e não me lembro de uma, repito, uma única medida susceptível de criar uma ruptura com o passado gerador de um sistema portador de futuro. O que fica deste mandato, pelo menos até agora, é o afastamento de professores, o drama dos conselhos executivos a braços com imensos problemas gestionários e administrativos, escolas com dívidas acumuladas, onde se incluem alguns milhões aos docentes, um sistema de avaliação do desempenho docente que é uma lástima burocrática e sem sentido, iníquas avaliações no ensino básico, sobretudo no 1º ciclo, associativismo em falência e, sobretudo, uma ausência conceptual sobre o que, de facto, deseja para o futuro. Ninguém conhece o seu pensamento político e, portanto, aquela árvore ontem plantada pelo secretário da Educação e dos Recursos Humanos não é mais do que um simbólico acto de tapar a floresta do desencanto. Como não sabe para onde vai, qualquer caminho lhe serve.
Ele, o responsável pela Educação, mas também pelos Recursos Humanos, nem uma palavra sobre a catástrofe social de 25.000 desempregados. E do Conselho do Governo, ontem reunido, face aos assustadores números do desemprego, resultou, apenas, a aprovação do relatório anual sobre a participação da Região Autónoma da Madeira no processo de construção europeia durante o ano de 2012. Esta é a imagem de uma Região com um governo que se marimba nas questões importantes, que não comenta, não esboça sequer uma preocupação, talvez porque não tenha qualquer solução para atenuar o drama. Vinte e quatro mil, novecentos e setenta e seis desempregados significa que, no mês de Fevereiro, em média, 17 pessoas por dia perderam o emprego. Hoje, certamente, o número de 25.000 já foi ultrapassado! E nem uma palavra. Nada de substancial têm a dizer. Aguentem-se, pensarão estes governantes.
Ilustração: Google Imagens e Victor Hugo (DN-Madeira)

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