quinta-feira, 21 de março de 2013

CHORE, CHORE... A "INJUSTIÇA"!


Não tem razão alguma em dizer que usurparam as "competências aos órgãos das regiões autónomas". Os senhores é que entregaram essas competências e agora choram esta terra ser "equiparada a uma simples autarquia". Eu não choro, eu lamento, eu vos abjuro, eu desejo-vos bem longe da coisa pública, para que a Madeira recupere a imagem degradada e a dignidade que perdeu. Os culpados têm rosto e o senhor é um desses rostos políticos. O governo a que pertence não é confiável aos olhos da população da Madeira, muito menos aos olhos dos governantes da República. E prova-se o que acabo de sublinhar: lutaram contra o governo do partido socialista, e estavam no seu direito no quadro do exercício de oposição, assumindo que com um governo PSD tudo seria diferente. Provou-se que não. Agora, a Madeira está pior do que estava, pois ninguém liga ao governo da Madeira. Até o Centro Internacional de Negócios (a reclamada tábua de salvação), cujo ex-secretário de Estado, Dr. Sérgio Vasques, foi acusado de ter feito um intencional "veto de gaveta" (expressão sua), mas que o actual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Dr. Paulo Núncio (CDS/PP), oferece a imagem que o assunto está morto e com funeral marcado. E aqui pergunta-se: de quem foi a responsabilidade de todo o processo? Chore, senhor secretário, chore que isso só lhe faz bem. Alivia, por horas, a sua consciência, mas não a do povo da Região. Esse chora de verdade, com as lágrimas do desemprego e da pobreza a que o senhor e os seus amigos de governo condenaram.

O gesto diz tudo:
uma política que vale "zero"

Chora o Secretário do Plano e Finanças, Dr. Ventura Garcês: a lei é "injusta, centralizadora e punitiva"; estão em causa "reduções significativas de transferências do Estado para esta região autónoma"; "subscrevemos o rigor e o controlo orçamental. O que não queremos aceitar de maneira nenhuma é que sejam impostas condições mais gravosas do que as impostas ao Estado. Uma região autónoma não pode ser equiparada a uma simples autarquia"; "as competências que são dadas à comissão de acompanhamento de políticas financeiras usurpam competências aos órgãos das regiões autónomas". Chore, senhor secretário, chore que isso só lhe faz bem. Alivia, por horas, a sua consciência, mas não a do povo da Região. Esse chora de verdade, com as lágrimas do desemprego e da pobreza a que o senhor e os seus amigos de governo condenaram. 
Então a lei das Finanças Regionais é "injusta, centralizadora e punitiva"! Pois é. E quem fez com que aqui chegássemos? Quem é que escondeu centenas ou milhares de facturas que conduziu a um buraco financeiro sem precedentes na História recente da Região? E quem é que mentiu aos deputados sobre a verdade das contas da Madeira e, há poucos dias, veio com a treta, repito, treta, que tal ficou a se dever a dois sistemas informáticos incompatíveis? (entre secretaria das Finanças e a secretaria do Equipamento Social). Quem é que, por essa via, a da mentira das contas, entregou a Autonomia da Região? E quem não forneceu todos os documentos necessários a uma correcta avaliação da situação financeira, aos deputados da Assembleia, aquando da Comissão de Inquérito? E quem, no tempo das vacas gordas, ainda por cima, ao invés de negociar com firmeza, mas com elegância, ofendeu com palavras e atitudes os governos da República? E quem é que fez da "obra" megalómana, descontextualizada da realidade e inoportuna, um meio para perpetuar o poder? E quem, lá mais para trás, disse que um bom político governa sem dinheiro? Lembra-se(?)... senhor "secretário do estado" a que isto chegou? Faça um esforço, antes de atirar areia para os olhos dos madeirenses e portosantenses. Tem hoje, na RTP-Madeira, uma oportunidade política de falar a verdade.
É, por isso, que não tem razão alguma em dizer que usurparam as "competências aos órgãos das regiões autónomas". Os senhores é que entregaram essas competências e agora choram esta terra ser "equiparada a uma simples autarquia". Eu não choro, eu lamento, eu vos abjuro, eu desejo-vos bem longe da coisa pública, para que a Madeira recupere a imagem degradada e a dignidade que perdeu. Os culpados têm rosto e o senhor é um desses rostos políticos. O governo a que pertence não é confiável aos olhos da população da Madeira, muito menos aos olhos dos governantes da República. E repare, contra os quais nutro, também, o desejo de não os ver por perto. Todavia, prova-se o que acabo de sublinhar, pois os senhores lutaram contra o governo do partido socialista, e estavam no seu direito no quadro do exercício de oposição, assumindo que com um governo PSD tudo seria diferente. Provou-se o contrário. Agora, a Madeira está pior do que estava e ninguém liga ao governo da Madeira. Para a República este governo de que faz parte não é mais do que gestor da massa falida! Até o Centro Internacional de Negócios (a reclamada tábua de salvação), cujo ex-secretário de Estado, Dr. Sérgio Vasques, do anterior governo, foi acusado de ter feito um intencional "veto de gaveta" (expressão sua), mas que o actual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Dr. Paulo Núncio (CDS/PP), oferece a imagem que o dossier está morto e com funeral marcado. E aqui pergunta-se: de quem foi a responsabilidade de todo o processo? Quem inquinou as negociações com a UE quando permitiu que fosse apresentado a Bruxelas, pela mão da SDM, uma proposta que aligeirava o critério da criação de emprego, conduzindo mesmo à sua eventual destruição? Uma solução em contraponto às necessidades de criação de emprego na RAM, processo totalmente incompreensível no panorama das exigências da UE? Diga lá quem foi? Quem é que chegou ao ponto de apresentar um Projecto de Resolução na Assembleia da República, confirmando que para o Governo Regional do PSD os critérios de criação de emprego na praça madeirense não eram relevantes? Isto é, tiveram a insensatez de apresentar uma proposta de "destruição de emprego contra mais benefícios fiscais"? Diga lá a quem se deve a falta de transparência que nem o actual governo da República mostra interesse em pegar?
Senhor Secretário, chore, chore e inunde de lágrimas o umbigo do governo a que pertence. Mas, apesar disso, não me comove nem à maioria da população. Arranje outro discurso porque esse já não pega.
Ilustração: Google Imagens.

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