domingo, 24 de março de 2013

HIPOTECA QUE VAI SAIR DO NOSSO BOLSO?


A notícia que o governo autorizou o Marítimo a hipotecar o estádio para que a banca possa financiar a finalização da obra, só pode ser lida, em parte, como uma boa notícia. Pelo menos do meu ponto de vista. Se, por um lado, a zona envolvente ficará mais agradável aos olhos de quem ali passa, visita ou assiste a um jogo, por outro, é quase certo que, mais cedo que tarde, as dificuldades de libertação da hipoteca muito dificilmente não passarão para a responsabilidade pública. Uma das hipóteses é a do incumprimento. Com a saída do governo da SAD, com os crescentes encargos de gestão do futebol profissional (e não só), com as evidentes dificuldades financeiras, por muitos anos, do governo da Região, a questão que coloco é a de saber se o Marítimo, sem os substanciais apoios públicos, terá possibilidade de responder aos encargos de um financiamento bancário que terá de ser pago. Duvido. O Marítimo e qualquer outro não gera receitas capazes de suportar as suas despesas correntes com outras resultantes de investimentos como é o caso. 


É evidente que me custa passar na zona dos Barreiros e ver aquela obra inacabada. Olhar para aquele monstro de cimento, para aquele estádio e pensar em tudo o que ele esconde é, de facto constrangedor. Naquela que é uma zona nobre da cidade, não é bonito, não é agradável olhar para agressividade do cimento de uma "obra" por terminar. Se me perguntarem qual a solução, não sei. Não estou, minimamente, por dentro do dossier "Estádio dos Barreiros", salvo alguns textos avulsos vindos a público. De uma coisa sei, pelo menos essa é a minha opinião, é que poderiam tê-lo melhorado sem a necessidade de o transformar à custa de muitos e muitos milhões desproporcionais às possibilidades de uma Região pobre e dependente. A Madeira, certamente, que precisava de um estádio com dignidade, nunca de tantos para a prática do futebol, mesmo quando se fala de competições nacionais e internacionais. A Região tem, segundo julgo saber, 37 espaços para a prática do futebol, o que significa um espaço por cada 7000 habitantes, aproximadamente. Mas essa é uma outra história que tem a ver com uma palavra que o governo da Madeira não considera: planeamento.  
A notícia que o governo autorizou o Marítimo a hipotecar o estádio para que a banca possa financiar a finalização da obra, só pode ser lida, em parte, como uma boa notícia. Pelo menos do meu ponto de vista. Se, por um lado, a zona envolvente ficará mais agradável aos olhos de quem ali passa, visita ou assiste a um jogo, por outro, é quase certo que, mais cedo que tarde, as dificuldades de libertação da hipoteca muito dificilmente não passarão para a responsabilidade pública. Uma das hipóteses é a do incumprimento. Com a saída do governo da SAD, com os crescentes encargos de gestão do futebol profissional (e não só), com as evidentes dificuldades financeiras, por muitos anos, do governo da Região, a questão que coloco é a de saber se o Marítimo, sem os substanciais apoios públicos, terá possibilidade de responder aos encargos de um financiamento bancário que terá de ser pago. Duvido. O Marítimo e qualquer outro não gera receitas capazes de suportar as suas despesas correntes com outras resultantes de investimentos como é o caso. 
Seja como for e sublinhando que este texto não tem em conta outras variáveis, uma das hipóteses desta hipoteca é que o governo ao possibilitar o Marítimo em oferecer como garantia bancária o estádio, manifesta, simultaneamente, em acto de desespero político, o desejo de garantir, temporariamente, alguns postos de trabalho, todavia, não deixa de constituir uma hipótese que esses encargos venham a ser suportados, no futuro, pelo erário público. E no quadro de tantas dificuldades, com uma dupla austeridade às costas, com empresas a soçobrar, com tanta pobreza em crescimento, e não sendo o desporto profissional uma prioridade, como é que a população entenderá este esforço. O futuro o dirá. Certo é que tudo isto é consequência de uma péssima política desportiva.
Ilustração: Google Imagens.  

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Claro que vamos ser nós a pagar, porque o clube não gera lucros e, em regra, só gera prejuízos, habituado que está a viver acima das posses.
Por outro lado, não estou bem a ver qual será o valor de um estádio para a banca, uma vez que não se trata de um bem facilmente comerciável. A não ser que seja demolido para o terreno ser vendido a uma construtora. Mas estas estão em crise profunda e só comprarão se o dito terreno estiver a preços de saldo.
Resumindo, aqui há gato...

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Há gato e com o rabo de fora.
Numa democracia este, tal como outros assuntos, deveriam ser totalmente explicados. E não são, pelo que corremos o risco de mais cedo que tarde, voltarmos a ter de pagar a factura.