sábado, 9 de março de 2013

MARINA DO LUGAR DE BAIXO. NEM MAIS UM CÊNTIMO.


Esse dinheiro não cai da árvore das patacas, alegadamente, plantada na Quinta Vigia ou no edifício da antiga Junta Geral. Ele provém dos impostos dos madeirenses e porto-santenses que apertam, por um lado, para o governo atirá-lo ao mar, por outro. São já muitos e muitos milhões que tanta falta fazem em sectores e áreas de prioridade absoluta. Cada euro ali gasto é quase uma refeição que se nega a um pobre. Das sucessivas imagens que vão sendo publicadas fica-me a convicção que melhor seria o governo assumir que errou e, ali, nem mais um cêntimo. Mais vale partir o resto, deixar aquele espaço para deleite da natureza ou, para memória futura, deixá-lo aos caprichos das ondas do mar, para que os vindouros tenham em consideração, enquanto mensagem, que com a natureza não se brinca, muito menos com o dinheiro público.

Confesso a minha ignorância nos assuntos relacionados com o mar, construção de marinas e obras em geral. Mas, quem governa, não faça da população uma cambada de estúpidos. O que qualquer madeirense se apercebe, mesmo sem qualquer rigor científico, é que aquela marina não tem solução. Cada vez que a agitação marítima é forte, lá vão uns milhões para recuperar o prejuízo. E esse dinheiro não cai da árvore das patacas, alegadamente, plantada na Quinta Vigia ou no edifício da antiga Junta Geral. Ele provém dos impostos dos madeirenses e porto-santenses que apertam, por um lado, para o governo atirá-lo ao mar, por outro. São já muitos e muitos milhões que tanta falta fazem em sectores e áreas de prioridade absoluta. Das sucessivas imagens que vão sendo publicadas fica-me a convicção que melhor seria o governo assumir que errou e, ali, nem mais um cêntimo. Mais vale partir o resto, deixar aquele espaço para deleite da natureza ou, para memória futura, deixá-lo aos caprichos das ondas do mar, para que os vindouros tenham em consideração, enquanto mensagem, que com a natureza não se brinca, muito menos com o dinheiro público. 
Acabou. Ponham um ponto final naquele sorvedouro de dinheiro. Não insistam. Aliás, penso que aquela marina deveria ser motivo de um profundo inquérito político em sede de Assembleia Legislativa. Há que apurar as razões históricas e substantivas que conduziram à sua construção. E, caso o relatório final transcenda a esfera política, deve ser motivo de análise a outros níveis. É evidente que qualquer pessoa sabe que, no quadro desta maioria política, não tem viabilidade qualquer inquérito sério. Mas lá virá o dia que esta maioria será, finalmente, oposição, e aí estarão reunidas as condições para que se perceba tudo relativamente a esta teimosia de continuar a gastar onde é sensível que é dinheiro deitado ao mar. Simplesmente porque cada euro ali gasto é quase uma refeição que se nega a um pobre. Mais que não seja, por isso mesmo.
NOTA: 
Este texto foi escrito ao princípio da manhã de ontem. Mal sabia que o Presidente do PS-Madeira, ao final da manhã, produziria uma intervenção com a qual concordo em absoluto: "o grupo parlamentar do PS vai apresentar na Assembleia Legislativa da Madeira uma proposta de resolução "para proibir o GR de continuar a investir na marina do Lugar de Baixo".
Ilustração: Foto do blogue Fénix do Atlântico e Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Tanto quanto eu julgue saber, as facturas são pagas pelo governo da República. O que poderá significar que os empreiteiros, mesmo os compadres, caso a coisa ande para a frente, fiquem a arder com o dinheiro. Algo que não é novidade nesta terra.
Haverá ainda algum disposto a arriscar?

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Bem visto! Nunca se sabe se fiquem a arder. Talvez, por isso, a AFA tem andado, dias seguidos, na Secretaria das Finanças... Indícios? Pensamentos semelhantes?