domingo, 10 de março de 2013

O POVO É QUE NÃO QUER TRABALHAR...


Por mais tolerante e flexível que um povo seja, parece-me muito difícil que aceite duas ofensas num espaço muito curto de tempo. Ele nem deu tempo para que se esquecessem do epíteto de "cachorros" e, anteontem, no essencial, disse que querem "facilidades e não querem trabalhar". Isto num momento que a estatística dá conta de 25.000 desempregados e poucas ou nenhumas são as ofertas de emprego. É caso para o povo da Madeira perguntar: afinal, quem é que não trabalha, o que procura emprego e não encontra, ou aquele que tem o poder nas mãos e não mexe uma palha para que a economia funcione e para que os empresários tenham confiança? Mais, ainda, foram os desempregados que geraram a monumental dívida da Madeira de mais de seis mil milhões de euros? Foram os desempregados que esconderam milhões das contas públicas ao ponto de hoje todo o governo estar na Justiça sob suspeita? Foram os desempregados os culpados por tanta falência e por tanta insolvência? Ele sabe de tudo isto e, portanto, aquela declaração é uma espécie de contra-ataque à ruidosa manifestação que há poucos dias teve frente à sua porta.


Sempre teve especial predilecção
pelo bombo. Acabado o Carnaval
o bombo agora é o povo!
FACTO:
Disse o Presidente do Governo Regional da Madeira: (...) há uma voz da "rua que vocifera mas só quer facilidades e não quer trabalhar". 
COMENTÁRIO:
Não sei se é de ter pena, pois de um político, em função das suas atitudes que lesam o interesse de todos, julgo que não devemos ter. O que a democracia ordena e o povo deve cumprir é forçar o despejo do lugar que ocupa. E a vida continuará, porque de insubstituíveis estão os cemitérios cheios. Portanto, há um momento que me invade um sentimento de pena, não no quadro político, sobretudo porque nunca tive dúvidas sobre os seus caminhos, mas por ver um homem arrastar-se pelos corredores ao ponto de vir a sair pela porta dos fundos. Bem ou mal há um tempo para estar e um tempo para dizer chega. Ele não soube dizer chega, a partir daí será a população a indicar-lhe o caminho da rua.
Ora, por mais tolerante e flexível que um povo seja, parece-me muito difícil que aceite duas ofensas num espaço muito curto de tempo. Ele nem deu tempo para que se esquecessem do epíteto de "cachorros" e anteontem, no essencial, disse que "querem facilidades e não querem trabalhar". Isto num momento que a estatística dá conta de 25.000 desempregados e poucas ou nenhumas são as ofertas de emprego. É caso para o povo da Madeira perguntar: afinal, quem é que não trabalha, o que procura emprego e não encontra, ou aquele que tem o poder nas mãos e não mexe uma palha para que a economia funcione e para que os empresários tenham confiança? Mais, ainda, foram os desempregados que geraram a monumental dívida da Madeira de mais de seis mil milhões de euros? Foram os desempregados que esconderam milhões das contas públicas ao ponto de hoje todo o governo estar na Justiça sob suspeita? Foram os desempregados os culpados por tanta insolvência e por tanta falência?
Ele sabe de tudo isto e, portanto, aquela declaração é uma espécie de contra-ataque à ruidosa manifestação que há poucos dias teve frente à sua porta. É certo que custa ouvir: "Cachorro és tu! (...) "Alberto, escuta, o povo está em luta!" (...) "Mentiroso, mentiroso, tu és um mentiroso" (Entoado com a sonoridade de Campeões, Campeões, nós somos campeões) (...) "Rua, rua, rua!" (...) "Vem cá fora, vem cá fora, vem cá fora!" (...) "Ditador! Ditador! Ditador! Ditador!" (...) "Está na hora, está na hora, está na hora do governo ir embora!", repito, custa, mas é a vida! Ele nunca pensou que quem o aplaudiu, que quem agitou a bandeirinha no Chão da Lagoa e quem nele depositou o voto, hoje se sinta enganado e vocifere contra a sua presença no exercício da política. Os mesmos que aceitaram o paleio do "povo superior" é o mesmo que hoje enche as ruas a pedir trabalho e pão. Os mesmos que se deixaram ir na cantiga da "Madeira Nova" olham-no de forma enviesada, sentindo os enganos de muitos anos. É a vida! 
É evidente que quem não trabalha é este governo, não aqueles que as suas políticas afastaram do mundo laboral. Quem não trabalha são aqueles que apesar do desastre económico, financeiro e social, continuam a se pavonear nos meios de comunicação social como se nada estivesse a acontecer. Quem não trabalha são aqueles que nada decidem nas reuniões plenárias do governo. Quem não trabalha é aquele que anda sempre  a se desculpar com a Constituição da República, como não tivesse sido a mesma Constituição que lhe permitiu a tal obra de que tanto se vangloria. Treta, conversa fiada, digo eu.  Ele e todo o governo é que não trabalha, pois os outros, os desempregados, esses têm de fazer-se à vida, ao biscate, à luta diária, mais que não seja para bater à porta das instituições a fim de receber o pão negado por quem deveria criar as condições de estabilidade laboral. Cantem, cantem, agora... "paz, pão, povo e liberdade!"   
Por quanto tempo o povo vai admitir isto?
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Ontem, num canal da TV, ouvi um ilustre entrevistado a afirmar que estamos num país de governantes inocentes. As palavras não foram estas, mas a ideia está correcta.
Jardim, na sua busca incessante de culpados, encontrou mais um, o povo calaceiro, pata rapada e cachorro.
Enfim, o "Cuba livre" não é com ele...

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Ele parte do pressuposto que vai conseguir "surfar" a onda do "Cuba Livre". Só que já existem vários condenados e outros a caminho da prisão, em todo o País, claro, por má utilização dos dinheiros públicos.
É evidente que a Justiça como anda é coisa para se arrastar durante muitos anos. O importante é a PGR dizer o que pensa sobre um governo que esconde a facturação, empola o défice do próprio Estado e coloca os madeirenses num estado caótico. Depois dos factos provados, assumidos pelo próprio, iremos assistir a qualquer coisa do tipo "perdoa-me" e está tudo resolvido? Penso que não.
Um abraço.