terça-feira, 19 de março de 2013

POVO ATERRORIZADO POR INCOMPETENTES E IRRESPONSÁVEIS


O Professor Viriato Soromenho-Marques tem razão quando sublinha que a Democracia, mas a democracia que parte dos cidadãos, digo eu, tem de travar toda esta incompetência e irresponsabilidade. Em Portugal vê-se, sem a mínima dúvida, que a "receita" está errada, todavia, continuam a insistir: um monumental despedimento poderá acontecer entre os trabalhadores do Estado, com particular dimensão nos professores, e, nas funções sociais do Estado, pretendem arrasá-las com significativos cortes nas reformas e pensões. Para este bando que nos governa, um cidadão da "antiga" classe média, dispor de € 1.350,00 de aposentação é motivo para ser considerado rico. Tudo o que está daí para cima tem de descer aos patamares da pobreza. Isto para não falar de todos os outros que descem aos patamares do círculo vicioso da pobreza. Permitam-me e desculpem-me a linguagem: ladrões! Cambada de ladrões é o que esta gente é. Nem as poupanças estão a salvo, como se a generalidade dos cidadãos da Europa fossem os culpados da engrenagem e da sofreguidão de uns quantos especuladores. Veja-se o confisco que se está a passar no Chipre!


Escreveu o Professor Universitário Viriato Soromenho-Marques: "Até quando poderá uma democracia suportar ser aterrorizada por incompetentes e irresponsáveis?". Nem mais. Eis a síntese perfeita que encaixa nestes dois bandos que governam Portugal, em geral, e a Madeira, em particular. Estes bandos políticos não são mais do que correias de transmissão de outros poderes de uma Europa sem líderes e completamente decadente. O que se está a passar no Chipre com as contrapartidas impostas por um empréstimo de dez mil milhões, testemunha o escândalo que vitima cerca de 800.000 habitantes. Esta República, integrada na União Europeia em 2004, vê, de um momento para o outro, um confisco sobre as poupanças dos seus habitantes através da aplicação de uma taxa que, anteontem, estimava-se em 6,75% sobre os depósitos abaixo de 100 mil euros e de 9,9% sobre os depósitos acima deste valor. Ontem, parece que houve uma tentativa de recuo com os depósitos abaixo de 100 mil euros a sofrerem um imposto de 3%, face aos 6,75% anteriores, e a introdução de uma nova fasquia: os depósitos acima de 500 mil euros a pagar 15%. Seja como for, esta é a malvadez perpetrada sob a forma de saque: entram bancos adentro, pouco ralados com as consequências para a economia do país, e sobre os valores em depósito, confiscam, a eito, o dinheiro das pessoas, dos que muito têm (russos ou outros...) e dos que amealharam ao longo da vida, que acreditaram na instituição banca como pessoa de bem e respeitável. Se isto se alastra em benefício dos desígnios de alguns e de uma Europa desnorteada e submissa aos desígnios da Alemanha, penso que não estaremos distantes de uma guerra, não de palavras, mas, infelizmente, da outra! Leio na imprensa internacional que esta foi uma decisão assumida pelos ministros das Finanças da moeda única que romperam com a "regra de ouro" de assegurar a protecção dos depósitos até 100 mil euros. "Mas se Nicósia defendeu que tal medida evita outras medidas pesadas para a população, como cortes salariais e nas reformas, unânime entre vários analistas foi que a decisão pode precipitar um agravamento da crise europeia". Estamos a caminho da desagregação do Euro e da Europa, pois não há quem aguente tamanha austeridade e que nem no banco a poupança esteja segura. Não me admira nada que, em Portugal, as pessoas comecem, por receio, a levantar o dinheiro em depósito e a colocarem-no em casa. Que se "lixem" os magros juros que recebem por esta ou aquela aplicação, pois mais seguro, pensarão, será ter o dinheiro ali, à sua vista. Depois de tanta aldrabice no governo de Passos Coelho, de promessas que não são cumpridas e de objectivos não cumpridos, quem poderá acreditar nas palavras do governador do Banco de Portugal que, ontem, veio deitar água na fervura, dizendo que os portugueses "podem estar tranquilos" porque a tributação bancária "excepcional" no Chipre "não é transponível para outros países"? Por ser um paraíso fiscal? E estão todos envolvidos na lavagem de dinheiro? Ora, se, em Portugal, a situação agravar-se, a avaliar pelos comportamentos políticos do último ano, poucas dúvidas tenho que até por aí serão capazes de enveredar. Oxalá que não.
O Professor Viriato Soromenho-Marques tem razão quando sublinha que a Democracia, mas a democracia que parte dos cidadãos, digo eu, tem de travar toda esta incompetência e irresponsabilidade. Em Portugal vê-se, sem a mínima dúvida, que a "receita" está errada, todavia, continuam a insistir: um monumental despedimento poderá acontecer entre os trabalhadores do Estado, com particular dimensão nos professores, e, nas funções sociais do Estado, pretendem arrasá-las com significativos cortes nas reformas e pensões. Para este bando que nos governa, um cidadão da "antiga" classe média, dispor de € 1.350,00 de aposentação é motivo para ser considerado rico. Tudo o que está daí para cima tem de descer aos patamares da pobreza. Isto para não falar de todos os outros que descem aos patamares do círculo vicioso da pobreza. Permitam-me e desculpem-me a linguagem: ladrões! Cambada de ladrões é o que esta gente é. Nem as poupanças estão a salvo, como se a generalidade dos cidadãos da Europa fossem os culpados da engrenagem e da sofreguidão  de uns quantos especuladores.
Leio, no Expresso, que até o governo "desconfia dos seus números" e, mais adiante, interroga-se um jornalista: "porque é que Gaspar nunca acerta nas previsões?". Enfim, são títulos que correspondem e nos conduzem às verdadeiras implicações da teia, na qual, paulatinamente, pretendem envolver-nos. Faltam-nos líderes na Europa e falta-nos líderes em Portugal. Não posso esperar nada de um Durão Barroso, como não posso esperar rigorosamente nada de um Passos Coelho. A lata destes senhores é tão grande que, ainda ontem, o primeiro-ministro Passos Coelho disse aos jornalistas que reage aos protestos sucessivos ao seu Governo com "naturalidade", isto à saída de uma conferência em Lisboa (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) onde foi recebido com vaias por estudantes universitários. E assim vamos, de aperto em aperto e de lata em lata até um conflito que me parece iminente.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Professor,
Isto é demasiado simples e não compreendemos a ignorância de tantos (o Senhor, excluido).
Explicamo-nos melhor:
1 - O mundo é, e sempre foi, um lugar de gente ruim. Certo? Certo.
2 - Até há bem pouco tempo havia 2 mundos dentro deste mundo: o mundo ocidental, com os seus luxos e requintes de vida - autosuficiente(!); e o resto do mundo, miserável e sofrido - lá para um canto. Certo? Certo.
3 - A GLOBALIZAÇÃO veio "mixegenar" isto tudo, certo? Certo.
4 - Estamos então neste momento a assistir à nivelação das condições de vida mundiais resultantes do fenómeno da GLOBALIZAÇÃO. Certo? Certo.
5 - Para quê então cruxificarmos o Passos Coelho e o Gaspar quando eles representam apenas uma molinha de uma máquina colossal a trabalhar?
6 - Portugal viveu durante 25 anos com o dinheiro dos outros; agora terá de viver com as cebolas que retira da terra. Não é justo que assim seja se escolhemos coletivamente a via da GLOBALIZAÇÃO??)
Um abraço.
V.D´A.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu excelente comentário.
Eu sei, ou penso que sei, o que se passa. Desde meados dos anos 80 que me interesso por cruzar toda a informação disponível. Li muitos autores, sobretudo os das áreas da gestão, administração e desenvolvimento. Tentei comparar sistemas, de dentro e de fora do País. Fui consolidando o que pretendia certa inteligência europeia (os directórios europeus), certos "gurus", sobretudo aqueles que assumiam, por exemplo, "nada mais certo no futuro que o emprego incerto" (P. Drucker) ou "a empresa do futuro chamar-se-á "Eu, SA" (T. Peters). Não me deixei iludir por esses caminhos aparentemente esperançosos e de maior espaço, sobretudo porque eram sensíveis muitas contradições. E escrevi muitos textos sobre estes assuntos.
Por isso mesmo, é minha convicção que, sem qualquer perspectiva de isolamento, muito menos no plano da criatividade e da inovação, penso que teria sido possível termos construído um país mais estável, sustentável e competitivo. Mandámos abater barcos de pesca e agora consideramos que foi um erro; deixámos a agricultura e agora estamos a regressar com um défice de muitos anos; escolarizámos mas não educamos; enfim, em tantos sectores fundamentais para o nosso futuro não tivemos a inteligência necessária para percorrer os caminhos certos.
O problema, permita-me, não é o da cruxificação deste ou daquele, mas o de olharmos para o caminho (passado e presente) e continuarmos a assistir à persistência no erro. Quando se sabe que quem repete o passado não pode esperar outros resultados senão os desse mesmo passado; quando, nós cidadãos, continuamos a assistir a uma política de "maria vai com as outras" sem qualquer posicionamento estrutural, parece-me evidente que a globalização não pode nem deve explicar tudo.
Mas tudo isto, como sabe, tem cantos e recantos para uma longa discussão. Um abraço e obrigado, porque a sua reflexão permitiu-me fazer novas reflexões. Oxalá assim acontecesse em toda a sociedade.