terça-feira, 26 de março de 2013

UM HOMEM EM PÂNICO


Não basta dizer que quer deixar a governação com as contas equilibradas. Essa é conversa de treta, tantas as justificações dadas para a continuidade. Deixo uma possibilidade na esteira de Octávio Paz, Prémio Nobel da Literatura (1990), quando sublinhou que "as massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injectado o veneno do medo. Do medo da mudança". Será que a revolta do povo o atormenta? Ele que explique.

Há uma pergunta que deveria merecer uma rápida, cabal e clarividente resposta: por que não vai embora? Não lhe chegam 35 anos consecutivos de poder absoluto? Não lhe bastam 37 de poder do seu partido? O que é que, do ponto de vista político, este homem prossegue ou esconde? O que leva um homem com 70 anos de vida, teimosamente, querer uma cadeira de poder, quando, todos os dias, lhe chegam sinais de gente cansada de o ver e de sentir que a sua governação há muito está esgotada? Que ele é problema e não solução. O que esconde este homem para além do palco, nos bastidores, quando, diariamente, o pano cai e os holofotes se apagam? Medo da solidão, pânico, ansiedade, sofrimento, mas porquê? O que faz mover os mais próximos colaboradores em manter as estacas, porcas e parafusos em permanente revisão para que ele permaneça? Como explicar o silêncio cúmplice do Presidente da República que volta as costas aos desmandos numa Região parcela de Portugal? Todas estas perguntas, resumidas em uma só, por que não vai embora, repito, deveria ter uma resposta convincente, esclarecedora, inequívoca, para que os cidadãos percebessem os meandros de uma teia que o prende a um poder quase prisão. Mais ainda, se as suas lacunas governativas, na visão e no equilíbrio entre o crescimento e o desenvolvimento, foram sempre evidentes e criticáveis, hoje, vendida a Autonomia pela qual muitos lutaram antes de 1974, rendido à pobreza que a "obra" feita determinou, mais cedo do que era expectável, entregue o "livro de cheques" ao Ministro das Finanças, metido em um redemoinho político sem regresso, tragado pelo pântano das contas públicas e sob investigação judicial, a questão volta a colocar-se: por que não vai embora?
Não basta dizer que quer deixar a governação com as contas equilibradas. Essa é conversa de treta, tantas as justificações dadas para a continuidade. Deixo uma possibilidade na esteira de Octávio Paz, Prémio Nobel da Literatura (1990), quando sublinhou que "as massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injectado o veneno do medo. Do medo da mudança". Será que a revolta do povo o atormenta? Ele que explique.
Nota:
Opinião, da minha autoria, publicada na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

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