quarta-feira, 10 de abril de 2013

DE 100 MILHÕES PARA 30 MILHÕES


O que infiro desta monumental discrepância é que o governo regional quer continuar a passar aos olhos do povo como os "desgraçadinhos" em função dos malvados da república e, por aí, continuar impune, embora seja considerado o maior caloteiro da História da Região junto dos seus fornecedores e com quem assumiu responsabilidades contratuais. Preferível seria que o governo regional falasse a verdade e tivesse credibilidade política para negociar em defesa dos madeirenses e portosantenses. Todos os partidos já se posicionaram contra esta lei que virá, certamente, a ser aprovada. Eu acompanho a necessidade da Região ser dotada de mais dinheiro, face à dramática situação de dupla austeridade, de mais dinheiro susceptível de desafogar o tecido empresarial neste momento em claro sufoco. Porém, os madeirenses e portosantenses devem dispensar mais dinheiro se se destinar à manutenção de um política megalómana, de obras e mais obras sem sentido prioritário e de aumento da dívida, quando temos aí um povo com fome, escolas sem cêntimo e serviços de saúde em colapso. 

Há aqui qualquer coisa que cheira a aldrabice política. O secretário do Plano e Finanças da Madeira diz que as consequências da Lei de Finanças Regionais, em discussão na Assembleia da República, deve ocasionar uma perda de 100 milhões de euros. Mas já foi de 70 milhões para o deputado Guilherme Silva (PSD) e de 90 milhões para o deputado Jaime Filipe Ramos (PSD). Por seu turno, o secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, revelou ontem que a Madeira vai perder 30 milhões de euros com a nova Lei de Finanças das Regiões Autónonomas (LFRA). O governante contesta assim os números apresentados por Ventura Garcês e seus pares: "(...) Essa estimativa é feita com base numa lei que nunca esteve em vigor e que seria impossível estar em vigor neste momento", afirmou. Concluo, portanto, que está em causa uma diferença de 70 milhões. Ora, quando falo de aldrabice política é essencialmente por isso, porque não é admissível que um governante, por um lado, desconheça a lei em vigor e a lei que está em debate na especialidade, por outro, não consiga fugir à tentação, repito, política, de atirar areia para os olhos dos madeirenses e portosantenses. O que infiro desta monumental discrepância é que o governo regional quer continuar a passar aos olhos do povo como os "desgraçadinhos" em função dos malvados da república e, por aí, continuar impune, embora seja considerado o maior caloteiro da História da Região junto dos seus fornecedores e com quem assumiu responsabilidades contratuais.
Preferível seria que o governo regional falasse a verdade e tivesse credibilidade política para negociar em defesa dos madeirenses e portosantenses. Todos os partidos já se posicionaram contra esta lei que virá, certamente, a ser aprovada. Eu acompanho a necessidade da Região ser dotada de mais dinheiro, face à dramática situação de dupla austeridade, de mais dinheiro susceptível de desafogar o tecido empresarial neste momento em claro sufoco. Porém, os madeirenses e portosantenses devem dispensar mais dinheiro se se destinar à manutenção de um política megalómana, de obras e mais obras sem sentido prioritário e de aumento da dívida, quando temos aí um povo com fome, escolas sem cêntimo e serviços de saúde em colapso. 
O secretário de Estado disse que o Governo da República "não passa cheques em branco". E adiantou: "os problemas financeiros da Madeira não acabam com o fim do plano de ajustamento". Ele, certamente, sabe do que fala! Portanto, é esta ausência de credibilidade negocial, assente num passado que todos conhecemos, onde foram escondidos milhões que conduziram ao processo "Cuba Livre", que leva a que nos seja impingida uma lei desconfortável face à situação das finanças públicas regionais. 
No meio desta história o que não é admissível é que este secretário regional continue a tentar iludir as pessoas. O governo regional deveria falar a verdade mas, convenhamos, isso não é fácil, nem com a corda ao pescoço. Continua a repetir a mesma música como se os eleitores já não conhecessem o som e a letra de cor. Repetem a tecla vezes sem conta, querem manter o smoking de outros tempos e não se dão conta que estão descalços. E inventam, desviam as atenções, chutam para a frente, mascaram as situações e nós, povo, olhamos para isto e questionamo-nos,  se não há maneira de colocar esta gente a léguas da política! No fundo, quando é que termina este pesadelo. Quando, colectivamente, somos capazes de dizer basta, acabou, venha quem nos governe e que não se governe!
Ilustração: Google Imagens.

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