terça-feira, 14 de maio de 2013

UM PRESIDENTE À MARGEM DOS INTERESSES DOS PORTUGUESES


Numa altura em que assistimos, indefesos, a uma barbárie anti-social, quando aumenta a tensão e as críticas ao governo de coligação PSD/CDS, quando a aldrabice política existe, quando o desemprego atinge valores extremamente preocupantes, quando a fome alastra, quando a emigração dispara, quando os reformados e pensionistas sofrem penalizações que colocam em causa a confiança dos contratos estabelecidos com o Estado, quando se assiste a uma doentia perseguição aos funcionários públicos, quando, ainda hoje, na União Europeia, os ministros das finanças (Ecofin) vão discutir uma proposta sobre a possibilidade de os depositantes com mais de 100 mil euros assumirem parte das perdas dos bancos, o presidente, pasme-se, convoca o Conselho de Estado não para debater o presente estado do País, mas o futuro de Portugal, tendo como ordem de trabalhos as "perspectivas da economia portuguesa no pós-troika, no quadro de uma União Económica e Monetária efectiva e aprofundada". Apetece segredar-lhe ao ouvido um palavrão que certamente os leitores adivinharão.


Nunca mais se vai embora...
O Presidente da República Portuguesa só pode estar a brincar com o povo ou, então, anda a ludibriá-lo em função dos seus posicionamentos ideológicos. Ele que jurou cumprir a Constituição e ser o presidente de todos os portugueses, sucessivamente, tem vindo a demonstrar que, Portugal, num momento que mais precisava de uma figura independente, atenta e vigorosa, confronta-se com um político frágil e politicamente oco. Dele apenas fica a repetitiva mensagem de efeito nulo: depois, não digam que eu não avisei! 
Ora, o País não precisa de quem avise, ainda por cima sobre assuntos que os atentos dominam, mas de quem tome atitudes no quadro da Constituição da República. É um tipo de político irritante, que existe e não existe, que prefere olhar para o lado, dizer palavras de circunstância com um ar circunspecto, fugindo aos assuntos de primeira linha que tanto preocupam os portugueses. Tanto assim é que jornalistas, comentadores, políticos e as pessoas na rua olham-no com distanciamento e, por isso mesmo, os seus índices de popularidade andam significativamente negativos.
Numa altura em que assistimos, indefesos, a uma barbárie anti-social, quando aumenta a tensão a as críticas ao governo de coligação PSD/CDS, quando a aldrabice política existe, quando o desemprego atinge valores extremamente preocupantes, quando a fome alastra, quando a emigração dispara, quando os reformados e pensionistas sofrem penalizações que colocam em causa a confiança dos contratos estabelecidos com o Estado, quando se assiste a uma doentia perseguição aos funcionários públicos, quando, ainda hoje, na União Europeia, os ministros das finanças (Ecofin) vão discutir uma proposta sobre a possibilidade de os depositantes com mais de 100 mil euros assumirem parte das perdas dos bancos, o presidente, pasme-se, convoca o Conselho de Estado não para debater o presente estado do País, mas o futuro de Portugal, tendo como ordem de trabalhos as "perspectivas da economia portuguesa no pós-troika, no quadro de uma União Económica e Monetária efectiva e aprofundada". Apetece segredar-lhe ao ouvido um palavrão que certamente os leitores adivinharão.

Já não é apenas o governo que está em causa, é o próprio Presidente da República que faz coro pela desgraça do Povo Português. O pesadelo parece não ter fim. Em Junho de 2011, após as eleições legislativas nacionais, escrevi: "(...) Talvez a maquinação gerada lhes rebente nas mãos, mais cedo que tarde. Porque há um aspecto face ao qual não me subsistem dúvidas, aliás, pelos exemplos de outros países: a direita privatiza tudo, inclusive, os sectores que devem estar sob o controlo do Estado. Privatiza a Educação, a Saúde, reduz o apoio social e empurra para as seguradoras e para outros sistemas os direitos que se enquadram, por exemplo, na aposentação. A direita ultraliberal é capaz de bater no peito e "comungar" aos domingos, mas odeia o "cheiro a pobre". Dirão alguns, que exagero! Não, não se trata de exagero, com o respeito que tenho por figuras do centro-direita, com quem tenho relações de amizade, em abstracto, a leitura que tenho do mundo, do que leio e do que ouço, da compaginação de vários analistas e de autores insuspeitos, a direita é o fulcro de uma continuada "barbárie anti-social", onde se assiste ao esmagamento dos que menos têm para que alguns continuem a alimentar uma riqueza, muitas vezes obscena (...)". E perante o quadro previsível, o Presidente reúne o Conselho de Estado para discutir um assunto que não está na ordem do dia das preocupações dos portugueses. Que tristeza de Presidente!
Ilustração: Google Imagens.

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