quinta-feira, 13 de junho de 2013

AS DÍVIDAS E A JUSTIÇA


A dívida é aquela que é conhecida. A atitude de esconder facturas, não passou, até agora, de uma mera censura pública. O poder assumiu logo que ninguém roubou, a "obra" está aí. A situação ficou mascarada entre a duvidosa realidade e o discurso político. Vem agora o Tribunal de Contas, presumo, em jeito de somatório, dizer que o valor das ilegalidades cometidas pelo governo regional da Madeira, ascendem a 3.85 mil milhões. Pode ser este o valor exacto ou qualquer outro, trata-se, apenas, de mais uma situação que, certamente, passará através de mil e uma justificações com as habituais cortinas de fumo a tentar tapar a realidade. Tudo isto é conhecido e tudo isto entrou numa esfera de aparente impunidade. Mais, ainda: o Juiz Conselheiro da Secção Regional do Tribunal de Contas detectou erros vários susceptíveis do Ministério Público colocar-se em campo, mas o Magistrado do Ministério Público junto do Tribunal de Contas considera não existirem motivos bastantes para uma averiguação. Ora bem, o comum dos cidadãos olha para este quadro e porque não se trata de uma ou outra situação isolada, naturalmente, fica de pé atrás, questionando-se: afinal, o que é que se está a passar? 

Por falta de elementos, por não dominar todas as variáveis, por não ser jurista, por dar o benefício da dúvida, uma ou outra situação, repito, pode passar em claro, mas quando começa a existir um conjunto de análises que sugerem substantivas dúvidas, é caso para ficar alarmado. Eu, pelo menos, fico muito preocupado por dois motivos essenciais: primeiro, porque há gente, alegadamente, a gerir muito mal o dinheiro que é de todos nós, confundindo maioria absoluta com poder absoluto; segundo, perante denúncias de um Órgão de Soberania, afinal, o que é que se passa para que nada aconteça? No mínimo é estranho e, simultaneamente, muito preocupante. Os processos arrastam-se, fazem-se alaridos, como foi o caso do "Cuba Livre", entretanto passam-se as semanas, os meses, os anos, e nada, rigorosamente nada acontece. Negam-se os inquéritos parlamentares e o discurso da maioria na Assembleia é no sentido  do branqueamento. Estranho, ou talvez não? A raia miúda, essa é apanhada e punida. São os casos dos presidentes de câmara, entre outros. A outros níveis, a rede parece ser muito larga o que permite a fuga. Será? Ou estarei eu enganado porque a Justiça, embora tardando, sempre chega? Espero que sim, porque o povo tem direito a saber toda a verdade e a justiça, custe o que custar e doa a quem doer, tem de funcionar.
Ilustração: Google Imagens.

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