segunda-feira, 10 de junho de 2013

DIA DE PORTUGAL


Hoje é um dia triste a avaliar por aquilo que andam a fazer do nosso País. O dia que deveria ser de alegria, de orgulho nacional, infelizmente, não é para a esmagadora maioria dos portugueses. Comemorar o quê? A desesperança, os múltiplos constrangimentos consequência de aterradoras políticas económicas, financeiras e sociais? Comemorar a pobreza galopante e a perseguição aos funcionários do próprio Estado, aos reformados e pensionistas? Comemorar um país onde se surrupiam direitos à educação, à saúde e à segurança social? Comemorar um país que todos os dias vê os seus filhos, qualificados e não qualificados, emigrarem em busca de uma estabilidade perdida? Comemorar um país que se afunda com um Presidente da República cego, surdo e mudo? Assistir a discursos vazios, aldrabões e mentirosos? Olhar neste dia para um palco onde desfilham mais de quarenta novos comendadores de qualquer coisa, uma parte dos quais tal como canta Rui Veloso, "Quem és tu, de onde vens? Conta-nos lá os teus feitos; Que eu nunca vi pátria assim; Pequena e com tantos peitos"? Condecorações, algumas, repito, algumas, banalizadas, porque não se encontra a razão substantiva do grande feito, em contraponto com outras que merecem respeito e admiração! 

Gosto, obviamente, como todos os portugueses, da Pátria a que pertenço. Foi aqui que nasci e vivo. Outra coisa é assistir, diariamente, à aldrabice política para a qual nos empurraram e envolveram. Assistir ao roubo na já de si magra carteira dos portugueses, ver o empobrecimento premeditado e ver o país entregue a gente medíocre e altifalante que goza connosco, metendo na cabeça dos portugueses que tem de ser assim, porque "viveram acima das suas possibilidades"! 
Nesta encruzilhada, que implicaria a tomada de decisões, que justificaria a intervenção política segura, profunda e acutilante, doesse a quem doesse, ainda ontem o Presidente da república veio sublinhar os "métodos de vida saudável"  porque (...) praticar desporto é bom para evitar as doenças do coração e, por isso, eu, que fui um atleta que pratiquei 110 metros barreiras, 400 metros barreiras e salto em altura, ainda hoje, todos os dias, em cima de um tapete, faço 1.500 metros”. Disse isto a um País onde milhões passam mal, um País com fome, com mais de um milhão de desempregados, com crianças a viverem no meio de grandes dificuldades e idosos (e não só) refugiados nas instituições de solidariedade social.
Mas, enfim, hoje é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e, neste dia, apesar de tudo, o sentimento pátrio vem ao de cima! 
Ilustração: Google Imagens.

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