terça-feira, 25 de junho de 2013

ESTÁ CERCADO PELO FOGO


Perderam-lhe o respeito e a consideração política. Querem vê-lo bem longe. A fractura é evidente, desde o homem do povo que lhe atirou um copo de cerveja à cara, até militantes do partido que, durante anos, se subordinaram à sua vontade política. Chegou a dizer que era o "único importante", recordo. Mas, os tempos são outros, há um reconhecimento generalizado que as pessoas foram enganadas, que estão a pagar a factura dos erros cometidos e, por isso mesmo, que se assiste a um lento mas sensível levantamento popular, expresso através de candidaturas de coligação ou de "independentes" oriundos do PSD. Isto pode significar que as pessoas estão fartas, que não estão para aturá-lo, que essa coisa de alijar responsabilidades para os outros foi chão que deu uvas, que o futuro não se constrói com grupinhos de interesse, lóbis e "máfias boazinhas", que existe uma necessidade de romper com esta estrutura política hipócrita que conduziu ao desemprego e à pobreza, que é tempo demais 37 anos consecutivos de poder de uma única força política, que existem raízes lenhosas, uma política de natureza infestante que tem vindo a dar cabo da democracia e da Autonomia, portanto, que há necessidade de viver outras opções e de seguir outros percursos políticos. Estão a chegar à conclusão que, afinal, a oposição tinha razão quando apontou, pacientemente, ao longo de muitos anos, que esta política caminhava para o abismo e que, tarde ou cedo, despenhar-se-ia. A máquina, oleada diariamente, foi mantendo o seu trabalhinho. Só que está velha, falham as peças no mercado, nem de encomenda, logo restará à população acabar com esta "ditadurazinha" baseada em obras e mais obras de regime que não se traduziram em bem-estar para o povo.

Silêncio! Chiiiiii.... 
Há várias joeirinhas no ar 
e o vento não está a favor. 
Parece um concurso regional!

Isto está com imensa graça política. Proliferam candidaturas "independentes" com origem no PSD, assiste-se a uma natural divisão dos votos no seio do partido maioritário e, concomitantemente, um certo silêncio estratégico por parte do Dr. Jardim. A declaração de ontem foi circunstancial. Em outros momentos, quando ainda era respeitado ou tolerado, coitados os "independentes", já tinham bilhete de saída, antes de cometerem o "crime", ostracização, quebra de benesses político-partidárias e condenação ao "inferno" das oportunidades na vida. Hoje, parece mais cauteloso, anda relativamente mudo e até sai da Região com uma frequência pouco habitual a três meses de importantes eleições. Nem há muito, estou a lembrar-me do episódio protagonizado pelo Engº Costa Neves, que  foi expulso por dizer, perante todas as asneiras que se vão fazendo, que por aqui "ninguém vai preso". A sentença veio célere: rua. Agora, não, há várias joeirinhas no ar (parece um concurso regional) o vento não está a favor e o homem dá barbante! Por que é que está a soltar a corda, isso é que traz água no bico. Há qualquer coisa por detrás de tudo isto. Obviamente. É-me difícil acreditar que não haja aqui uma estratégia por parte de quem nunca gostou de perder, que sistematicamente escondeu candidatos e fez praticamente todas as campanhas, saltando de comício para comício com horário cronometrado ao minuto. Há indícios de uma estratégia, porque não estou a ver o político de quem falo, a deixar-se sair pela porta dos fundos e aos pontapés, no plano político, claro. Não basta, por isso, a declaração de ontem: "(...) esses vão para a rua, o que dá azo para fazer a limpeza que nós queremos fazer". Julgo que há muito para além desta declaração, repito, circunstancial, uma vez que são poucos os que dão a cara e muitos os que podem fazer uma razia eleitoral! Corre o risco de ficar com poucos... porque aos candidatos seguir-se-á a "caça às bruxas". Em tempo de cerejas eu diria que isto a elas se assemelha. Com aquela atitude demonstra duas coisas: primeiro, detesta ouvir e sentir os sinais; segundo, pouco jeito para a "bricologe", isto é, pegar na "cola" e juntar os cacos em que aquilo está!
Ora, uma das hipóteses é a de estar a preparar o terreno para uma nova candidatura às legislativas de 2015/2019. Quem não acreditasse nas suas promessas que, desta é de vez, tantas foram as declarações nesse sentido! As eleições autárquicas, no quadro que se desenha, poderá constituir um desastre eleitoral para o PSD, portanto, o soltar da corda de que falo, poderá, no imediato, trazer consigo uma derrota, porém, sem a sua intervenção directa, para, mais tarde, culpabilizar e ressurgir como o "salvador", a personagem ainda capaz de unir as tropas, reanimando as hostes para as eleições legislativas regionais de 2015. É uma leitura possível da situação a partir do que a comunicação social apresenta. Haverá outras, inclusive, o conhecimento, por sondagem, que ainda tem possibilidades de ganhar. E pode, até, o homem, mais dia menos dia, começar por aí a espingardar com todos os da sua cor política. É preciso ter em consideração que a teia de interesses é gigantesca e, em tempos de crise, perder uns euros torna-se complicado. Há gente que se habituou a  fazer do exercício da política uma profissão. Por tudo o que se conhece e se desconhece, isto está com interesse político, obviamente que está, até porque, qual metáfora, o dito está cercado pelo fogo e dificilmente encontrará uma brecha para escapar politicamente ileso. Parece existir a chamada "revolta dos escravos" como alguém já caracterizou.  
Seja qual for a estratégia que esteja por detrás, há um facto: em muitos casos parece terem perdido o respeito e a consideração política. Querem vê-lo bem longe. A fractura é evidente, desde o homem do povo que, farto e cheio, lhe atirou um copo de cerveja à cara, até aos militantes e simpatizantes do partido que, durante anos, se subordinaram à sua vontade política. Chegou a dizer que era o "único importante", recordo. Mas, os tempos são outros, há um reconhecimento generalizado que as pessoas foram enganadas, que estão a pagar a factura dos erros cometidos e, por isso mesmo, que se assiste a um lento mas sensível levantamento popular, expresso através de candidaturas de coligação ou de "independentes" oriundos do PSD. Isto pode significar que as pessoas estão revoltadas, que não estão para aturá-lo, que essa coisa de alijar responsabilidades para os outros foi chão que deu uvas, que o futuro não se constrói com grupinhos de interesse, lóbis e "máfias boazinhas", que existe uma necessidade de romper com esta estrutura política hipócrita que conduziu ao desemprego e à pobreza, que é tempo demais 37 anos consecutivos de poder de uma única força política, que existem raízes lenhosas, uma política de natureza infestante que tem vindo a dar cabo da democracia e da Autonomia, portanto, que há necessidade de viver outras opções e de seguir outros percursos políticos. Estão a chegar à conclusão que, afinal, a oposição tinha razão quando apontou, pacientemente, ao longo de muitos anos, que esta política caminhava para o abismo e que, tarde ou cedo, despenhar-se-ia. A máquina, oleada diariamente, foi mantendo o seu trabalhinho. Só que está velha, falham as peças no mercado, nem de encomenda, logo restará à população acabar com esta "ditadurazinha" baseada em obras e mais obras de regime que não se traduziram em bem-estar para o povo. 
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sr .André Escórcio,quem garante que os candidatos "independentes" do PSD não é apenas uma manobra politica para enganar o povo?? Uns anos atrás houve uma candidatura de um grupo de cidadãos e depois a maioria do grupo passou para o PSD...

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Não seria de estranhar. Certo é que há qualquer coisa aqui que não bate certo. De qualquer forma, o ambiente político, neste momento, parece-me ser bem diferente, pelo que o meu ponto de vista pode, eventualmente, ter algum significado. Mas, o seu também deve ser considerado.