quarta-feira, 19 de junho de 2013

UM PRESIDENTE VIRADO PARA A ESTATÍSTICA


Sinceramente, o Presidente irrita-me, tira-me do sério, o que já não é muito fácil. Lá veio com a história da caridadezinha, o discurso das instituições de solidariedade social, quando o País precisa é de colocar a economia a funcionar. Ninguém gosta de cair na zona da caridade e não é preciso o Presidente dela ocupar-se, pois há milhares de pessoas em Portugal que transportam esse sentimento solidário, pessoas que acolhem, que dão horas e horas de voluntariado, que vão para a rua proporcionar uma refeição quente, que promovem a recolha de alimentos para depois os distribuir pelas instituições que matam a fome. Não é preciso o Presidente preocupar-se com isso. O que o povo não dispensa é alguém capaz de colocar o governo em sentido, de transmitir, através de actos políticos (mensagens) que há correcções a fazer. É isso que ninguém sente, ou melhor, a maioria dos portugueses olha para o Presidente da República sob o prisma das propriedades da água: insípido, inodoro e incolor. Politicamente, incolor, nem tanto, é verdade, pois quem apoia tão descaradamente as políticas deste governo é porque permite que a sua costela política fale mais alto. Como diria o meu Amigo Dr. Carlos Pereira, ele fala e tudo aquilo é água do Luso!


O Presidente da República afirmou ontem que 17,7% de desemprego "é uma taxa que assusta todos", defendendo que "esta realidade dramática" deve levar a um reforço da cooperação entre o Estado e instituições de apoio social. "Nunca em Portugal, desde que existem registos estatísticos, se verificaram tão elevados níveis de desemprego, 950 mil desempregados, o que corresponde a uma taxa de desemprego de 17,7%, é um número que poucos preveriam há alguns anos. Destes, 560 mil são desempregados de longa duração e, entre os jovens, o desemprego atingiu os 42%", disse o chefe de Estado". Ora bem, o Presidente virou funcionário da Estatística. E ficou surpreendido! Já no discurso do 10 de Junho enveredou pelas estatísticas da agricultura. Então ele não conhece a situação do desemprego em Portugal? Precisará de nos vir dizer que o quadro é negro? Então nós, o povo, não vê televisão e não tem em casa desempregados? Então não é público e notório que se contam aos milhares os que emigram? Então nós não sabemos que todos os dias há empresas a fechar portas? E, perante isto, vem falar da "realidade dramática", quando este mesmo povo não precisa de paleio, precisa, sim, de um Presidente actuante capaz de corrigir, essa sim, dramática corrida do  (des)governo para o abismo. 
Sinceramente, o Presidente irrita-me, tira-me do sério, o que já não é muito fácil. Lá veio com a história da caridadezinha, o discurso das instituições de solidariedade social, quando o País precisa é de colocar a economia a funcionar. Ninguém gosta de cair na zona da caridade e não é preciso o Presidente dela ocupar-se, pois há milhares de pessoas em Portugal que transportam esse sentimento solidário, pessoas que acolhem, que dão horas e horas de voluntariado, que vão para a rua proporcionar uma refeição quente, que promovem a recolha de alimentos para depois os distribuir pelas instituições que matam a fome. Não é preciso o Presidente preocupar-se com isso. O que o povo não dispensa é alguém capaz de colocar o governo em sentido, de transmitir, através de actos políticos (mensagens) que há correcções a fazer. É isso que ninguém sente, ou melhor, a maioria dos portugueses olha para o Presidente da República sob o prisma das propriedades da água: insípido, inodoro e incolor. Politicamente, incolor, nem tanto, é verdade, pois quem apoia tão descaradamente as políticas deste governo é porque permite que a sua costela política fale mais alto. Como diria o meu Amigo Dr. Carlos Pereira, ele fala e tudo aquilo é água do Luso! É, por isso, politicamente hipócrita dizer que "(...) Não podemos resignar-nos, não podemos silenciar esta realidade dramática", exortando "voluntários e instituições" a uma maior "cooperação com o Estado" para "chegar a mais cidadãos". A isto chamo jogar areia para os olhos. O problema é muito mais grave, porque mais de uma quarto da população está na pobreza e as instituições de solidariedade estão no seu limite, isto é, já não chegam para as encomendas! A questão resolve-se de uma outra maneira: a curto prazo, com políticas sérias e de revitalização das pequenas e médias empresas, com menor carga fiscal e criação de emprego; com efeitos a médio e longo prazo, com uma verdadeira política educativa, única forma de romper com o círculo vicioso da pobreza.
Diz o Presidente que não é ele que governa e que é a Assembleia que deve fiscalizar os actos políticos. Pois bem, é verdade, mas ele pode, perante as suas estatísticas, dissolver a Assembleia da República e, através dessa medida, utilizando a expressão do Senhor Provedor de Justiça, "refrescar a democracia". Só que ele não quer, não está interessado, tem medo de tomar atitudes e adora passar entre os pingos de chuva sem se molhar. Nunca mais chega 2016!
Ilustração: Google Imagens.

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