sábado, 27 de julho de 2013

"EM SETEMBRO HÁ UM DIA ESPECIAL"


"(...) enquanto eles, em Portugal, foram fazendo asneiras, aqui na Madeira a grande preocupação foi andar depressa, fazer tudo o que se podia fazer para aproveitar fundos europeus", como se o caso da estrada inaugurada, digo eu, resolvesse, mesmo que minimamente, os dramas das necessidades básicas das famílias. Ainda há dias (25/07/2013) soube-se que 23.000 pessoas recebem ajuda alimentar (Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados) não estando neste número contabilizados outros tantos milhares que subsistem dos apoios de instituições diversas. E o curioso é que a 02/03/2011, o Secretário Regional dos Assuntos Sociais falava de um apoio que atingia 14.000! Só o número de enquadrados neste programa cresceu ao ritmo de 4.500 por ano. E, perante isto, perante a dimensão das carências, isto é, a dimensão da tragédia social, o presidente do governo regional, aquele a quem se deve a catástrofe, declara que na "Madeira houve muita gente que pensou que podia viver sem trabalhar, que podia viver à custa do trabalho dos outros". Do trabalho dos outros? De quem? Estará a falar dos que foram empurrados para o desemprego, quarenta e tal por cento dos quais sem direito a subsídio de desemprego, porque ele, presidente do governo, passou todos estes anos de costas voltadas para uma economia diversificada e geradora de emprego? Quem é que viveu e engordou a carteira à custa dos que hoje estão desempregados? Ora, se a economia não funciona, se, para ele, cimento e alcatrão constituem os sucedâneos dos géneros alimentícios, razão terão os cidadãos, quando questionados se a infra-estrutura, que custou um milhão de euros, co-financiada por fundos europeus, agradava ou não, uma mulher desempregada, disse-lhe na cara: "Não se esqueça que em Setembro há um dia especial".


O ainda Presidente do Governo regional e o ainda presidente da Câmara Municipal de Machico ainda não perceberam que os tempos são outros. Ainda não perceberam que uma grande parte do povo está farto de "obras", de fanfarra e de beberetes por ocasião de inaugurações, neste caso, de uma estrada, segundo o DN, que já existe há um ano! Para o "Chefe das Angústias" regionais a receita de anteontem continua a ser a solução: obras e inaugurações, paradoxalmente, quando crescem o desemprego e a pobreza. A prioridade à economia geradora de emprego continua a ser substituída pelo discurso oco, de palavras que nada dizem. Por exemplo esta declaração: "(...) enquanto eles, em Portugal, foram fazendo asneiras, aqui na Madeira a grande preocupação foi andar depressa, fazer tudo o que se podia fazer para aproveitar fundos europeus", como se o caso da estrada inaugurada, digo eu, resolvesse, mesmo que minimamente, os dramas das necessidades básicas das famílias. Ainda há dias (25/07/2013) soube-se que 23.000 pessoas recebem ajuda alimentar (Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados) não estando neste número contabilizados outros tantos milhares que subsistem dos apoios de instituições diversas. E o curioso é que a 02/03/2011, o Secretário Regional dos Assuntos Sociais falava de um apoio que atingia 14.000! Só o número de enquadrados neste programa cresceu ao ritmo de 4.500 por ano. E, perante isto, perante a dimensão das carências, isto é, a dimensão da tragédia social, o presidente do governo regional, aquele a quem se deve a catástrofe, declara que na "Madeira houve muita gente que pensou que podia viver sem trabalhar, que podia viver à custa do trabalho dos outros". Do trabalho dos outros? De quem? Estará a falar dos que foram empurrados para o desemprego, quarenta e tal por cento dos quais sem direito a subsídio de desemprego, porque ele, presidente do governo, passou todos estes anos de costas voltadas para uma economia diversificada e geradora de emprego? Quem é que viveu e engordou a carteira à custa dos que hoje estão desempregados?  
Ora, se a economia não funciona, se, para ele, cimento e alcatrão constituem os sucedâneos dos géneros alimentícios, razão terão os cidadãos, quando questionados se a infra-estrutura, que custou um milhão de euros, co-financiada por fundos europeus, agradava ou não, uma mulher desempregada, disse-lhe na cara: "Não se esqueça que em Setembro há um dia especial". Exacto. No dia 29 de Setembro chega o "dia especial". O dia de o povo saldar as contas através de um pequeno gesto, o do depósito em urna da sua vontade. Mesmo com fanfarra à mistura e comes-e-bebes à borla, com claras motivações político-eleitorais, pressuponho que poucos se esquecerão da dupla Olim/Santos Costa, guiados à distância pelo "Chefe das Angústias".
A "estrada estruturante" de Olim, entre tantas e tantas provocações e enganos ao povo de Machico, parafraseando as palavras ditas por Jardim, será julgada por esse povo que tem a certeza que, desde há 30 anos, que o sistema político se ia afundar a Região. E afundou. Só que ele, presidente, continua a chutar para longe um problema que criou.
Ilustração: google Imagens.

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