quarta-feira, 17 de julho de 2013

INQUALIFICÁVEL


Acabo de ler no DN-Madeira que o líder do grupo parlamentar do PSD-M, Jaime Ramos, terá, de forma muito rasteira, ofendido a mãe de um deputado de uma forma que me recuso aqui repetir. Inqualificável. Quem por esses caminhos da ofensa e da indignidade entra, obviamente que não deveria ter assento numa instituição que deve primar pelo exemplo, pela elevação e pela responsabilidade das palavras ditas. Uma coisa é o debate vigoroso das teses políticas que cada um defende, outra o contínuo resvalar para o discurso de sarjeta. E pasmo quando os seus próprios pares não se insurgem, calam-se, acomodam-se, deixam passar aleivosidades daquela natureza. O mínimo que seria sensato fazerem era levantarem-se e saírem do hemiciclo, deixando só naquela primeira fila, digo eu, na última fila da indignidade. Aceitam e porque aceitam são tão iguais quanto o deputado que terá desferido tal vergonhoso ataque pessoal. E digo mais, toda a oposição deveria ter saído em solidariedade, porque "para grandes males grandes remédios".


Uns dirão que sempre foi assim, portanto, aquela ofensa não trouxe nada de novo, é repetitiva, com tais palavras ou outras de sinal idêntico em outros contextos. Não deixa de ser indesculpável. Não me refiro, apenas, ao que lá se passou, mas a todos os outros, ao longo de muitos anos, caracterizados por ataques vis, malcriados e muitas vezes ordinários. A Assembleia, cada vez mais, cai no descrédito público, na total falência dos princípios e dos valores que a deveriam nortear, obviamente, à medida que cresce o descontentamento popular, a pressão política dos partidos da oposição e a inevitável quebra de influência do partido maioritário junto dos eleitores. Há uma correlação directa entre este quadro e a ofensa, simplesmente porque o poder, seja ele qual for, funciona como uma droga que só acalma com doses acrescidas da mesma. O poder é viciante e quando, paulatinamente, se o perde, a má formação, neste caso democrática, conduz não à mudança de paradigma, mas ao reforço do modelo com um formato de crescente agressividade. 
É da história parlamentar aquele governante que, perdido no debate das ideias, olhou para uma deputada e pediu que juntasse os joelhos porque não era hora do almoço. Foi há muitos anos. Isto para dizer que, ao longo de todo o tempo, sempre foi notória a ofensa de quem parte do pressuposto que maioria absoluta significa poder absoluto e incivilidade absoluta. E se o rol das ofensas é extenso, muitas vezes, cirurgicamente, apontadas a este e àquele deputado, penso que ainda iremos assistir a situações tendencialmente piores, porque existe ali uma ideia que se consolidou de vale tudo, de aqui mandamos nós, de que os fins justificam os meios e que aquela é a forma eficaz que encontra eco nos eleitores. Estão enganados, totalmente enganados. No caso que deu origem a este texto de desabafo e de solidariedade, o autor dos impropérios será, tarde ou cedo, julgado nas urnas e, para já, deveria pedir públicas desculpas. Não acredito que o faça, até porque o diferendo que o mantém em relação ao seu colega de bancada Miguel de Sousa decorre no Tribunal. Quando a violência das palavras atinge um colega de partido, obviamente que nada se poderá esperar em relação aos adversários.
Ilustração: Google Imagens.

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