segunda-feira, 22 de julho de 2013

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM EXERCÍCIO NOMEOU CAVACO PRIMEIRO MINISTRO


Decididamente, Portugal não tem Presidente da República. Eu diria que o Presidente da República em exercício nomeou Cavaco Primeiro Ministro. A estratégia política do governo continuará como sempre ele quis e, como causas iguais propiciam consequências iguais, obviamente que se espera mais austeridade e mais dificuldades para todo o povo. Não estarei longe da verdade se disser que Cavaco sentou todo o País em cima de uma bomba relógio, porque as tensões sociais vão-se agravar e a instabilidade inevitavelmente crescerá. Há limites para os sacrifícios. Mais cedo que tarde, estou convicto, as circunstâncias determinarão a necessidade de eleições antecipadas. Cansa-me esta figura que um dia disse que raramente se enganava e que nunca tinha dúvidas. Cansa-me esta figura que também assumiu que "raramente lia jornais", talvez por isso mesmo não tenha o senso da realidade. Cansa-me esta figura cinzenta, que caminha sempre atrás dos acontecimentos, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, mas que permitiu que um governo, num lapso de dois anos, desse cabo de muitos direitos sociais conquistados ao longo de décadas. O "homem do leme", aquele que tem uma visão minimalista da Constituição e dos poderes do Presidente da República, ontem, à hora marcada, falou aos portugueses para, em suma, dizer-lhes que fica tudo na mesma. Baralhou e deu de novo. Deveria ter assumido, ao contrário de ontem, que teve dúvidas e que se enganou. Deveria ter pedido desculpa aos portugueses, porque, nas actuais circunstâncias, todo este tempo de indecisões e de decisões erradas custará muito aos portugueses.


E vamos para um mês nesta paródia patrocinada pelo Senhor Presidente da República, apostado que esteve numa espécie de "união nacional". 
Recuando no tempo, julgo que foi em Oliveira de Azeméis, já tem uns anos, Hermínio Loureiro, presidente da Câmara Municipal, descreveu-o como "garante da estabilidade perante o nervosismo de muitos outros" e, dirigindo-se directamente a Cavaco Silva, afirmou: "precisamos de o ter como o homem do leme, alguém que, no meio da tempestade, não perca o rumo e leve a nau portuguesa a bom porto". O "homem do leme", caracterização (irritante em democracia) para consumo interno e, porventura, para dentro das próprias hostes social-democratas, dir-se-á que encalhou o navio. Ontem, na declaração ao País, fez como o capitão Schettino, pôs-se ao fresco, com a justificação que caiu para dentro da baleeira. No essencial, disse que tentou salvar o "navio" só que a tripulação não se entendeu. A culpa não foi dele, conclui-se, os malandros do PS, certamente, é que não quiseram seguir o seu conselho de uma "união nacional" dos novos tempos. 
Decididamente, Portugal não tem Presidente da República. Eu diria que o Presidente da República em exercício nomeou Cavaco Primeiro Ministro. A estratégia política do governo continuará como sempre ele quis e, como causas iguais propiciam consequências iguais, obviamente que se espera mais austeridade e mais dificuldades para todo o povo. Não estarei longe da verdade se disser que Cavaco sentou todo o País em cima de uma bomba relógio, porque as tensões sociais vão-se agravar e a instabilidade inevitavelmente crescerá. Há limites para os sacrifícios. Mais cedo que tarde, estou convicto, as circunstâncias determinarão a necessidade de eleições antecipadas. É uma questão de tempo.
Cansa-me esta figura que um dia disse que raramente se enganava e que nunca tinha dúvidas. Cansa-me esta figura que também assumiu que "raramente lia jornais", talvez por isso mesmo não tenha o senso da realidade. Cansa-me esta figura cinzenta, que caminha sempre atrás dos acontecimentos, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, mas que permitiu que um governo, num lapso de dois anos, desse cabo de muitos direitos sociais conquistados ao longo de décadas. O "homem do leme", aquele que tem uma visão minimalista da Constituição e dos poderes do Presidente da República, ontem, à hora marcada, falou aos portugueses para, em suma, dizer-lhes que fica tudo na mesma. Baralhou e deu de novo. Deveria ter assumido, ao contrário de ontem, que teve dúvidas e que se enganou. Deveria ter pedido desculpa aos portugueses, porque, nas actuais circunstâncias, todo este tempo de indecisões e de decisões erradas custará muito aos portugueses.
Ilustração: Google Imagens.

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