terça-feira, 16 de julho de 2013

PALEIO, APENAS PALEIO!


E perante esta realidade vem o ainda presidente falar das "vicissitudes do país" e que a "Região não pára". Não pára, isto é, está parada! "Vicissitudes do País"... e as daqui, as de quem governa isto há mais de trinta anos? As dívidas e todas as asneiras cometidas? Ainda por cima vem dizer que isto "não pára" quando 85% da obra teve comparticipação europeia e 15% de verbas oriundas da própria Protecção Civil. É preciso ter um desplante, uma lata dizer coisas tais, transmitindo a imagem de pujança de uma terra que está falida, exausta, com o seu tecido empresarial diariamente com o credo na boca. É evidente que nada espanta, porque estes sempre foram os posicionamentos políticos do presidente do governo, às segundas, quartas e sextas de ataque para a República e nos restantes dias, sempre que se abre uma oportunidade de palco, o próprio auto-elogio. A receita vem de longe, tem mais de três dezenas de anos, todos a conhecem e como repetitiva que é vai perdendo adeptos convictos da "verdade" de tal paleio. Ontem, foi mais uma desses momentos de propaganda balofa. 


As novas instalações da Protecção Civil Regional foram inauguradas. O ainda presidente do governo regional, obviamente, que teve de perorar. E disse: “(...) apesar das vicissitudes do País, das incompetências (...) e do sufoco financeiro (...) a Região não pára”. Ora bem, eu não sei se isto é de gargalhada ou de um sentimento de pena do político. Estas instalações precisaram de trinta e tal anos para serem construídas, porque a protecção civil nunca foi considerada uma prioridade. Tanto assim é que um dia ouvi-o dizer que tínhamos de conviver com o perigo, digo eu, com os desastres naturais, com as aluviões, com a insegurança e com a morte. Da última vez foram quase cinquenta os que perderam a vida. O quadro da tragédia poderia ter sido atenuado se outra tivesse sido o respeito pelo ordenamento do território e pela protecção das pessoas e bens. Recordo, há uns anos, um engenheiro, com toda a sua franqueza, após uma certa recuperação das instalações da Protecção Civil na Quinta Magnólia, ter-me dito, com alguma ironia, que numa situação delicada, o primeiro prédio a cair possivelmente seria aquele que tinha acabado de ser melhorado. A antiguidade e as fragilidades eram evidentes e marcantes. Mas lá trabalharam tantos(as) durante anos, pessoas animadas de uma grande boa-vontade e espírito de missão e de serviço público, que foram suprindo as carências de espaço e acautelando a segurança de todos nós. Sem respeito por todos eles e pela população, pelo contrário, importante para o governo não foi a segurança de pessoas e bens (o 20 de Fevereiro foi o facto mais recente e evidente!), mas a construção de marinas, piscinas, heliportos e tanta "obra" desnecessária relativamente às questões de segurança.
E perante esta realidade vem o ainda presidente falar das "vicissitudes do país" e que a "Região não pára". Não pára, isto é, está parada! "Vicissitudes do País"... e as daqui, as de quem governa isto há mais de trinta anos? As dívidas e todas as asneiras cometidas? Ainda por cima vem dizer que isto "não pára" quando 85% da obra teve comparticipação europeia e 15%  de verbas oriundas da própria Protecção Civil. É preciso ter um desplante, uma lata dizer coisas tais, transmitindo a imagem de pujança de uma terra que está falida, exausta, com o seu tecido empresarial diariamente com o credo na boca. É evidente que nada espanta, porque estes sempre foram os posicionamentos políticos do presidente do governo, às segundas, quartas e sextas de ataque para a República e nos restantes dias, sempre que se abre uma oportunidade de palco, o próprio auto-elogio. A receita vem de longe, tem mais de três dezenas de anos, todos a conhecem e como repetitiva que é vai perdendo adeptos convictos da "verdade" de tal paleio. Ontem, foi mais uma desses momentos de propaganda balofa. 
Finalmente, parabéns aos serviços de Protecção Civil, que cumpram a sua missão num quadro onde muito está por fazer, e oxalá que as dúvidas suscitadas quanto à segurança dos terrenos onde agora estão instalados não passem disso mesmo, de meras dúvidas.
Ilustração: Google Imagens.

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