domingo, 25 de agosto de 2013

A CELEBRAÇÃO DA VIDA E DA MORTE


Foi lindo, ver mais de uma trintena de embarcações, muitas engalanadas, cheias de amigos de calções e chinelos, perfiladas frente ao Jardim do Mar, com o “Stress Zero” no centro, a música, os sons da gaita-de-foles, o fogo-de-artifício, as palmas, a pequena urna de pedra descendo mar abaixo, os abraços e beijos da sentida despedida, as gargantas a chamar por “Testas…Testas”, as flores que encheram o espaço circundante e tantos jogando-se de imediato ao mar num gesto de indescritível sentimento de amizade, como que o abraçando e se divertindo com a figura que ali, fisicamente, já não estava, mas estava repousando lá no fundo! Depois, esse ror de amigos, já em terra, no Portinho do Jardim do Mar, confraternizando e mantendo viva a memória, tal como o Miguel sempre fazia com os seus amigos. Porque a vida é sempre um instante e a amizade não deve ser perdida. Verdadeiramente fantástico e emocionalmente indescritível, repito.


Ontem, mesmo em dia trágico, concederam-me a possibilidade de viver um dos momentos mais bonitos e sentidos da minha vida. É muito difícil descrever por palavras o turbilhão de emoções na despedida do meu querido Amigo e cunhado Miguel Jardim (carinhosamente conhecido por "Testas"). Momentos, repito, trágicos pelo desaparecimento físico de uma pessoa, mas inesquecíveis pela forma como tudo se processou. Momentos que, certamente, a todos proporcionou uma reflexão sobre a fugaz vida no contexto do tempo cósmico e a celebração do instante da morte. Se a vida deveria ser vivida como Miguel a construiu, a morte terrena também deveria ser, sem excepção, a manifestação do carinho de todos quantos tiveram a possibilidade de com ele viver e conviver. Uma vida cheia de amigos, sem ódios e sem rancores, oferecendo a camisa pelo outro, trabalhado duro, muito duro, mas gozando também os momentos de lazer, comedidamente, embora com enorme intensidade. Foi lindo, ver mais de uma trintena de embarcações, muitas engalanadas, cheias de amigos de calções e chinelos, perfiladas frente ao Jardim do Mar, com o “Stress Zero” no centro, a música, os sons da gaita-de-foles, o fogo-de-artifício, as palmas, a pequena urna de pedra descendo mar abaixo, os abraços e beijos da sentida despedida, as gargantas a chamar por “Testas…Testas”, as flores que encheram o espaço circundante e tantos jogando-se de imediato ao mar num gesto de indescritível sentimento de amizade, como que o abraçando e se divertindo com a figura que ali, fisicamente, já não estava, mas estava repousando lá no fundo! Depois, esse ror de amigos, já em terra, no Portinho do Jardim do Mar, confraternizando e mantendo viva a memória, tal como o Miguel sempre fazia com os seus amigos. Porque a vida é sempre um instante e a amizade não deve ser perdida. Verdadeiramente fantástico e emocionalmente indescritível, repito. 
Por extensão, esta cerimónia acabou por ser uma lição para reflectir em contraponto com a imagem que temos de um funeral. Ali, as emoções de profunda tristeza misturaram-se com a alegria, a cerimónia pesada de um cemitério, os cumprimentos de pesar junto aos da primeira fila, os terríveis sons dos passos no areão até à pavorosa descida à terra, deram lugar à explosão de cores, a um sentimento de profundíssima amizade em memória de um homem que não se esquece. Lindo. As convicções de cada um, sejam elas quais forem, integralmente respeitadas, a celebração da vida e da morte, essa foi diferente. Jamais esquecerei. Até sempre, MIGUEL.

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