quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"DISPARATES DE LISBOA"


"Disparates de Lisboa" - disse. Como se Lisboa tivesse imposto o desordenamento do território, autorizado as obras, os endividamentos, os swaps, o "factoring", as ruinosas parcerias público-privadas, a subsidiodependência, as facturas escondidas, os favores à (e da) Igreja, a política de saúde e de educação, o Jornal da Madeira, enfim, Lisboa, quanto muito, foi culpada, isso sim, pela falta de democracia na Região e por ter engolido, desde o Presidente da República aos diversos governos, as sistemáticas bojardas que dele partiram. Haverá dúvidas?


Cruzei-me com um empresário com algumas dezenas de colaboradores à sua responsabilidade. Homem sereno, íntegro e extremamente preocupado com a situação económica e financeira da Madeira. Uma conversa demorada, amena e enriquecedora. A páginas tantas lamentou-se, dizendo que bastaria que o governo regional pagasse uma significativa parte dos trabalhos realizados e tudo estaria na normalidade, inclusive, não sentiria a angustiante necessidade de despedir. Ora, este é, se não o principal um dos maiores problemas da Madeira, o da sustentabilidade da sua economia e da concomitante empregabilidade. Mas o homem que diz que governa isto continua a repetir, vezes sem conta, que a culpa é da maçonaria e das sociedades secretas. Meteu-se-lhe isto na cabeça e nós temos que gramar esta repetida cantilena. Neste aspecto é portador da tecnologia de um relógio suíço. Repete e repete indiferente ao tempo. No Porto Santo, reclamou por mais Autonomia porque não está para aturar os "disparates de Lisboa".
Endividou a Região até ao tutano, serviu-se dos empresários, muitos, de boa-fé, concorreram, ganharam os concursos, prestaram os serviços e, agora, estão de mãos a abanar à espera que sua excelência tenha um gesto de sensibilidade política mandando pagar aquilo que a Região deve. Quer mais autonomia para quê? Para gastar à fartazana nas suas megalomanias que apenas servem os momentos de inauguração? O que têm a ver a Maçonaria e as sociedades secretas com o polvo de interesses que aqui estabeleceu e que desgraçou a Madeira com o selo da sua desastrosa governação? Este homem que diz governar a Região ainda não percebeu que não é vítima? Que a culpa é dele e de todos os outros, alguns pintados de fresco, que beberam e se vergaram durante anos à sua cartilha? Que a dupla austeridade tem raiz nos problemas que criou e que se uma mais alargada Autonomia não dispomos, antes hipotecou-a, é consequência da sua histórica incapacidade no plano negocial?
"Disparates de Lisboa" - disse. Como se Lisboa tivesse imposto o desordenamento do território, autorizado as obras, os endividamentos, os swaps, o "factoring", as ruinosas parcerias público-privadas, a subsidiodependência, as facturas escondidas, os favores à (e da) Igreja, a política de saúde e de educação, o Jornal da Madeira, enfim, Lisboa, quanto muito, foi culpada, isso sim, pela falta de democracia na Região e por ter engolido, desde o Presidente da República aos diversos governos, as sistemáticas bojardas que dele partiram. Haverá dúvidas?
Ilustração: Google Imagens.
Nota: Opinião da minha responsabilidade publicada na edição de hoje do DN-Madeira.

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