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sábado, 17 de agosto de 2013

RESCALDO



Não é hora para grandes balanços face a esta nova tragédia que se abateu sobre o Funchal. Quem o fizer corre o risco de ser mal interpretado e tido como abutre da política. Não o quero fazer, por uma questão até de respeito pelas pessoas que perderam tudo ou quase tudo, e por todos aqueles, protecção civil, bombeiros, médicos, enfermeiros, forças de segurança e populares que tudo deram (e continuam) no sentido de atenuarem, esta sim, enorme facada nas costas dos funchalenses. Não deixo, porém, de deixar aqui registados dois aspectos que devem merecer reflexão: primeiro, continuamos a não aprender com a História, continuamos a aceitar que a vida de todos nós tem de ser vivida em permanente risco e continuamos, por extensão, a não querer ver que o desordenamento territorial favorece momentos de tragédia. Passaram-se mais de trinta anos a sugerir um "plano integrado de desenvolvimento para as zonas altas"; segundo, é-me difícil compreender que o Funchal estivesse a arder e que o "chefe" da Região não interrompesse as férias. Pelo contrário tivesse continuado a "tocar harpa" com um discurso oco e sem sentido quando resolveu atirar, uma vez mais, para a Justiça da República Portuguesa uma certa culpa, porque "continuamos a ter indícios de criminalidade nestas coisas". E as Forças Armadas até lhe disponibilizaram um avião para trazê-lo ao Funchal. Não que viesse ajudar a apagar os fogos, mas daria um sinal, no mínimo, de solidariedade para com as vítimas desta situação. Deixou tal responsabilidade ao seu colega de governo, o secretário regional dos Assuntos Sociais que tem a tutela da Protecção Civil. Deste, a única coisa que se ouviu foi a declaração patética para "todos, todos os madeirenses, evitarem fazer fogos, porque está vento e calor". Revoltante.
Como salientei, há muito para equacionar depois de mais esta tragédia. Ficará para depois, com a serenidade possível, depois de olharmos para o negro da paisagem e descomprimirmos a revolta. 
Ilustração: Arquivo próprio.

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