quinta-feira, 19 de setembro de 2013

AINDA EXISTE REPRESENTANTE DA REPÚBLICA?


É caso para perguntar: por anda o Representante da República? E se isto pergunto é porque a instituição é, do meu ponto de vista, aquela que poderia fazer respeitar as regras do jogo democrático. Continuar a fazer de conta que não vê nada, não é, certamente, um bom caminho, por um lado, porque dá a entender à população uma espécie de subtil colagem ao poder, por outro, que a função não se justifica no quadro do solene compromisso do Presidente da República: cumprir e fazer cumprir a Constituição. Aliás, entre os Órgãos de Soberania, continua a assistir-se a um jogo de agachados, ninguém intervém, ninguém chama à atenção e, entre outros, o Jornal da Madeira continua a sua saga de impunidade absoluta em plena campanha eleitoral, num período sensível que deveria ser observado como de todos em igualdade de circunstâncias. Uma lástima. Assiste-se a uma atitude anti-democrática de inaugurações públicas e privadas, visitas aqui e acolá com cobertura mediática, dando palco a políticos que os utilizam para promoverem campanhas partidárias, responderem a outras candidaturas, sabendo que o contraditório pura e simplesmente não existe. E perante isto, o silêncio, dois tampões nos ouvidos e uma venda nos olhos. Não querem saber de nada, como se esta não fosse uma Região de Portugal. Como se isto por aqui fosse uma espécie de terra de ninguém, um lugar onde pode imperar a lei da selva. 



Mas não é apenas este aspecto que provoca náusea política. É, ainda por cima, a mentira dita de forma séria, dirigida às franjas da sociedade que, infelizmente, o regime condicionou e que exprimem muitas dificuldades para perceber o que se esconde para além das palavras. Por exemplo, ainda anteontem, o presidente do governo falou da necessidade de "reaquecer o sector da construção civil". "Reaquecer" o quê? Parafraseando, eu diria que nem dinheiro têm para "aquecer" as águas das piscinas! 
O mais interessante é Alberto João Jardim, na mesma edição do JM, mas em artigo de opinião, assumir: "(...) Porque é tontice, continuar a fazer a figura triste de enfiar o que todos vêem ser uma aldrabice". Exacto, digo eu, Dr. Jardim, as suas palavras encaixam-se exactamente nessa política de aldrabice, de atirar poeira para os olhos, de querer manter-se na crista da onda à custa das atitudes matreiras e de mil e um enganos ao povo. Eu diria mais, o Dr. Jardim tem, neste quadro, um doutoramento em aldrabice política, sabe do que fala quando escreve: "(...) Há gente que só gosta de "música" para os ouvidos, mesmo sabendo que nada daquilo é realizável. É como uma bebedeira psíquica. Votam, ébrios, no seu "clube político" e, passada a carraspana, são os primeiros a berrar contra aquilo que é fruto da sua própria irresponsabilidade (...)". Julgo que ninguém conseguiria dizer melhor. Significa isto que, não apenas utiliza os meios de forma anti-democrática, como utiliza o discurso da sua aldrabice em proveito político próprio. 
Sem dinheiro no cofre, com uma gigantesca dívida, com o "livro de cheques" nas mãos do ministério das Finanças, com um povo encostado à parede, este homem continua sem saber o que diz: "(...) neste momento, o nosso objectivo é terminar as obras que estão por terminar". Isto é, quando a grande prioridade se situa na Educação, nos Assuntos Sociais e Saúde e na Economia geradora de postos de trabalho e no pagamento das dívidas aos fornecedores, a sua aposta continua a ser a política do cimento, exactamente aquela que conduziu a Região ao colapso. Melhor dizendo, numa altura que se torna necessário diversificar e apostar em sectores que possam gerar riqueza, o governo insiste numa política de obra pública como se o espaço territorial habitável da Madeira não fosse finito. 
É, por isso, e tudo o que não se sabe, que a MUDANÇA se justifica. Chega de paleio e de atitudes que caracterizam a "aldrabice". Chega de ameaças, como a de ontem aos jornalistas (na RTP/RDP "vão todos para a rua"). O discurso tem de ser outro, de correcção do passado, de uma ida às causas e, pacientemente, nelas trabalhar. O discurso e a atitude política não pode nem deve confinar-se ao próximo quadro comunitário de apoio, para gáudio de meia-dúzia e contínuo empobrecimento da maioria da população. Há que ter atenção ao sector da construção civil onde se regista muito desemprego, porém, um caminho de futuro não pode seguir as mesmas lógicas políticas do passado. Quem repete o passado não pode esperar outros resultados se não os que esse passado proporcionou. 
Ilustração: Google Imagens.

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