sexta-feira, 6 de setembro de 2013

GRATIDÃO?


A ingratidão é deficiência do ser humano, sublinhou presidente do governo regional da Madeira. "(...) Uma das dificuldades que a Madeira tem às vezes é reconhecer o nosso trabalho (...) várias vezes aparece uma ingratidão para com essa dedicação e para com esse empenho que é uma ingratidão absolutamente inadmissível, mas que é uma consequência da deficiência do ser humano". Trata-se de uma declaração, no mínimo, irritante e intolerável. Na política não pode existir gratidão. A gratidão existe quando alguém, não sendo a tal obrigado, desenvolve uma série de comportamentos que se traduzem na solução dos problemas dos outros. Por solidariedade e amor ao próximo sem exigência de reconhecimento. No exercício da política não é assim. Voluntariamente os cidadãos candidatam-se, assumem os lugares e com o dinheiro público são obrigados a gerar o crescimento e o desenvolvimento. Não se trata de dinheiro próprio aplicado em benefício dos outros, mas de dinheiro colectivo, proveniente de impostos, taxas e sobretaxas colocado ao serviço do bem comum. É absurdo falar de gratidão ao presidente do governo, ainda para mais porque quando existe dinheiro empreiteiros não faltam! Não pode existir gratidão pela abertura da estrada, pela habitação social criada, pela energia que chega ou pelo transporte da água ao sítio mais recôndito. Esses são direitos do cidadão e deveres de quem governa. 


Por outro lado, quando ele fala de ausência de gratidão, demonstra que o chão lhe foge. Sente que as vénias não se dão como em outros tempos e que o povo começa a ter a noção que foi enganado. É natural que o povo se interrogue, visionando o filme dos acontecimentos, se o dinheiro de todos nós não deveria ter sido aplicado de outra maneira: numa economia mais diversificada e consistente, nos factores geradores de emprego, no esbatimento da pobreza, na educação, na saúde e nos complementos de apoio social aos mais desfavorecidos. Essa leitura de processo começa a ser elaborada e, talvez por isso, sente que o chão lhe foge. Quem fala de gratidão no exercício da política parece querer dar a entender, louvem-me, teçam hossanas em meu favor, garantam-me mais um mandato, proclamem sem rebuço que tudo isto a mim se deve ou, então, depois de mim, o caos! Qual gratidão, qual carapuça!
Quase quarenta anos depois, parece ser seu desígnio bater um qualquer recorde de longevidade política, mas o que fica para a História é um brutal endividamento que os madeirenses não conseguirão pagar, uma constrangedora dupla austeridade, pobreza por todo o lado, uma substancial economia paralela, falências e desemprego. Gratidão, por este quadro verdadeiramente assustador? Tal como tenho como princípio deste blogue: tudo tem o seu tempo e este governo já teve o seu! Jardim deveria compreender isso e mais, tal como Gaston Bachelard que "(...) não há uma verdade fundamental, apenas há erros fundamentais."
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Este senhor fala como se não fosse sua obrigação, ajuramentada, governar bem. Mesmo que o tivesse feito, não seria favor nenhum.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Nem mais. Quer ser sempre o centro e não se dá conta que já está na periferia!