segunda-feira, 2 de setembro de 2013

MAS O QUE É REFORMAR O ESTADO?


Não é um catraio, um traquinas ou um rapaz rebelde. Não, ele sabe o que anda a fazer e por quem anda a fazer. Daí que demonstre, debaixo daquela cara de anjinho, por vezes com um ligeiro sorriso, que é, politicamente, um sujeito a evitar. Detesto mentirosos, gente que promete e não cumpre, que aldraba através da palavra (ver aqui), gente que incute o medo ao jeito de, se não for assim, pior será! Repudio políticos com responsabilidades governativas, eleitos segundo os normativos constitucionais e que, depois, vociferam contra a Lei das Leis, a nossa Constituição. Passos Coelho ainda ontem disse: "(...) É um absurdo" que o Governo não possa reformar o Estado, deixando críticas ao Tribunal Constitucional pela interpretação da Lei Fundamental. Mas quem é este senhor, que qualificações académicas tem para dizer que falta bom senso aos juízes do Tribunal Constitucional? Por outro lado, o que é reformar o Estado? É garantir o despedimento rasgando os contratos celebrados? É entregar, de mão beijada, os sectores estratégicos de desenvolvimento do País aos privados? É cortar, sem dó nem piedade, nos direitos sociais adquiridos? É promover a mobilidade dos cidadãos, colocando-os na antecâmara do despedimento, fragilizando a estrutura da família? É roubar ou confiscar as pensões de quem trabalhou quarenta e mais anos, entregando valores porque acreditando que o Estado era pessoa de bem? É impor uma insuportável carga fiscal? Oh Dr. Passos Coelho e Dr. Paulo Portas, por favor, desamparem-nos a loja!


Daniel Oliveira, jornalista do Expresso, publicou um texto sobre o primeiro-ministro. Deixo-o aqui à consideração dos que por aqui passarem.
"Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas ficaram para sempre endurecidas na sua incapacidade de sofrer pelos outros. São cruéis.
Há pessoas que tiveram uma vida mais fácil. Mas, na educação que receberam, não deixaram de conhecer a vida de quem os rodeia e nunca perderam a consciência de que seus privilégios são isso mesmo: privilégios. São bem formadas.
E há pessoas que tiveram a felicidade de viver sem problemas económicos e profissionais de maior e a infelicidade de nada aprender com as dificuldades dos outros. São rapazolas.
Não atribuo às infantis declarações de Passos Coelho sobre o desemprego nenhum sentido político ou ideológico. Apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha, a líder partidário com a inteligência de uma amiba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber que não é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições.
Serei insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com esta leviandade das dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse o "risco"?
Sobre a caracterização que Passos Coelho fez, na sua intervenção, dos portugueses, que não merecia, pela sua indigência, um segundo do tempo de ninguém se fosse feita na mesa de um café, escreverei depois. Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir:
Como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro?"

A propósito do dito...

Nome: Pedro Passos Coelho
Data de nascimento: 24 de Julho de 1964
Formação Académica: Licenciatura em Economia pela Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade)
Percurso profissional: Até 2004, apenas actividade partidária na JSD e PSD.
A partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de Partido, Eng.º Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado moço-de-fretes, tais como:
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2007-2009) Presidente da HLC Tejo, SA;
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest;
(2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente, SA;
(2005-2009) Presidente da Ribtejo, SA;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA;
(2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA;
(2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo, SA.
E é este homem que:
Nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade!
Mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a Licenciatura (numa universidade privada) aos 37 anos de idade!
Sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logo obter emprego como ADMINISTRADOR!
E se atreve a:
Falar de mérito profissional e de esforço na vida!
Pretender dar lições de vida a milhares de trabalhadores deste país que nunca chegarão a administradores de coisa alguma, mas que labutam arduamente há muitos anos, ganhando salários de sobrevivência! 
Ilustração: Google Imagens.

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