segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O JARDINISMO NÃO É HOJE MAIS DO QUE UM ESQUELETO ANDANTE


A verdade é que o resultado das eleições de ontem prognosticam que nada ficará como antes. Toda esta gentinha que ocupou e ocupa lugares de relevo na Administração Pública e que, directa ou indirectamente, foram correias subservientes de transmissão do poder, interpretando, ao milímetro, a vontade de um homem, todos vão começar a sentir que terão de pensar que não são donos de nada e de ninguém, que vão ter de se habituar a outras formas de comportamento político e que o exercício da política não constitui uma profissão, antes um serviço público à comunidade. A LIBERDADE chegou e, das duas, uma, ou adaptam-se ou sentir-se-ão desajustados face ao regime democrático. Mas, também, é preciso que os vitoriosos interpretem esta vitória regional com generosidade. Eu acredito que tal venha a acontecer, isto é, que toda a histórica oposição saiba apagar um passado de medos sem fim, de subtis perseguições, de ameaças, de insultos e de ofensas a tantos. É imperioso que tal aconteça, porque o pior que a Madeira poderá experimentar é a instabilidade fruto da ignição de situações que coloquem uns contra os outros. Não se pode esquecer o que aconteceu, sobretudo para correcção dos caminhos do futuro, mas a nobreza da política implica a tolerância e o respeito. Jardim perdeu e a Madeira ganhou. O jardinismo não é hoje mais do que um esqueleto andante. O povo cansou-se do palavreado, do grotesco, de um bando de interesseiros que, paulatinamente, construíram uma rede de malha muito larga por onde passaram tubarões que escravizaram o povo. Falo da política educativa, da política de saúde, da política ambiental, da política económica, da política financeira, da política social, da política de hostilidade permanente aos Órgãos de Soberania, até às políticas em defesa do ordenamento do território. O povo cansou-se dos inimigos externos, das culpas serem sempre endossadas aos outros, do discurso falacioso da Constituição da República, da ausência de assumpção de responsabilidades, cansou-se de ver peitos que pouco valem sempre cheios de ar venenoso. Acabou. 

A vitória no Funchal tem um significado
muito especial no conjunto de outras vitórias (mais seis)
ao nível Regional. O PSD perdeu, inclusive,
a liderança da Associação de Municípios.

Um velho mas discreto combatente pela DEMOCRACIA agarrou-se ao meu pescoço, num forte e sentido abraço e segredou-me: "cheguei a pensar que não assistiria a este momento". Passou a mão pelos olhos. A emoção tomou conta de mim. Há momentos que, de facto, são marcantes na vida das pessoas, desde a família à superação de tantas agruras até à vivência no colectivo no qual nos integramos. Neste particular, estamos hoje a viver um dia só comparável com o 25 de Abril. Este sub-regime do regime democrático sofreu um golpe pela via da vontade popular, o que equivale dizer que começou o desmantelamento de uma estrutura partidária tentacular que sufocou madeirenses e portosantenses durante 37 anos. O que é espantoso é que o homem que liderou todo este processo construído sobre uma permanente mentira política, ontem, impiedosamente derrotado pelo povo, assumiu não demitir-se e, pior ainda, veladamente, ter transmitido a ideia que o povo assim votou, mas que terá de assumir as responsabilidades desse voto. Eu diria que foi a cereja em cima de um bolo que tresanda, cujo prazo de validade há muito expirou. Uma declaração que é uma espécie de declaração de guerra a um povo que, claramente, não o quer por perto. Não sei se o posso classificar de ditador genuíno, mas que tem pinceladas dessa natureza, disso não tenho dúvidas.
A verdade é que o resultado das eleições de ontem prognosticam que nada ficará como antes. Toda esta gentinha que ocupou e ocupa lugares de relevo na Administração Pública e que, directa ou indirectamente, foram correias subservientes de transmissão do poder, interpretando ao milímetro, a vontade de um homem, todos vão começar a sentir que terão de pensar que não são donos de nada e de ninguém, que vão ter de se habituar a outras formas de comportamento político e que o exercício da política não constitui uma profissão, antes um serviço público à comunidade. A LIBERDADE chegou e, das duas, uma, ou adaptam-se ou sentir-se-ão desajustados face ao regime democrático. Mas, também, é preciso que os vitoriosos interpretem esta vitória regional com generosidade. Eu acredito que tal venha a acontecer, isto é, que toda a histórica oposição saiba apagar um passado de medos sem fim, de subtis perseguições, de ameaças, de insultos e de ofensas a tantos. É imperioso que tal aconteça, porque o pior que a Madeira poderá experimentar é a instabilidade fruto da ignição de situações que coloquem uns contra os outros. Não se pode esquecer o que aconteceu, sobretudo para correcção dos caminhos do futuro, mas a nobreza da política implica a tolerância e o respeito. Lembremo-nos de Mandela!
Jardim perdeu e a Madeira ganhou. O jardinismo não é hoje mais do que um esqueleto andante. O povo cansou-se do palavreado, do grotesco, de um bando de interesseiros que, paulatinamente, construíram uma rede de malha muito larga por onde passaram tubarões que escravizaram o povo. Falo da política educativa, da política de saúde, da política ambiental, da política económica, da política financeira, da política social, da política de hostilidade permanente aos Órgãos de Soberania, até às políticas de ordenamento do território. O povo cansou-se dos inimigos externos, das culpas serem sempre endossadas aos outros, do discurso falacioso da Constituição da República, da ausência de assumpção de responsabilidades, cansou-se de ver peitos que pouco valem sempre cheios de ar venenoso. Acabou. A Madeira, toda a Região, fez despoletar novos protagonistas e novas políticas, novas ideias, uma outra forma de estar no exercício da política, no pressuposto que a criatividade e a capacidade de diálogo não são privilégio de uns quantos que se apoderaram do poder. Somos muitos com qualidades bastantes para governar o colectivo de forma ambiciosa e no sentido da justiça social. Estou em crer que, ontem, o povo da Região deu um gigantesco passo no sentido de uma terra onde não haja mais direitos do que justiça.
Finalmente, três notas: uma palavra para os seis partidos desta Coligação "MUDANÇA". Foram fantásticos desde a primeira hora as direcções do PS, BE, MPT, PTP, PND e PAN. E oxalá que ninguém retire dividendos deste exemplar abraço. O Dr. Paulo Cafôfo e a sua equipa têm um mandato que precisa de ser enquadrado à luz do bom senso, até porque outras batalhas políticas se avizinham, sobretudo, a de 2015 que poderá ser a do definitivo enterro de uma política cuja megalomania gerou 25.000 desempregados, pobreza e uma colossal dívida de 6.3 mil milhões, fora mais de dois mil milhões de parcerias público-privadas; uma outra palavra para todos os lutadores dos vários partidos políticos que, ao longo de tantos anos, opuseram-se, sofreram as consequências das suas atitudes, mas mantiveram-se fiéis às suas convicções. É preciso ler, entre outras, a História do Parlamento da Madeira, as propostas apresentadas e chumbadas, a história dos insultos mais reles e ordinários, o rol de perseguições onde a própria Igreja não está imune (estou a lembrar-me dos silêncios cúmplices e, por exemplo, da suspensão, sem julgamento, do Padre Martins Júnior) e as angústias que transportaram ao longo de anos. Esta vitória é também deles, entre os quais, muitos que já partiram deste mundo sem poderem ver a concretização da normalidade democrática que, agora, dá os seus primeiros passos; terceira palavra, para os grandes vencedores em Machico, Porto Santo, Porto Moniz, S. Vicente, Santa Cruz e Santana. Um longo e difícil caminho vos espera.  
Uma nota de rodapé neste texto escrito ao correr do pensamento: ontem, abracei a Senhora D. Guida Vieira, uma dessas lutadoras, que me disse: "como o Paulo Martins gostaria de aqui estar a festejar este momento!". Está hospitalizado, mas votou. Um abraço Paulo e rápidas melhoras. Sempre em pé.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Fiquei sem fala. Mas tinha de acontecer mais tarde ou mais cedo. A batota nunca teve futuro.

Um grande abraço

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Quando se deu o 25 de Abril estava na Guiné quase a terminar a Comissão. Regressei em Agosto de 1974. Não vivi aqui essa data história, mas saboreei, e de que maneira, esta viragem também histórica na nossa terra. Agora, necessário se torna ter muito juizinho!
Um abraço.