quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CUIDADO COM OS "GENÉRICOS"


O dito está "politicamente morto". Não há quem o salve. Se vai sair pela porta pequena isso é pouco relevante. A verdade histórica, o filme dos acontecimentos políticos, económicos, financeiros, sociais e culturais, os anos a fio de graves ofensas, de prepotência, de arrogância e espezinhamento de outras vozes, diz-nos que nunca deveria ter entrado. Por isso, ralado estou por onde sairá. O exercício da política não é um emprego e quem não percebe que, em democracia, o serviço público à comunidade tem regras e um prazo de validade, leva-me a dizer que, ao tempo, Jardim foi um "erro de casting"! A sua política foi a de um empreiteiro sem noção dos encargos futuros. Desse erro já estamos a pagar com desemprego, pobreza e uma dupla, severa e penosa austeridade. Repito, quero lá saber se sairá pela porta pequena ou pela janela grande com a ajuda do piquete dos bombeiros municipais! O problema agora já não é esse, uma vez que o plano inclinado da sua vida política é semelhante à de um grande tobogã onde, depois de iniciada a descida já não há regresso. O drama, embora seja um problema da estrutura interna do partido, é, para a população da Madeira, a sua substituição por um qualquer que ontem esteve ao seu lado, que lhe bateu palmas, que se curvou, que passou anos e anos de bico bem caladinho e que, iniciada já há algum tempo essa descida vertiginosa e sem regresso, apresenta-se agora travestido de democrata, como se nada tivesse a ver com aquilo que o homem andou a fazer! Escrevo no singular mas pode ler-se no plural. Aí, alto, parecem-me aqueles desenhos, descubra as dez diferenças entre um e outro! E, de facto, descobre-se, um risquinho aqui outro acolá, mais cabelo branco aqui menos acolá, mais barba aqui menos acolá, enfim, um jogo de paciência para passar o tempo como se toda a Região fosse um centro de dia. Só que a vida colectiva e o futuro não pode confinar-se a entretenimentos dessa natureza. No fundo, os desenhos são semelhantes, a cor igual, as posições dos bonecos não divergem, as cumplicidades são as mesmas e daí que o problema dos próximos tempos não esteja no nome da personagem, mas em não comprar um produto cuja "substância activa" e dose seja exactamente igual à anterior embora com revestimento diferente. A questão que se colocará nos próximos meses é a de não permitir que a população da Madeira adquira um genérico quando há possibilidade de todos dispormos de um produto original nascido da sociedade.




Li o artigo de Daniel Oliveira no Expresso. A páginas tantas sublinha: "(...) Sem dinheiro, sem grande parte do poder local, com o partido rachado a meio e com todos os ratos a abandonar o barco, Alberto João está politicamente morto. Não tem os instrumentos - o dinheiro e as fidelidades que ele compra, o medo e os silêncios que ele garante - para se manter no poder. A sua promessa de purga interna é apenas um daqueles momentos patéticos que a paranóia de todos os pequenos déspotas sempre nos reserva no momento de caírem da cadeira do poder (...)"Comungo desta opinião: o dito está "politicamente morto". Não há quem o salve. Se vai sair pela porta pequena isso é pouco relevante. A verdade histórica, o filme dos acontecimentos políticos, económicos, financeiros, sociais e culturais, os anos a fio de ofensas, de prepotência de arrogância e espezinhamento de outras vozes, diz-nos que nunca deveria ter entrado. O exercício da política não é um emprego e quem não percebe que, em democracia, o serviço público à comunidade tem regras e um prazo de validade, leva-me a dizer que, ao tempo, Jardim foi um "erro de casting"! A sua política foi a de um empreiteiro sem noção dos encargos futuros. Desse erro já estamos a pagar com desemprego, pobreza e uma dupla, severa e penosa austeridade. Quero lá saber se sairá pela porta pequena ou pela janela grande com a ajuda do piquete dos bombeiros municipais. O problema agora já não é esse, uma vez que o plano inclinado da sua vida política é semelhante à de um grande tobogã onde, depois de iniciada a descida já não há regresso. O drama, embora seja um problema da estrutura interna do partido, é, para a população da Madeira, a sua substituição por um qualquer que ontem esteve ao seu lado, que lhe bateu palmas, que se curvou, que passou anos e anos de bico bem caladinho e que, iniciada já há algum tempo essa descida vertiginosa e sem regresso, apresenta-se agora travestido de democrata, como se nada tivesse a ver com aquilo que o homem andou a fazer! Escrevo no singular mas pode ler-se no plural. Aí, alto, parecem-me aqueles desenhos, descubra as dez diferenças entre um e outro! E, de facto, descobre-se, um risquinho aqui outro acolá, mais cabelo branco aqui menos acolá, mais barba aqui menos acolá, enfim, um jogo de paciência para passar o tempo como se toda a Região fosse um centro de dia. Só que a vida colectiva e o futuro não pode confinar-se a entretenimentos dessa natureza. No fundo, os desenhos são semelhantes, a cor igual, as posições dos bonecos não divergem, as cumplicidades são as mesmas e daí que o problema dos próximos tempos não esteja no nome da personagem, mas em não comprar um produto cuja "substância activa" e dose seja exactamente igual à anterior, embora com revestimento diferente. A questão que se colocará nos próximos meses é a de não permitir que a população da Madeira adquira um genérico quando há possibilidade de todos dispormos de um produto original nascido da sociedade.
Nos próximos anos
só pode sair fumo!
É que, à luz da História, convicto estou que nos próximos anos, dali não sairá nada de novo, quando muito nascerão clones de uma política que deu naquilo que todos sofremos. No plano estritamente político penso ser hora de lutar contra novos enganos, de um regresso ao passado e de não permitir sequer o benefício da dúvida. Dali não podem sair águias, apenas duques! Dali não se podem esperar grandes rasgos, uma nova inteligência, simplesmente porque o ambiente criado durante quase quarenta anos levará anos a dissipá-lo. Não tardarão as lutas de galos na busca do melhor poleiro, o emergir das acusações de culpabilidade, a posições de espera para saltar para a carruagem dianteira, golpes palacianos, facadinhas, enfim, o habitual drama nos partidos políticos que passam por lideranças autocráticas que se sentem insubstituíveis. Quando chega a hora do confronto e da manutenção dos lugarzinhos, é um Deus me acuda!
Enquanto cidadão defendo que a hora é, portanto, de varredura política. De uma ponta à outra. A começar pelas próximas Europeias. Chega de quase quarenta anos de um partido que governou, como caracteriza Daniel Oliveira, "com dinheiro e as fidelidades, com o medo e os silêncios". Impõe-se uma cura de oposição, pois a sociedade é muito mais que as figuras conhecidas e muito mais que aquele leque de deputados. E essa mudança leva tempo, muito tempo a fazer-se. Nos partidos políticos os interesses acotovelam-se e quando a renovação não se verifica e as vozes são silenciadas, obviamente que entram em colapso sendo a sua recomposição lenta. Do meu ponto de vista é essa a discussão que os partidos políticos deverão iniciar. No essencial, como chegar a 2015 (se este governo chegar) com a população esclarecida e com uma estrutura que permita, em alargada conjugação de esforços, ganhar o poder a quem deseje, novamente, vender gato por lebre. É a minha opinião.
Ilustração: Google Imagens.

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