quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ELE PEDIU PARA O OURO NÃO SER ENTREGUE AO BANDIDO. A POPULAÇÃO ASSIM FEZ!


A panela de pressão rebentou e sinto que se alastra, todos os dias, uma silenciosa fúria contra Alberto João Jardim que ultrapassa muito o humor no debate político. É evidente que se tivesse um palmo de cara, perante os resultados eleitorais, tinha já apresentado a sua demissão. Em 2007, quando tal não se justificava, por causa da Lei das Finanças Regionais, demitiu-se e provocou eleições antecipadas. Hoje, no pântano que ele próprio criou, mantém-se agarrado como uma lapa ao poder. Ora, essa fúria que anda no ar, bem sensível nas redes sociais, pode descambar para situações menos agradáveis. Embora sejam vergonhosos os tempos passados, é do maior bom senso que saibamos travá-las. O mentor da tragédia deve sair, rapidamente, de cena, mas distante de qualquer azedume gerador de confronto. A paz é o melhor bem que podemos ter na nossa terra, se bem que não exista paz social quando existe fome. Ele não terminará com dignidade o seu mandato, porque a palavra dignidade tem um significado maior do que aquele que vulgarmente se atribui. Essa constitui a maior penalização de consciência que um político, com um palmo de cara, pode sentir. Em nome da paz e da (re)construção do futuro, seria bom que, politicamente, o ignorássemos, única forma de fazermos jus não ao epíteto de "povo superior", mas de "povo soberano".


O Jornalista Ricardo Duarte Freitas (DN-Madeira) assinou, ontem, um texto muito interessante que me escorreu como mel garganta abaixo. Simplesmente pela capacidade incisiva, tal como um praticante de tiro com arco coloca a flecha no centro do alvo. Deixo aqui uma das suas passagens: "(...) No último domingo, o povo desfez em sete bocados o crânio do pensamento único. E apontou um novo rumo ao futuro. Pode haver muitas dívidas, mas há a certeza de uma coisa: nada poderá voltar a ser como dantes. Sem chaimites nas ruas, chegou a revolução da manifestação da consciência individual, a concretização da liberdade de expressão para além das paredes falantes, dos muros das lamentações ou dos murros nas mesas dos cafés. Tudo isto já se sentia, em surdina. Sem machados de guerra, sem tácticas obscenas, o veredicto popular ditou um novo ciclo. Por ironia do destino, assinou-se nas urnas a certidão de óbito dos eufemismos, das hiperbolizações, das farsas do regime. A democracia que floresce por estes dias na Madeira está carregada de figuras de estilo. Afinal, não há Povo Superior nenhum. (...) Ao fim de 37 anos, o povo demonstrou que não quer mais ser superior. Quer ser igual a si próprio. Soberano. (...)". Ora, sempre me criou "urticária" a mentira do "povo superior" fosse qual fosse o seu enquadramento. Uma expressão falaciosa que apenas serviu, durante anos, para que o autor desta tramóia fizesse tudo e mais alguma coisa nas costas dos madeirenses e portosantenses. Apunhalou-o com palavras doces, enchendo o ego dos mais frágeis. Provou-se, como escreveu Ricardo Freitas, que o povo, afinal, sempre foi e é soberano nas suas decisões. E será esse o povo que vai colocar um ponto final no esbanjamento de dinheiros públicos, para alimentar a teia de interesses e a megalomania de uns quantos que viveram e ainda vivem à mesa do orçamento, enquanto o enganavam com a treta do "povo superior". 
Mas o que me leva a escrever é uma outra razão. Sempre fui um opositor político de Alberto João Jardim. Dele e de toda a sua "entourage". Abominei as suas atitudes persecutórias, as suas posições de reles ofensa a outros pensamentos, escrevi e continuo a escrever contra a sua permanente mentira, não o suporto enquanto político que utiliza os meios públicos para manter o seu poder e a sua política, considero ordinário o seu posicionamento contra a comunicação social, particularmente, contra o DIÁRIO, onde dezenas estão a sentir as agruras do desemprego que transformam a vida familiar em um inferno, enoja-me ter de ser contribuinte do Jornal da Madeira e de um associativismo que sobrevive pela imposição da mão estendida, tornando-os quase todos dependentes e subservientes, nutro uma enorme repulsa pela sua falta de consideração e respeito pelos empresários que esperam e desesperam pelo pagamento das facturas, embrulha-me o estômago quando se nega a ir ao Parlamento debater e justificar as suas acções políticas, enfim, seria fastidioso enumerar o que, no plano político, as razões que eu e, estou certo, a maioria do povo, leva, a não ter a mínima consideração política por este homem. Esta figura desgraçou a Madeira. Se, em 2011, na altura das eleições legislativas regionais foi assumido que a Madeira estava falida, hoje a situação tende a ser pior, apesar da austeridade imposta. Levar a energia, a água, abrir estradas, promover a habitação social, centros de saúde ou escolas, não conduz a uma leitura de bom governo. Todos sabemos que sempre que há dinheiro empreiteiros não faltam. A governação não se esgota na dita "obra pública". Governar é muito mais do que isso, pois implica pensar não na eleição seguinte mas nas gerações seguintes. E a questão que hoje se coloca é esta: o que fica para o futuro, nos planos económico, financeiro e no sistema empresarial? Como sair de uma loucura que gerou 25.000 desempregados, pobreza, emigração forçada, falências, insucesso e abandono escolar e baixas qualificações difíceis de superar face às exigências deste mundo que atravessamos? Um governo mede-se por aí e não apenas por obras públicas, quando se sabe que dispôs de muitos e muitos milhões vindos da Europa, do orçamento de Estado e dos nossos impostos. Tenho e muitos milhares têm razões suficientes para vociferarem contra a figura que foi o eixo político das decisões. Não aceito que agora se passe uma esponja ou, como virgens ofendidas, alguns venham agora publicar textos quase suplicando... não nos ataquem, respeitam a ordem democrática... quando, durante anos, ofenderam, escrevendo o pior sobre os opositores políticos. Todavia, de todo, sublinho, não acompanho muito do que tenho lido que quase parece quererem passar um bulldozer sobre o mentor da tragédia. A panela de pressão rebentou e sinto que se alastra, todos os dias, uma fúria contra Alberto João Jardim que ultrapassa muito o humor no debate político. É evidente que se tivesse um palmo de cara, perante os resultados eleitorais, tinha já apresentado a sua demissão. Em 2007, quando tal não se justificava, por causa da Lei das Finanças Regionais, demitiu-se e provocou eleições antecipadas. Hoje, no pântano que ele próprio criou, mantém-se agarrado como uma lapa ao poder.
Ora, essa fúria que anda no ar, bem sensível nas redes sociais, pode descambar para situações menos agradáveis. É do maior bom senso que saibamos travá-las. O mentor da tragédia deve sair, rapidamente, de cena, mas distante de qualquer azedume gerador de confronto. A paz é o melhor bem que podemos ter na nossa terra, se bem que não exista paz social quando existe fome. Ele não terminará com dignidade o seu mandato porque a palavra dignidade tem um significado maior do que aquele que vulgarmente se atribui. Essa constitui a maior penalização de consciência que um político, com um palmo de cara, pode sentir. Mas, em nome da paz e da (re)construção do futuro, seria bom que, politicamente, o ignorássemos, única forma de fazermos jus não ao epíteto de "povo superior", mas de "povo soberano".
Ilustração: Google Imagens.

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