sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O PAÍS PERGUNTA... PASSOS COELHO ASSOBIA PARA O LADO!


O artista, tão embrenhado na decapitação do Estado, não conseguiu ouvir os assobios vindos do exterior, a partir dos representantes sentados naquela espécie de arena. Nem desses nem dos seus mais chegados "amigos" de partido. Por exemplo, ainda ontem, Manuela Ferreira Leite notou que "não augura nada de bom" ter uma "classe média em regressão acelerada com políticas que a enfraquece". Mas ele segue, impávido e aparentemente sereno, o seu caminho como se fosse portador de uma verdade absoluta. Para milhões que assistem ao espectáculo, trata-se do caminho da destruição, do empobrecimento sem retorno, do crescimento de milhares em depressão, mas para o"chefe" (nunca será líder de coisa alguma) aí reside o pressuposto que estas "escrituras da direita radical" garantirão o céu a todos quantos seguirem o seu fanatismo. Do que anteontem assisti concluo que estamos a ser conduzidos por uma seita global que tem os seus representantes na Europa e fiéis seguidores em Portugal. Desde entidades patronais até aos representantes dos trabalhadores, passando por todas as estruturas político-partidárias e, ainda, pela generalidade dos comentadores, o acento tónico é que este não é um caminho de sucesso. Só que o "nosso primeiro", com o devido respeito pelos sargentos, não consegue ver o óbvio e vai daí ajoelha-se frente às suas referências e venera-as com total devoção e submissão, de Christine Lagarde a Wolfgang Schäuble, passando por Merkel e Durão Barroso. Há qualquer coisa de politicamente doentio e que nos coloca todos doentes por contágio.



"O País Pergunta" e Passos Coelho não responde. O País pergunta pelo fim do tormento, do empobrecimento, do corte de salários, do roubo nas aposentações e pensões, pergunta, pelo fim do ataque à escola pública e ao serviço nacional de saúde, pergunta sobre as medidas de combate ao desemprego e pelo fim da emigração forçada. Passos Coelho não responde. Faz que não percebe, desvia a conversa, dá a volta e regressa ao ponto de partida, porque estamos em crise, os nossos credores, a honradez, a convergência do sector público com o privado, blá, blá, blá, blá. O quê, os 23% na restauração? Não, as pessoas não se queixam do imposto, mas sim, porque têm menor poder de compra, não vão aos restaurantes! Espantosa justificação! 
Naqueles noventa penosos minutos da RTP1 senti-me num circo, até pela configuração do espaço onde decorreu o debate, a assistir a velhos e repetidos números de malabarismo, de contorcionismo e até, com o devido respeito pela nobre profissão de palhaço, frente a um profissional dessa área, nada ingénuo e rigorosamente nada inocente. Leio que a palavra palhaço deriva do italiano paglia, que quer dizer palha, digo eu, foram noventa minutos de palha em espectáculo aberto, bem encenado, tentando uma empatia com o público, tratando-os pelo nome próprio. Ainda hoje sinto a má disposição. 
O artista, tão embrenhado na decapitação do Estado, não conseguiu ouvir os assobios vindos do exterior, a partir dos representantes sentados naquela espécie de arena. Nem desses nem dos seus "amigos" de partido mais chegados. Por exemplo, ainda ontem, Manuela Ferreira Leite notou que "não augura nada de bom" ter uma "classe média em regressão acelerada com políticas que a enfraquece" e frisou que "não há crescimento económico com elevadas cargas fiscais". Nem que "na prática estejam a ser dados outros nomes, como contribuições". Ele segue, impávido e aparentemente sereno, o seu caminho como se fosse portador de uma verdade absoluta. Para milhões que assistem a este espectáculo há dois anos com sessões contínuas, trata-se do caminho da destruição, do empobrecimento sem retorno, do crescimento de milhares em depressão, mas, para o "chefe" (nunca será líder de coisa alguma), reside aí o pressuposto de que estas "escrituras da direita radical" garantirão o céu a todos quantos seguirem o seu fanatismo. Do que anteontem assisti concluo que estamos a ser conduzidos por uma seita global que tem os seus representantes na Europa e fiéis seguidores em Portugal. Desde entidades patronais até aos representantes dos trabalhadores, passando por todas as estruturas político-partidárias e, ainda, pela generalidade dos comentadores, o acento tónico é que este não é um caminho de sucesso. Só que o "nosso primeiro", também aqui com o devido respeito pelos sargentos, não consegue ver o óbvio e vai daí ajoelha-se frente às suas referências e venera-as com total devoção e submissão, de Christine Lagarde a Wolfgang Schäuble, passando por Merkel e Durão Barroso. Há qualquer coisa de politicamente doentio e que nos coloca todos doentes por contágio. A insensibilidade é quase total. Primeiro, debilita as instituições, em velocidade moderada e regular, para desmantelá-las logo depois. Tem sido assim em sectores estratégicos fundamentais, da educação à saúde até aos de natureza social. A escola e a saúde tendem para a privatização, a segurança social para as seguradoras gulosas por dinheiro fresco. Mais grave ainda, com financiamento público. Para o Estado ficam as margens, os mais pobres dos pobres, qual dádiva, qual favor por existirem. Até os subsídios por morte não escaparam aos desígnios da seita!
Estou em crer que, lamentavelmente, a revolta vem a caminho. Com a reserva de eu pouco ou nada saber de psicologia e de sociologia no que concerne aos comportamentos humanos, penso ser fácil de perceber que o estado de medo poderá crescer ao ponto de um grito de revolta. Por enquanto as pessoas, encostadas à parede, parecem-me apavoradas, sentem os dramas mas acomodam-se, ao jeito de mais vale um do que nada, todavia, duvido que aguentem indefinidamente. Chegará a um ponto que poderão rebelar-se e aí instalar-se-á o caos.
Ilustração: Google Imagens.

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