sábado, 12 de outubro de 2013

UMA POPULAÇÃO DEPRIMIDA E DE BRAÇOS CAÍDOS


Olho em redor e o que mais vejo é gente de braços caídos. Já não apenas os desempregados, os que vivem de mão estendida perante as instituições de solidariedade social, os empresários cheios de problemas por resolver, os reformados e pensionistas diariamente espoliados, mas mesmo aqueles que, ainda tendo ainda trabalho, sentem o roubo às escâncaras perpetrado de forma legal! Transversalmente, de médicos a engenheiros, de arquitectos a advogados, de professores às restantes profissões que servem a sociedade de uma ou de outra forma, até à juventude e aos mais idosos, o que por aí se vê é, claramente, uma população deprimida, sem esperança, de braços caídos, lamentando-se do saque, do dinheiro que não chega para as despesas normais e obrigatórias, da ida às parcas economias amealhadas com sacrifício, obrigada a trabalhar mais horas sem equivalência no produto do seu trabalho, pessoas que trabalham sete meses por ano para entregar ao Estado, pessoas que vêem negados os limitados direitos sociais e sem armas para combater este intencional caminho para a pobreza.


Há muitos anos, não me recordo quem terá dito ou onde li, mas guardei em memória, a pergunta: o que é um pessimista? A resposta: é um optimista com muita experiência! Trata-se de um jogo de palavras, é certo, misturadas com um certo humor. A verdade, porém, é que muitas vezes sinto-me por aí enquadrado, quando tento olhar para o futuro fazendo um esforço para acreditar que este será, apenas, um ciclo da vida e que outros virão devolvendo a esperança, simultaneamente, sinto-me invadido por um certo pessimismo. É que, debaixo dos nossos olhos de actores/observadores, correm situações que, dificilmente poderão ser normalizadas a tempo de assistirmos à felicidade que as pessoas têm direito. O poder da engrenagem internacional, a força trituradora que varre o Mundo, a guerra económica e financeira que esmaga e reduz o ser humano a uma simples peça da poderosa máquina, as largas avenidas do capitalismo selvagem onde meia-dúzia passeia, impondo as regras mais egoístas e desumanas, conduz-me a esse estado de pessimismo, sobretudo à pergunta, como nos libertarmos destas amarras? 
Olho em redor e o que mais vejo é gente de braços caídos. Já não apenas os desempregados, os que vivem de mão estendida perante as instituições de solidariedade social, os empresários cheios de problemas por resolver, os reformados e pensionistas diariamente espoliados, mas mesmo aqueles que, ainda tendo trabalho, sentem o roubo às escâncaras perpetrado de forma legal! Transversalmente, de médicos a engenheiros, de arquitectos a advogados, de professores às restantes profissões que servem a sociedade de uma ou de outra forma, até à juventude e aos mais idosos, o que por aí se vê é, claramente, uma população deprimida, sem esperança, de braços caídos, lamentando-se do saque, do dinheiro que não chega para as despesas normais e obrigatórias, da ida às parcas economias amealhadas com sacrifício, obrigada a trabalhar mais horas sem equivalência no produto do seu trabalho, pessoas que trabalham sete meses por ano para entregar ao Estado, pessoas que vêem negados os limitados direitos sociais e sem armas para combater este intencional caminho para a pobreza.
O que fazer, como sair desta colossal mentira que nos vendem, a tal que configura a terrível frase que nos transmite a ideia que temos de pagar "porque vivemos acima das nossas possibilidades? Mas quem é que viveu? O cidadão dos € 600,00? O pensionista dos € 200,00? O desgraçado do agricultor ou do pescador? O empresário que gerou postos de trabalho e que pagou com língua de palmo todos os impostos, taxas, segurança social, IVA, pagamentos especiais por conta, etc.? Aquele que, honestamente, estudou, lutou, formou os filhos, que nunca deu um passo na vida superior à sua perna? Ou aquele que aufere salários de seis, sete ou mais empresas ou instituições a que pertence?  Ou os senhores dos bancos, dos offshor, os que pagam juros a 1% e vendem o dinheiro a 6, 7 por cento? Ou a corja que manipulou e gerou BPN's, BPP e outras situações? Ou os gestores de grandes empresas que auferem salários absolutamente pornográficos?
O povo não é cego. Por vezes deixa-se ir, só que o copo da tolerância continua a encher. Há sinais que não podem ser escamoteados, dizem os médicos e os economistas. Estamos face a uma população deprimida e de braços caídos. Uma população sem esperança que começa a ter medo do dia seguinte. Vem aí o Orçamento de Estado e nada de bom vem a caminho. Sabe-se que mais uma severa punição cairá sobre o povo. Até quando o povo aceitará um castigo por causas que não lhe podem ser imputadas, é a questão que coloco.
Ilustração: Google Imagens.

Sem comentários: