quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A MARGEM DO ORÇAMENTO... O DESRESPEITO PELOS EMIGRANTES


O secretário regional do Plano e Finanças até fala de "lucro" em 2014. Qualquer coisa como sete milhões de euros! Fantástico. Tudo na ruína, dívidas superiores a 6.5 mil milhões, empresários em agonia, pobreza por todos os cantos, sistemas de educação e saúde em colapso, e o secretário entra em delírio "contabilístico" sublinhando que a Região terá resultados positivos no próximo ano. Um conselho: peça, rapidamente, o discurso do Deputado Carlos Pereira (PS), leve-o para casa e faça um serão de leitura e meditação sobre o seu conteúdo. Talvez aprenda alguma coisa. Sobretudo a não mentir no exercício da política. 


Bom, mas sobre a cantilena do PSD dou de barato o que se passou na manhã de ontem. O que já não aceito, enquanto cidadão, é que um Deputado do PSD, o sr. Jaime Ramos, se dirija ao Deputado Roberto Rodrigues (CDS) da seguinte forma: "(...) Não posso estar a ser interrompido por um simples emigrante que veio para aqui" (DN-Madeira). Pois, senhor deputado, enquanto uns tiveram de emigrar, por vezes famílias inteiras, passando as dificuldades inerentes de quem sai à procura de futuro, outros por aqui ficaram a esmifrar o povo, através de colagens políticas, de canais e de  informações privilegiadas; uns passaram dificuldades, outros, nascidos em berço de ouro, alcandoraram-se a posições geradoras de significativa riqueza e não largam o osso com receio de perder privilégios. Como é óbvio, nada, rigorosamente nada disto tem a ver, com o senhor Jaime Ramos, exemplo máximo, como todos sabemos, de um político exemplar, com quase quarenta anos de total doação ao povo da Madeira, expoente inquestionável de virtudes e de distanciamento da politiquice regional. Tratou-se, apenas, de mais um "lapsus linguae", uma "jaimite" absolutamente desculpável no calor do debate!
Ora, aos emigrantes devemos o máximo respeito. Saem porque a terra foi madrasta e muitos regressam por amor à sua terra. Muitos conseguem sobreviver e amealhar, enquanto outros continuam pobres. Uns conseguem atingir bons níveis de riqueza, enquanto outros saem para serem assassinados ou raptados. E esse respeito deve ser tanto maior quando se fala de casos de fortunas mal explicadas, de gentinha que vive e convive à mesa do orçamento, que joga com mil e um interesses instalados, que desfrutam de "bons telefones" e acessos rápidos aos corredores do poder. A palavra emigrante, para mim, arrasta consigo um sentimento, primeiro, de dor, depois, transporta-me aos idos anos 50/60 de triste memória. Ontem partiam quase ou mesmo analfabetos, hoje partem para a roleta da vida com um "canudo" nas mãos! Partem, porventura, muitos dos melhores, aqui ficam outros, alguns dos quais que aprenderam rápido as leis da subserviência laranja (a tal máfia boazinha) na esperança que alguma coisa caia dos pratos faustosos dos "companhon de route". Aquele "lapsus linguae", aquela "jaimite" esqueceu-se também que há muitos que labutam lá fora para enviar algum dinheiro para os que aqui ficam, naturalmente, pais e avós que comem o pão que o diabo amassou. Coisa que talvez não fosse necessária se outro fosse o governo desta Região. 
Finalmente, com esse tal supervait de sete milhões em 2014, Senhor Secretário, coloque a mão na consciência e distribua pelos pensionistas pobres da Região. Ainda está a  tempo de o fazer, incluindo no Orçamento essa possibilidade. 
Ilustração: Google Imagens.

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