domingo, 29 de dezembro de 2013

A NECESSIDADE DE EXPLICAR A CRISE


Há qualquer coisa que me escapa ou face ao meu olhar parece não bater certo. Por um lado, temos mais instituições de solidariedade social do que freguesias; pobreza face à qual assistimos, diariamente, a testemunhos arrepiantes; níveis de desemprego assustadores; números preocupantes de emigração; empresas aflitas; governo cheio de calotes; por outro, centros comerciais a abarrotar e uma corrida aos saldos como se os encargos de Natal não tivessem pesado na carteira; supermercados com filas intermináveis, logistas que dizem que não tem sido mau o negócio; crescimento do número de notas de € 500 euros em circulação; viagens pagas em dinheiro vivo; levantamentos em caixas de multibanco muito elevados; hotéis e outros espaços com muita procura face aos programas de fim-de-ano, circulação viária que parece indicadora de pujança da economia e, genericamente, um movimento citadino que também parece vivermos o melhor dos mundos! 


Julgo eu que bastam 10.000 pessoas para darem vida à cidade do Funchal e que elas rodam pelos espaços comuns. E isso corresponde a 10% dos habitantes do Funchal e a cerca de 4% da população da Região, fora, claro, os que estão em trânsito e, dentro destes, os emigrantes que se aventuraram e que, nesta época de reunião da família, regressam com saudades da terra. Poderá então deduzir-se que os outros estão arredados para as margens das carências sem fim e da luta pela sobrevivência. Sabe-se, também, que o subsídio de Natal proporciona algum desafogo e que prolifera por aí muita economia paralela e alguns esquemas financeiros marginais, mas tanto constrangimento sentido e divulgado, será que explica este movimento em contraponto ao discurso da crise? Não sei explicar e até posso estar a ser leviano nesta superficial análise. Há, com toda a certeza, outras e importantes variáveis a considerar que me escapam. Todavia, aparentemente, há qualquer coisa que parece, repito, não bater certo. Temo é que, perante as aparências, o governo, sorrateiramente, dispare mais austeridade, porque eles "aguentam, aguentam". 
Oxalá tudo isto fosse consistente e verdadeiro, mas não me parece. O que o nosso conhecimento e observação detecta merece uma análise muito mais profunda e fina para percebermos os fundamentos desta realidade. Afinal, o que se está a passar? Gostaria de ler para melhor compreender a realidade. Até porque 2014 começa dentro de horas e serão doze meses de nova e brutal carga fiscal. 
Ilustração: Google Imagens.     

Sem comentários: