quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A HISTÓRIA DO PEQUENO DANIEL TROUXE A LUME A HIPOCRISIA POLÍTICA DE QUEM GOVERNA A MADEIRA


O recente e dramático caso do pequeno Daniel, de dezoito meses, desaparecido e, felizmente, encontrado em condições arrepiantes, trouxeram, marginalmente, através das imagens televisivas, as condições em que os pais e restante família vivem. As imagens não me saem da cabeça: um casebre, sem as menores condições de habitabilidade, que demonstram a pobreza, eu diria mais, o círculo vicioso da pobreza e da exclusão social. Apenas um caso entre centenas que vivem por esta Região fora, escondidos entre becos, travessas, entradas e bananais! Às vezes paredes meias com outros que, felizmente, vivem com alguma dignidade. O Daniel, o irmão, seus pais e avós ali vivem, o que me leva a questionar, que raio de "Madeira Nova" é esta que se preocupou com tanto paleio, tanta inauguração visando os actos eleitorais seguintes e muito pouco com as pessoas, razão primeira do exercício da política? De pais pobres a probabilidade é que os filhos o sejam e que o seu futuro fique condicionado pela história de vida dos progenitores.

O responsável político pelo desastre social.
Agora... de bico calado!

E o homem que se diz "único importante" nesta coisa que montou e condicionou, continua a falar para fora quando seu dever seria resolver as prioridades que tem cá dentro. Revolto-me com aquilo que assisto. Confesso que já não suporto vê-los na passerelle da comunicação social, por tudo e por nada, só a presença das suas caras cansam e as suas palavras criam azia. Uns disfarçam, outros desviam as atenções, ainda outros mentem e falam de milhões para aqui e para ali. No essencial, aquilo que é prioritário não resolvem, talvez porque isso não dê votos. Um nojo. Por isso mesmo estão politicamente condenados. Meteram-se pela via da "obra" física quando a principal obra de qualquer governo será sempre a do investimento no ser humano. Meteram-se pela política do betão, não a do betão fundamental e prioritário, esquecendo-se que as pessoas devem estar sempre em primeiro lugar, através de projectos económicos susceptíveis de gerarem empresas e emprego consistente. Preferiram a cimentização, inclusive, qual metáfora, a da consciência, da incultura e da escravização, talvez considerando que esse seria o melhor caminho para a conquista do voto. Enganaram-se. Nas autárquicas passadas já levaram uma banhada e não se livram nas próximas de ficarem a léguas do poder.
O caso do menino Daniel trouxe para a ribalta a miséria, o desemprego, as condições de vida em que muitos vivem. Foi preciso ser dado testemunho público para, agora, as instituições olharem pelas condições de vida daquela família. Que raio de gente esta! E ainda há quem acredite em "salvadores da pátria" nascidos e criados partidariamente no berço da Rua dos Netos, que nunca levantaram a voz, que sempre foram obedientes e beneficiários do sistema, mas que agora se perfilam contra o "único importante", como se nada tivessem a ver com a história dos últimos trinta e tal anos! Espantoso. "Olho no preço" e "cuidado com as imitações"!
NOTA: 
Nos Açores, o Orçamento Regional foi considerado constitucional pelo TC. Nos Açores, os cortes cegos impostos pela República, o empobrecimento forçado, será compensado com um subsídio regional. Na Madeira suportamos uma dupla austeridade. No Porto Santo... tripla! E porquê? Apenas pela loucura política de um só homem, hoje, um homem só! Será necessário esperar por 2015?O presidente do governo da Madeira deve, no plano político, uma explicação aos madeirenses e portosantenses. Deve ir ao Parlamento explicar-se. E que não venha com a treta que somos roubados há 500 anos ou que tudo isto é consequência dos ingleses, da Maçonaria ou da Constituição da República!
Ilustração: Google Imagens.

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