sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

APROXIMAM-SE AS ELEIÇÕES EUROPEIAS. UM MOMENTO MUITO IMPORTANTE PARA A MADEIRA.


Confesso, em jeito de nota prévia, a minha profunda amizade por um político de mão-cheia. Já lá vou ao seu nome. Mas tão enorme quanto a amizade é a admiração que nutro pela sua capacidade e inteligência política, alicerçada no conhecimento, no estudo dos dossiês, na argumentação, na rapidez de raciocínio, na frontalidade, tudo em defesa de princípios e de valores que o guiam. Tenho muitos anos de actividade política, pela Assembleia Legislativa passei oito anos e doze pela vereação da Câmara do Funchal, vivi e senti o pulsar do debate político com muitos "utilizadores da palavra", mas nunca vi um político como o Dr. Carlos Pereira. É o tipo de político que todos os dias "inventa coisas" para fazer. Não fica à espera da agenda ou do que a comunicação social vai transmitindo. Não anda atrás dos acontecimentos, antes posiciona-se na dianteira. Não fala por falar, não abre a boca porque tem de dizer coisas, antes estuda e vai direitinho ao âmago dos assuntos. Para mim, nestes seis anos que leva de Assembleia, o Deputado Carlos Pereira foi a figura central do Parlamento. Foi criticado, eu diria miseravelmente bombardeado, ofendido e sofreu alguns assassínios de carácter, tudo porque estudou, como ninguém o tinha feito até então, entre outras, as contas da Região. Determinou o "buraco" financeiro, assumiu que andaria pelos seis mil milhões de euros e pouco tempo depois, confirmou-se a verdade: "a situação da Madeira é insustentável", disse-o Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças. Foi uma questão de tempo e ficou-se a saber da história das facturas não reportadas e, sabe-se lá, o que saberemos na sequência do processo "Cuba Livre". 


O PSD-M não gosta dele, obviamente. Simplesmente porque o Deputado Carlos Pereira olha na cara, olhos nos olhos e enquadra os assuntos com invulgar seriedade e honestidade. Mas, reconhecem o seu indiscutível valor, quando, à mesa do café, longe dos olhares da comunicação social, a ele se referem. Perguntará o leitor: e por que faço este enquadramento desta figura do Parlamento e do PS? É simples. Aproximam-se eleições europeias e estou muito preocupado com as candidaturas e com o resultado.  Alberto João Jardim com toda a certeza que também está. Na sua recente reunião com o líder do PSD, este deve ter sido um dos assuntos em cima da mesa.
A questão que hoje se coloca na Europa, em geral, e para Portugal, em particular, situa-se ao nível da Economia e das Finanças. No caso da Madeira ainda mais face às circunstâncias de todos conhecida. Por outro lado, ao contrário de Durão Barroso que disse que a Europa não tem culpa da crise, defendo a necessidade de uma política de esquerda que coloque fim a este ciclo de uma direita devoradora e insaciável que varreu a Europa sob a liderança complacente do português. E nesta política de esquerda que rompa com os anos de austeridade forçada, necessário se torna a presença de eleitos muito qualificados nesses domínios e respeitados do ponto de vista ideológico. O Dr. Carlos Pereira, do meu ponto de vista, é a figura que interessa à Madeira, porque a conhece, nas fragilidades e potencialidades, porque tem discurso e porque pode ser determinante na construção de benefícios que a Madeira tanto precisa, enquanto região ultraperiférica. Sei que o PS perderá, nas suas fileiras na Região, um excelente Deputado, mas a Madeira ganhará uma voz nos centros de decisão política. E ao dizer isso estou a partir do princípio que o PS-Madeira, desta vez, não será ultrapassado por ninguém, pelos interesses geridos no Largo do Rato. Nem aceito que este madeirense entre em lugar cinzento na lista. Do meu ponto de vista terá de ocupar um lugar claramente elegível. O Dr. Carlos Pereira pede meças a muitos que por lá andam e que nem os conhecemos!  
Apesar de amigo de Carlos Pereira desconheço qual o seu posicionamento sobre esta matéria. Concretamente, se aceitaria ou não um desafio desta natureza. Se escrevo, sem o consultar, é por três motivos: primeiro, pelo reconhecimento da sua qualidade; segundo, pelo benefício para a Madeira; finalmente, porque nesta Europa que espezinha povos, há uma necessidade de políticos que façam o discurso da diferença, o discurso político que interessa à maioria da população desta Europa à procura de rumo. Espero que o PS-Madeira e o PS-Nacional se entendam nesta matéria.
Ilustração: Google Imagens.

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