terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O QUE FAZ ESTE "GAJO" AQUI?


Vivemos um tempo descartável e um tempo sem memória. Um tempo de ausência de respeito, porque somos governados, exactamente, por pessoas sem memória, produto de um tempo de sofreguidão pelos interesses pessoais e de grupo, de salve-se quem puder e de ausência de prioridades. Tenho um grande Amigo, de 88 anos ainda ontem completados, que na linha do que a autora do artigo em causa sublinha, já há muito me dizia: André, fico com a sensação que os jovens sujeitos das finanças, ao olharem para a listagem de aposentados e pensionistas de idade avançada, questionam-se: o que faz ainda este gajo aqui? O meu distinto Amigo Franklim Lopes, no seu incomensurável humor, boa disposição e profundidade de análise, tem razão. Mas é esta gente que nos governa a soldo de uma corja mafiosa sem rosto, que domina em outras latitudes e que impõem desde o que comer, ao que vestir e até em quem votar. Desumanamente, impõem a sua verdade, encostando os demais à parede da vida, como se alternativas não existissem a esta dura realidade da prevalência do dinheiro e da acumulação de riqueza sobre a dignidade que deveria presidir a todo do ser humano.


Não conheço, pessoalmente, a Drª Manuela Parente, mas aprecio os seus textos publicados no DN-Madeira. Muitas vezes sinto que se trata de uma Mulher que transpira humanidade, sentimentos que vêm de dentro e que se expressam no que escreve. Hoje, li um seu texto que me deixou agarrado àquelas e outras leituras sobre aquilo que andam a fazer à faixa da população mais idosa do País. Escreveu: "Vou começar o ano a falar da idade sénior. Um tempo precioso que deveria ser vivido entre a paz e a sabedoria. O descanso do guerreiro que acumulou experiências, lutou afincadamente pelos seus princípios e ideais, atacou, defendeu, protegeu-se e na hora da retirada aconchega-se nas suas memórias e histórias de vida e com prazer partilha-as com os outros, sobretudo crianças e jovens que o ouvem com atenção, orgulho e prazer. Deveria continuar a ser um prazer partilhar a vida com os guerreiros do nosso país que estão cada vez mais isolados e desconsiderados. Não se diz claramente mas sente-se que num país em vias de degradação extrema agarrado a uma economia decadente fixada na produtividade, não há espaço para os séniores. (...) Afinal essas mentes brilhantes nasceram onde? E quem os trouxe a este mundo? Viverão a ilusão da juventude eterna? Pensam morrer novos? Ou o seu grande objetivo será enriquecer rapidamente para depois poder pagar, a preço de ouro, os cuidados e atenções que a maior idade exige? Penso que alguns infelizmente nem pensam, apenas seguem ideias e a elas se adaptam esforçando-se por acreditar que as suas opções, mais do que válidas, são claramente justificáveis. (...) Desde a saúde à segurança social os idosos são hoje uma realidade que em nada dignifica o país. As prioridades estão definidas e os idosos não são prioridade. (...) Existem famílias em enorme sofrimento por quererem dar aos seus guerreiros uma qualidade de vida onde o afeto possa coexistir conjuntamente com as condições básicas".
De facto, vivemos um tempo descartável e um tempo sem memória. Um tempo de ausência de respeito, porque somos governados, exactamente, por pessoas sem memória, produto de um tempo de sofreguidão pelos interesses pessoais e de grupo, de salve-se quem puder e de ausência de prioridades. Tenho um grande Amigo, de 88 anos ainda ontem completados, que na linha do que a autora do artigo em causa sublinha, já há muito me dizia: André, fico com a sensação que os jovens sujeitos das finanças, ao olharem para a listagem de aposentados e pensionistas de idade avançada, questionam-se: o que faz ainda este gajo aqui? O meu distinto Amigo Franklim Lopes, no seu incomensurável humor, boa disposição e profundidade de análise, tem razão. Mas é esta gente que nos governa a soldo de uma corja mafiosa sem rosto, que domina em outras latitudes e que impõem desde o que comer, ao que vestir e até em quem votar. Desumanamente, impõem a sua verdade, encostando os demais à parede da vida, como se alternativas não existissem a esta dura realidade da prevalência do dinheiro e da acumulação de riqueza sobre a dignidade que deveria presidir a todo do ser humano. 
O artigo de que falo traz o aroma da sinceridade e o alívio para todos quantos olham para esta descarada forma suja de fazer política. Esse meu grande Amigo, companheiro das viagens que recordo com saudade, um dia disse-me que "a política existe para corrigir os diversos orgasmos". Nada mais certo. Somos produto de um orgasmo que determina muitas vezes o círculo vicioso da pobreza ou da riqueza. O exercício da política deveria visar a sua correcção, oferecendo a todos as mesmas possibilidades na partida e a dignidade no final do ciclo de vida. Mas eles não pensam assim. Como sublinha a Drª Manuela Parente: (...) Afinal essas mentes brilhantes nasceram onde? E quem os trouxe a este mundo? Viverão a ilusão da juventude eterna? Pensam morrer novos? 
Convido os leitores que por aqui passarem a ler o artigo em causa neste endereço
Ilustração: Google Imagens.

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