sábado, 8 de fevereiro de 2014

"CAOS" NOS HOSPITAIS OU O EXERCÍCIO DA POLÍTICA COMO EMPREGO PARA A VIDA


O presidente do SESARAM assumiu que existe "caos" na saúde: "(...) Está a acontecer montes de rupturas, em todas as áreas", disse ao DIÁRIO. "É um caos" (...) o SESARAM não consegue fazer melhor além de comprar o necessário "aos bochechinhos, para tentar garantir os stocks nas áreas mais necessárias e evitar rupturas graves". O presidente do SESARAM, no essencial, disse aquilo que todos já sabíamos. Aliás, trata-se de um assunto recorrente, tantas vezes motivo de debate na Assembleia Legislativa da Madeira, quer em situações de propostas específicas, quer nos debates dos sucessivos Planos e Orçamentos da Região. Portanto, nada de novo, para além do facto, óbvio, de nenhum de nós, perante aquele cenário, ficar descansado numa situação de necessidade dos serviços. Até porque os problemas tenderão a agravar-se, pressuponho. Apesar de, também todos sabemos, que de espoliados e encostados à parede, médicos, enfermeiros e todas as centenas de funcionários que "aguentam os hospitais" fazerem das tripas coração para que tudo seja realizado com competência, rigor e humanidade perante os casos que ali chegam. O presidente do SESARAM aguentou (não discuto processos e relações pessoais e colectivas internas do sistema, que são do domínio público, porque não as domino) e ontem sentiu a necessidade de desabafar. Considero que foi importante a confirmação, embora não perceba a oportunidade e alcance desta atitude. Já completamente desadequado foi o comunicado da secretaria regional dos Assuntos Sociais e Saúde. Politicamente, como é normal, o secretário sacudiu as responsabilidades, culpando a 'troika' e Lisboa pelas dificuldades criadas através do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro. O habitual: para inaugurar cá estamos, para se responsabilizar, está quieto, a culpa é sempre dos outros. Porque este é um assunto POLÍTICO, do vértice estratégico e não da linha hierárquica, o secretário só tem uma possibilidade política: a DEMISSÃO. Até porque poderá ser o último a saber que está de saída!

Siameses nas políticas.
Um  decide, outro não paga.
Pelo meio, um secretário apenas figurativo.

Não há memória, neste e em outros sectores e áreas, alguém deste governo, a começar pelo presidente do governo regional, de uma assunção de responsabilidades políticas por alguma coisa que tivesse decorrido mal. No caso em apreço, parece que não existiu assembleia, governo, secretaria, direcções regionais, institutos, administração financeira, parece que este sector não foi regionalizado, que não nomearam quem quiseram e entenderam, parece que este governo foi, apenas, uma repartição do ministério da Saúde. Tentam passar essa imagem, mas não conseguem. Politicamente, se existe um Plano de Ajustamento Económico e Financeiro, específico para a Região, é apenas porque não souberam gerir a "coisa pública". Gastaram onde não deviam, esbanjaram porque não souberam definir prioridades, andaram a vender ilusões com a tal "obra" física e esqueceram-se da Economia, logo, hoje, têm problemas até ao céu da boca com a Saúde e com a Educação, entre outros. As consequências advêm sempre de causas geradas. Se existe "caos" nos hospitais e na Educação, é paranónico atribuir culpas às "dívidas do Estado" de há 500 anos a esta parte. As dívidas foram criadas de 1976 para cá, por má administração e gestão política. Ponto final. Aliás, quem assinou o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro sabia o que estava a fazer e sabia que, tarde ou cedo, a máquina ia falhar por falta de óleo e até de peças. 
Dr. Francisco Jardim Ramos
Secretário Regional dos Assuntos Sociais e Saúde
Daqui se deduz que não pode o governo responsabilizar os diversos conselhos de administração do SESARAM, nomeados por si, porque em causa estão as políticas que definiu e as prioridades gerais e específicas que não foram observadas. Se há culpados na situação a que se chegou, esses estão identificados, têm nome e exerceram ou exercem cargos de governo. Devem, por isso, assumir as suas responsabilidades políticas. Foram-se os tempos das vacas gordas, aquele tempo, durante o qual uma figura do governo dizia à boca-cheia que "dinheiro era coisa que não faltava". Hoje, confrontam-se com tetas mingadas e todos a pedirem que as facturas sejam pagas. Por tudo isto, o comunicado da secretaria regional é absolutamente patético. Deveria ter sido o comunicado da demissão que conduziria a que todos os da linha hierárquica colocassem os seus lugares à disposição. Todos. Mas quando o presidente do governo atira sempre a bola para fora, nada se pode esperar, ou melhor, há que aguardar por 2015! 
Ilustração: Google Imagens.

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