segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RELVAS, O "LICENCIADO" EM EQUIVALÊNCIAS, REGRESSA À RIBALTA


Para mim, do ponto de vista político (e não só), o regresso à ribalta do controverso Miguel Relvas era a peça que talvez faltava para compreender muitas coisas. Os dois, Pedro Passos Coelho que o convidou e Miguel Relvas que aceitou, encontram-se no mesmo patamar de credibilidade. Julgo que não há português que se esqueça do atribulado tempo de Relvas no governo. Saiu, ou melhor, foi empurrado pela comunicação social, pela pressão pública e pelo desconforto que, certamente, o governo sentia ao ter aquela peça no seu seio. No que concerne formação académica, o "licenciado" em equivalências deixou um rasto de oportunismo que não é fácil esquecer. Mas eis que Passos Coelho que o mandou embora, agora, o reabilita. Eu só encontro uma expressão para justificar uma situação destas: pouca-vergonha. Digamos que um está para o outro, ou melhor, são faces da mesma moeda. E se assim posiciono-me é porque no exercício da política exige-se total transparência. A participação política não pode estar à mercê de favores, amizades, compromissos, cumplicidades e fidelidades antigas. E neste caso, Miguel Relvas tem uma imagem política e, por via disso, pública, que apenas ajuda a denegrir a avaliação que as pessoas infelizmente fazem dos partidos e dos políticos. Relvas deveria estar a fazer a sua travessia do deserto, deveria estar envolvido nos seus interesses profissionais e ponto final. Na política, não. Só falta regressar à governação. Ridículo.


Em Agosto de 2013 escrevi: "Obviamente que nada tenho de pessoal contra os Relvas deste nosso País. Tenho sim contra os relvas oportunistas, que nos corroem a paciência, que se movimentam nos largos corredores do oportunismo político e que edificam as suas vidas por processos menos transparentes e, politicamente, condenáveis. Os líderes e os subalternos. Esses relvas, existem muitos, chateiam-me, porque o exercício da política exige credibilidade em dose igual à do conhecimento, à seriedade, à honestidade e ao rigor no desempenho. Na política essa relva(s) deveria ser cortada tal como se faz, periodicamente, aos relvados. E quanto à erva daninha, após molhada, arrancada pela raiz para que não fique qualquer hipótese de voltar a germinar. Mas não, face a tanta porcaria acumulada, há senhores que ao contrário de a limparem, continuam a querer acumulá-la, aumentando, por aí, o cheiro nauseabundo da politiquice caseira. Relvas volta à ribalta depois de ter dado um primeiro passo, por convite, para alto comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Tudo isto anda, de facto, conspurcado. Que tristeza de políticos e de política!
Obviamente que o problema é do PSD e não meu. Mas sou português e não deixo de lado o dever de uma leitura sobre o que se passa e que influencia a vida de todos nós. E o que se passa é que nós estamos entregues a gente sem um pingo de bom senso, entregues a exploradores e vendidos aos bocados, sempre com aquele discurso que, amanhã, teremos o paraíso. E já lá vão três anos de penosos constrangimentos. Ontem, o discurso do Primeiro-Ministro já foi de preparação para a carga de "pancada" que vem a caminho. Depois de Maio, o mês da teórica saída da "troika" de Portugal, o caminho ainda será mais duro, porque nada ficou resolvido. O povo vai continuar sob o domínio estrangeiro e sob o domínio das correias de transmissão que, cá dentro, se encarregarão de cumprir os desígnios de outros. Entretanto, um destacado militante do PSD-Madeira, o Dr. Filipe Malheiro, assume, hoje, no DN-Madeira, que uma "corja bandalha" tomou conta do PSD-Nacional: "(...) O Governo de Pedro Passos Coelho pode vender a propaganda que quiser, mas a melhoria que eles apregoam em termos de contas públicas não chegaram ao bolso dos cidadãos, às famílias. Nós continuamos a ter miséria, pobreza e desemprego. E isto é que me repugna nestes indivíduos que estão a liderar o PSD e que lamentavelmente foram recuperar essa figura sinistra chamada Miguel Relvas, o que por si só indicia o carácter desta corja que lá está. Esta gente só é afastada do poder se o povo quiser, mas o povo é demasiadamente pacífico". Pois, até estou de acordo, mas a questão também é outra: e por aqui?
Ilustração: Google Imagens.

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